sexta-feira , 24 novembro 2017
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If the expansion is good, it deserves the congratulations. But if it is bad, that's who we complain to.

Gavin Verhey cria o futuro do Magic

Las Vegas – Quando Magic: The Gathering foi lançado, na GenCon em Milwaukee, em 19 de agosto de 1993, Gavin Verhey ainda nem sabia ler, tinha pouco mais de três anos de idade. Hoje, ele trabalha no desenvolvimento das novas expansões e mecânicas do jogo. Mas a contribuição deste designer para o Magic começou antes mesmo dele ser funcionário da Wizards of the Coast. Em 2010, um ano antes dele entrar na empresa e começar o desenvolvimento do bloco de Retorno a Ravnica, Gavin, então jogador, articulista da StarCity Games e anfitrião do PodCast Monday Night Magic, criou um novo formato para o jogo, que batizou de “Overextended”.

Esse formato nada mais é do que o que conhecemos hoje como Modern. Depois da estreia do Modern no Pro Tour Philadelphia, a Wizards of the Coast reconheceu o valor das contribuições de Gavin para esse novo formato eterno de Magic. “É, eu tenho um lugar especial no coração para o Modern, já que foi o formato que eu criei”, conta o designer, que já está, junto com sua equipe, trabalhando em expansões do jogo que só serão lançadas daqui a dois anos.

“Faço parte do time de design. Nós criamos as mecânicas, definimos o top level do bloco, e então a equipe de desenvolvimento começa o trabalho dela, que é mexer, alterar, testar, balancear… enfim, fazer com que tudo funcione”, explica Gavin. Criar uma expansão do zero é um processo longo, e a Wizards, para a execução de todo esse trabalho, tem quatro times envolvidos para mecânica e balanceamento. Design, Desenvolvimento, Play Design e Criativo.

Gavin conta que um bloco fica sendo concebido por seu time durante nove meses. “Depois, passa mais nove meses, às vezes até um ano, com os times de desenvolvimento e play design. Então, o material vai para a edição, para que as cartas tenham o texto apropriado, para que façam sentido”. O designer usa como exemplo o Obzedat, Ghost Council. “Nós criamos uma carta provisória dele. Pensamos na mecânica, e então passamos adiante. No desenvolvimento, ele teve seu custo de mana alterado e ganhou +1/+1. Mas é quando chega ao play design é que ele ganha sua forma final. Porque o trabalho deles é de muita repetição, muitos testes, muitos baralhos standard sendo montados e jogados com ele. O pessoal do desenvolvimento entende muito de Magic, mas é no play que as coisas acontecem”, conta em detalhes, revelando que seu time, o design, tem a última palavra sobre power level, sobre o fator diversão e sobre as mecânicas.

Conselho fantasma na expectativa pra ver se seria uma boa carta

“Quando começamos a desenvolver um set, ficamos naquela expectativa… mal posso esperar para ver isso lançado. E, finalmente, o produto chega às ruas”, conta, animado, referindo-se ao Archenemy Nicol Bolas, que foi lançado às vésperas do GP Las Vegas, onde nosso enviado especial Fausto de Souza teve essa conversa com Gavin. Ele também garante que Hora da Devastação será um set muito interessante. “Tem algumas cartas que vão afetar as cartas de Amonkhet, e fico na expectativa de como isso vai transformar o Standard. Nessa semana liberamos o preview do Nicol Bolas. Ele é muito forte, vai arrumar seu lugar no Standard. E tem muitas outras cartas tão fortes quanto ele no set”.

Mil e uma utilidades

Para Gavin, o segredo do sucesso do Magic é a sua versatilidade. “São mais de 100 jogos em um só! Se você quer jogar o ‘flavor game’, ler as histórias, inteirar-se dos personagens, você pode. Quer ser competitivo, disputar campeonatos? Pode. Jogar na mesa da cozinha? Ok. Ainda tem drafts, selados, Standard… está tudo à disposição”.

O designer acompanhou o GP Legacy, e acha que o banimento do Sensei’s Divining Top foi saudável para o formato. “O formato está maravilhoso. Há novos decks, tem até Miracles sem Tampo! Mas é claro que o banimento de qualquer carta é sempre um momento delicado. E, no caso do Tampo, que é uma carta tão maravilhosa, foi ainda mais difícil”. Para ele, o apoio da Wizards para tantos formatos diferentes é importante para que o jogo continue em alta. “Não importa se você joga desde 1993 e tem decks Vintage ou se começou na semana passada. Nós temos algo para você”, garante.

Todos sabem que o foco da empresa é no Standard. Ele é a galinha dos ovos dourados da Wizards, mas o Design também tem que levar em conta os outros formatos. Dessa posição multifocal surgem cartas como o Abrupt Decay. “Fizemos o Decay pensando no Legacy. É uma carta ok para o Standard, mas muito forte no Legacy”.

Gavin ainda não conhece o Brasil, mas esteve no GP Buenos Aires em 2016. “Foi incrível. A paixão que o Brasil e toda a América do Sul têm pelo jogo é algo que sempre devemos levar em conta. Eu não sou da área de marketing e eventos, mas tenho certeza que planejamos coisas muito boas para vocês”, promete.

Sobre Paulo de Tarso

Jornalista de formação, vive a (e de) escrever. Joga (mal) Magic desde 1995, e encontra diversão para compensar a falta de talento para o jogo utilizando cartas e decks que não são muito usados por aí. De vez em quando flerta com algum relativo sucesso ao beliscar um top 8, mas não é muito afeito às mesas iniciais. Atualmente joga Legacy e alguns drafts.

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