quarta-feira , 14 novembro 2018
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Entrevista exclusiva com Mark Poole

Um dos maiores artistas de toda a história de Magic: the Gathering, desde seu lançamento, Mark Poole é uma pessoa muito gentil. Não importa se ele é o cara que fez a arte de Ancestral Recall, uma das cartas mais fortes de todas, ou se ele estava no time inicial quando o jogo foi lançado, em 1993. Ele fala contigo como se fosse um amigo. Às vezes até como um velho amigo, e foi dessa maneira que ele concedeu esta entrevista exclusiva ao Eternal Magic.

O Sr. Poole falou sobre como se deu o convite para ser um dos ilustradores de Magic: The Gathering, comentou sobre as evoluções no design de artes nos últimos 25 anos – e o impacto que isso teve em seus trabalhos – e, é claro, listou as cartas que as pessoas mais pedem parar serem assinadas em convenções, GP’s e torneios de grande porte ao redor do mundo.

Então aqui vai:

Você é um dos artistas que estiveram presentes no início de um jogo que estava prestes a ser lançado. Você pode nos contar como esse convite ocorreu?

Eu estava frequentando o Gen Con 1992 em Milwaukee e estava sentado com outros aspirantes a artistas. Tinha feito alguns trabalhos para o Dungeons & Dragons e outras empresas pequenas. Jesper Myrfors, o diretor de arte na época, parou na minha mesa e fomos conversando… Assim, ele acabou me oferecendo um trabalho no novo jogo deles, MTG. Eu achei muito bacana ter ilustrações minhas impressas em cartas, então aceitei a oferta.


Ilustração original de Birds of Paradise (1993)

 

Quantos anos você tinha na época?
Eu tinha 26.

Em que ponto da sua carreira você percebeu que o Magic deixou de ser apenas um joguinho para vir a se tornar também um grande evento artístico?

Em 1994 o jogo simplesmente explodiu. Mas mesmo nessa época eu não consegui acreditar que ela acabaria se tornando a indústria gigante que ela é hoje.

Você foi o ilustrador de algumas das cartas mais icônicas do jogo, como Ancestral Recall, Birds of Paradise e Counterspell, além de muitas outras. De lá pra cá houve uma mudança muito grande na produção artística como um todo através de novas tecnologias digitais (talvez Ancestral Vision possa ser um exemplo). De que maneira isso afetou seu trabalho? Você prefere o “estilo antigo das artes do Magic”?

Originalmente eles exigiam que as artes fossem compostas por um design simples e forte para que a imagem tivesse uma leitura boa à distância (na mesa de jogo), então a maior parte do meu trabalho era bem simplificada. Elas eram também pintadas num tamanho bem pequeno, tipo 6 x 8 (na época eles só tinham um scanner 8.5 x 11). Eu ainda faço pinturas tradicionais e às vezes faço um escaneamento da pintura e trabalho nela digitalmente para mexer em contraste, cor, etc. Eu gosto de todas as fases artísticas do Magic através dos anos, embora eu tenha um pouquinho de vergonha de alguns estilos de arte muito simples. Eu sei que as ilustrações transcenderam esse tipo de coisa e se tornaram mais icônicas, mas as coisas são o que são.

Quais cartas você mais autografa durante eventos de Magic?
Ilhas.

Qual sua arte favorita, mesmo que não esteja na “lista das mais famosas”?

Aqui estão minhas 5 artes favoritas: Balance, Kjeldorian Frostbeast, Towers of Urza, Ancestral Vision e qualquer uma dentre os novos terrenos de Commander 2016.

Alguma chance de vermos seu trabalho em Iconic Masters?

Quem sabe… Tenho novos trabalhos que acabaram de sair em Amonkhet e outras coleções. Também fiz as artes dos Eternal Weekend Prizes: Taiga e Savannah.

Arte original de Balance (1993)

 

Esse ano você completa 30 anos de carreira. Durante todo esse tempo você vem fazendo vários trabalhos para empresas como Sony Entertainment, Dragon Storm e Valley Games. Qual o peso do Magic em sua Biografia?

Eu tenho feitos trabalhos com empresas muito boas ao longo dos anos, mas o MTG me proporcionou um estilo de vida, uma base de fãs maravilhosa e me fez viajar o mundo como nenhuma empresa jamais chegou perto de fazer.

Você ainda joga Magic?

Eu jogo Magic aqui e ali, mas nada muito hardcore.


Mark Poole com o entrevistador durante o
Eternal Weekend 2016, em Columbus (Ohio).

Sobre Fausto de Souza

Fausto de Souza é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles, que joga e coleciona desde 1994. Viciado nas cartinhas e em escrever, tem feito grandes amigos em toda a comunidade e é muito grato por isso.

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