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Prepare-se para os próximos Legacys!

Vai jogar um torneio Legacy em breve? Veja aqui informações úteis sobre oito torneios disputados entre os dias 27 de maio e 4 de junho.

Com o GP Vegas se aproximando, e particularmente com a profusão de torneios Legacy Brasil afora, parece útil produzir uma análise dos últimos oito grandes torneios realizados no formato entre no período recente.

A ideia é auxiliar os jogadores a escolherem seus decks, montarem os sideboards e planejarem de forma adequada suas estratégias tendo como base os dados analisados.

Para tanto, utilizei como fonte de pesquisa os 4 grandes torneios realizados no Brasil (Rio de Janeiro, Blumenau, Novo Hamburgo e Belo Horizonte), que juntos reuniram 162 jogadores. Além desses apresentarei os dados do GPT Vegas (72 players), do ChannelFireBall 4k (98) e dos side events dos GPs Kobe (108) e Manila (45). Os dados para os torneios brasileiros podem ser encontrados aqui no Eternal Magic e em nossa página do Facebook, ao passo que os demais estão relacionados no mtgtop8.com.

No total teremos o resultado da análise de oito torneios que levaram aos campos de batalha nada menos que 490 jogadores em diversos lugares do mundo. Em comum o fato de que todos eles foram disputados frente a frente e não através da tela de um computador.

Para facilitar nossa análise, dividimos o field em três arquétipos principais: aggro/tempo, onde estão inseridos os decks mais explosivos; mid range/controle, onde vão aqueles que se preocupam primeiramente em não perder para depois ganhar; e por fim os combos (recomendo a leitura da coluna do Erick Santos, que explica detalhadamente cada um dos arquétipos)

O METAGAME – Após o banimento do tampo, muitos acreditaram que os combos prevaleceriam e até causariam um mal irreparável ao formato. Mas o somatório dos Top8 desses eventos derruba por terra essa hipótese. Tivemos as seguintes quantidades de decks em cada um dos arquétipos:

Midrange/controle: 27
Combo: 21
Aggro/tempo: 16

Isso não significa, no entanto, que você terá maior probabilidade de encontrar pela frente mais decks midrange/controle. Em alguns desses torneios estudados, o arquétipo iniciou com menos de 1/3 do field. Por outro lado, isso quer dizer que eles estão bastante consistentes, com boas respostas para as principais ameaças do formato. E com isso você deve se preocupar.

Obter 42% dos Top8 não é nada fácil e esses decks não estão aí por acaso. Num cenário de indefinição, como ocorre após o banimento de cartas relevantes, é natural que as estratégias com respostas mais amplas prevaleçam, e até que o ambiente esteja equalizado essa é uma tendência que parece bastante provável para as próximas semanas.

Exceto Maverick e Death and Taxes, todos os outros midrange/controle utilizam o azul, com a tradicional shell de anulas, cantrips e Jace TMS. Portanto, é importante dedicar espaço em seu sidebord para corridas de fôlego.

O espaço conquistado pelos controles no cenário competitivo IRL pós-ban foi proporcional àquele perdido pelos decks aggro/tempo. Estes passaram a ocupar apenas 25% dos Top8s, o que sugere uma predação por parte dos controles, sobretudo se considerarmos que os delver decks possuem bons match ups contra a maior parte dos combos.

JOGANDO LEGACY NO BRASIL – Com relação ao field nacional é possível traçar a taxa de conversão do início do torneio para o Top8. Infelizmente não será possível fazer essa análise mais ampla dos outros quatro torneios, por não termos tido acesso às decklists de todos os jogadores, como passaremos a fazer abaixo para os 162 brasileiros que jogaram torneios grandes nos últimos dois finais de semana.

No Brasil, o arquétipo mais presente, somando os quatro grandes torneios, foi justamente o combo. Com 63 decks iniciando os torneios, ele teve uma taxa de conversão ruim, passando a 10 cópias no Top8. Isso significa que você, se for jogar no Brasil, tem mais chances de enfrentar um combo do que qualquer outro arquétipo ao longo das rodadas iniciais, mas se chegar no Top8 é provável que se livre deles.

Os midrange/controle ficaram em segundo lugar, com 54 decks. Desses, 11 alcançaram o Top8. Os aggros, por sua vez, iniciaram os torneios brasileiros com 45 decks e levaram 11 ao seleto grupo dos oito melhores.

