sábado , 23 setembro 2017
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Patrick Chapin também é elegante enquanto joga.

Patrick Chapin, o multi-homem

Entre seus múltiplos talentos, Patrick Chapin é um jogador de Magic fora de série e um ótimo comentarista, como quem acompanha o GP Las Vegas pelo Twitch pode ver. Esportista quando jovem, uma grave lesão o deixou afastado dos esportes que exigiam a parte física. “Ali eu comecei a jogar Magic direto”. Eu tinha 13 anos, jogava já há um ano, desde The Dark”, relembra Chapin, hoje com 36 anos. Autor de dois livros sobre o jogo, Next Level Magic e Next Level Deckbuilding, ele ainda arruma tempo para dançar, compor músicas, fazer caminhadas e escrever ainda mais. Esportes como beisebol, futebol, futebol americano, natação, basquete, atletismo, luta, mergulho – “já fiz de tudo, basicamente” – ficaram na lembrança do The Innovator, apelido que recebeu.

Com a experiência de quem acompanha Magic desde quase o seu princípio, Patrick Chapin dá créditos para o time de design da Wizards of the Coast, que tem sido questionado devido aos últimos banimentos de cartas no Standard. “O balanceamento do jogo é feito sob diversos aspectos. O jogo mudou muito nos últimos 20 anos, e essas mudanças só acontecem porque eles estão tentando o tempo todo. Eles poderiam adotar uma postura conservadora, mas eles sempre seguem adiante. Grandes banimentos ocorrem há cada seis anos, aproximadamente, nas duas últimas décadas. Eles podem ter se perdido um pouco agora, mas voltarão aos trilhos em breve. Estou muito confiante para o próximo ano”, aposta.

O último de muitos banimentos no Standard

E a confiança não é à toa. “Ha poucos anos, por exemplo, foi lançado Khans of Tarkir, com mecânicas incríveis. É um dos melhores designs, senão o melhor. É uma obra-prima. Então, há deslizes, eventualmente, mas há muito mais acertos”.

Evolução do jogo

Para Chapin, o jogo mudou demais desde a sua origem, e, se as moxes foram consideradas um erro – Dan Frazier revelou isso para nosso enviado especial Fausto de Souza, e você poderá conferir o material completo dessa entrevista histórica em breve -, o jogador/escritor/comentarista/muitas outras coisas explica que a questão não se resume apenas a cartas muito fortes, isoladamente.
“Muitas cartas que existem agora não existiam antes, como veículos e planeswalkers. O poder do jogo, antigamente, vinha de spells (instantâneos, interrupções e feitiços) e artefatos. Mas o balanceamento voltou-se para as criaturas, elas ficaram melhores. E temos tantas mecânicas, e tantas cartas, mas nenhuma ainda é melhor do que uma mox ou um Ancestral Recall. O ponto é que as cartas medianas são muito melhores do que as de outrora, as criaturas são melhores, mais fortes. E o jogador tem muitas opções”, avalia.

Em seus livros e artigos, Chapin utiliza um sistema de valoração das cartas. Ele explica, tendo como base aspectos de cada carta, como custo em manas para jogá-la, poder e resistência (se for criatura), habilidades, porque uma carta é melhor do que outra. Então, como saber se uma carta é boa ou não para estar no meu deck?

Quer jogar melhor? É um livro grande, mas vale a pena

“Depende do que você almeja como jogador. Se você quer disputar Pro Tours, sua estratégia será diferente daquela utilizada se você busca melhorar seu jogo. Se o objetivo é construir uma coleção, ou socializar com amigos em um ambiente menos competitivo, seus objetivos são ainda diferentes. Enfim, tente descobrir com o que você quer jogar e terá uma gama variada de opções”, ensina.

Para os jogadores iniciantes, ele deixa algumas dicas valiosas. “Mantenha em mente algumas coisas importantes. Tente ficar, no máximo, em duas cores; jogue com cartas que combinam entre si; jogue com cartas de custo baixo, mais cartas que custam um, dois ou três manas. Um dos erros mais comuns de quem está começando é querer jogar com muitas cartas de custo de mana alto, porque são atraentes. Mas, se você tiver muitas delas, não será possível se defender no início e ficar vivo para jogá-las”, sentencia o campeão do Pro Tour Atlanta, em 2014, e membro do Hall da Fama do Magic.

Banimento do Tampo

Chapin acredita que muitas coisas mudaram em relação ao valor das cartas, e tem um tipo de deck que ele é fã. “O Delver preto e azul é absolutamente fantástico. Eu jogaria com ele. O preto e azul, e talvez com uma terceira cor, será muito forte. E, como esse tipo de deck joga com muitas cartas de custo 1, ele se beneficiou muito do banimento do Sensei’s Divining Top. Eu também estou vendo toneladas de Chalice of the Void, mas a presença dos Abrupt Decay caiu um pouco. Ele jogava porque não podia ser contido, e destruía o Counterbalance“.

Falando em Counterbalance e Tampo, um deck que Chapin está gostando de ver é o novo Miracles. “Ele é muito bom, ainda mais com splahs pra vermelho, pra Blood Moon e Pyroblast. E ainda tem Portent, Predict e Unexpectedly Absent“, empolga-se, lembrando das interações entre essas cartas, que tornam o deck viável. O fato da carta do Portent ser comprada no turno seguinte ao que foi jogado, normalmente o do oponente, deixa de ser uma desvantagem quando se deixa um Terminus do topo. E, quando jogado tendo o oponente como alvo, permite interação com Predict e Jace, the Mind Sculptor. E Unexpectedly Absent, por ser instant, pode embaralhar um Jace do oponente em seu grimório, quando ele estourar uma fetch land, por exemplo. “Com o Sensei’s Divining Top fora do caminho, Portent, Predict e Unexpectedly Absent fazem o deck ainda assim ser muito bom”.

Ei!, eu tinha um monte disso no lixão!

No Modern, Chapin é fã incondicional do Death’s Shadow. “Se eu fosse jogar o GP, certamente iria com Death’s Shadow, não importa a combinação de cores. Escolher entre Jund ou Abzan, por exemplo, depende da semana.”

Palpites

Esta entrevista foi feita por Fausto de Souza no início do segundo dia do Legacy, então ele ainda não tinha como saber quais decks formariam o Top-8 do Formato. Então, Chapin deixou sua aposta. “Muitos Delver of Secrets e outros azuis. Pelo menos seis azuis. Os outros dois? Talvez um monored, um Death and Taxes”.

No Modern, ele aposta mais na diversidade. “Devemos ter seis decks diferentes. Um par de Death’s Shadow, mas haverá outras coisas.

Para nós, brasileiros, só agradecimentos. “Obrigado pelo apoio, pela leitura dos meus livros e pelas energias positivas. Muito obrigado, Brasil. E acompanhem meu podcast, com Michael Flores, toda semana!”, despede-se, fazendo uma propaganda do Top Level Podcast, que faz ao lado do autor Michael J. Flores, que escreve artigos sobre Magic desde que a revista Duellist existia, nos anos 1990.

Sobre Paulo de Tarso

Jornalista de formação, vive a (e de) escrever. Joga (mal) Magic desde 1995, e encontra diversão para compensar a falta de talento para o jogo utilizando cartas e decks que não são muito usados por aí. De vez em quando flerta com algum relativo sucesso ao beliscar um top 8, mas não é muito afeito às mesas iniciais. Atualmente joga Legacy e alguns drafts.

4 Comentários

  1. Thiago Sant' Helena

    Haha, autos artigo. Chapin é um cara sem igual mesmo, palpite quase certeiro do top8

  2. Entrevista muito boa com um dos caras mais brilhantes da história do jogo

  3. Parabéns, ótima matéria. Por acaso sabem dizer se os livros do Chapin já têm edições em português? Abraço!

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