Desses números é possível dizer que, se você for jogar um torneio Legacy no Brasil nas próximas semanas:

1- Nas rodadas iniciais é muito provável que enfrente combos (se estiver jogando com azul, inclusive, recomendo o uso de 1 Flusterstorm no MD, que também funciona muito bem contra delver decks);

2- Por outro lado, a baixa conversão dos combos para o Top8 sugere que o field não está bom para esse arquétipo, o que significa que podemos assistir a uma retirada gradual no próximo período;

3- Esteja especialmente preparado para enfrentar Storm, Infect, Sneak and Show e Elfos;

4- Os decks aggro/tempo são os que você terá menos chances de enfrentar nas rodadas iniciais, porém eles estão se revelando os mais consistentes entre os arquétipos. 1 de cada 4 chegou ao Top8, contra 1 em cada 5 midrange/control;

4- Com relação aos aggro/tempo, é necessário estar bem preparado contra Delver decks, Eldrazi e Burn. Cartas como Blessed Aliance, que lhe dão respiro, são muito bem-vindas;

5- Com relação aos controles, é preciso entender que com a saída do Miracles houve uma diversificação desse arquétipo. Temos visto muitos Blades, Standstill e BUG ou 4c Leovold brigando por ocupar o seu lugar, com um ligeiro aumento de Death and Taxes, Jund e Maverick. Correm por fora tentativas de ressuscitar o defunto, com Portent, Predict e Unexpectedly Absent tentando fazer girar o motor dos milagres. Sobre esse deck em específico recomendo a leitura do artigo publicado pelo Thiago Duarte.

6- Além de paciência, contra os controles você em geral precisa vencer o primeiro jogo rápido, antes que ele possa te controlar. Para o side, recomendo dedicar slots a cartas com CMC mais elevado, pois em geral você terá tempo para usá-las. Além disso, uma opção genérica que me parece extremamente importante é a Pithing Needle, que lida com praticamente todas as ameaças e de quebra atrapalha Xamã, Vial, pws, equipamentos e as lands utilitárias dos Standstill.

CENÁRIO EXCLUINDO O FIELD BRASILEIRO – Se você jogar um torneio Legacy no exterior nas próximas semanas, talvez seja importante considerar apenas os quatro torneios grandes registrados no mtgtop8. São eles:

– 1k Vegas GPT (72 players)
– CFB 4k (98 players)
– Side event do GP Kobe (108 players)
– Side event do GP Manila (45 players)

Os decks midrange/controle foram os mais bem sucedidos em alcançar o Top8 nesses torneios, com impressionantes 50% do espaço (16 decks). Os combos vieram a seguir, com 11 cópias, e por último os aggro/tempo, com apenas 5 decks.

No Brasil, por outro lado, houve empate técnico entre os arquétipos no Top8, com 11 midrange/controles, 10 combos e 11 aggro/tempo.

Sem sabermos a taxa de conversão dos torneios no exterior torna-se impossível uma análise mais criteriosa. No entanto, é possível entender que as shells midrange/controle têm sido as mais consistentes, de modo que você precisa estar muito bem preparado para enfrentá-las em alto nível.

Nesse sentido vale a dica acima com relação às cartas para o sideboard. Atenção especial para os Blades, Lands e Death and Taxes.

Importante ressaltar que você deve estar muito bem preparado para enfrentar os combos, que ocuparam 35% dos Top8s. Elfos e Storm foram os mais presentes.

Entre os aggros os mais frequentes têm sido Grixis Delver e Eldrazi. Acredito que valha a pena dedicar 2 ou 3 slots para eles, de preferência, e se possível, cartas multiuso como Blessed Aliance.

CONCLUSÃO – O banimento do tampo deu uma chacoalhada no formato, e novas listas estão sendo testadas, outras aperfeiçoadas. Os jogadores estão sentindo o novo terreno, tateando as possibilidades em busca das builds que melhor se encaixam em seu perfil ou melhor se adequam em um determinado field.

Portanto, é preciso ter paciência. Ainda vai levar um tempo até que o formato se estabilize ou, pelo menos, apresente cenários mais concretos. Enquanto isso, vale a pena testar aquela carta que você sempre quis usar mas achou que não tinha espaço. Use a criatividade! Quem sabe ela pode se tornar a mais nova staple do formato.

Um abraço do
Fausto

About Fausto de Souza

Fausto de Souza é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles, que joga e coleciona desde 1994. Viciado nas cartinhas e em escrever, tem feito grandes amigos em toda a comunidade e é muito grato por isso.

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