terça-feira , 14 agosto 2018
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Joe Brennan e seu Mentor Control Vintage em ação.

A (mais recente) restrição do Gush no Vintage e seus desdobramentos

Las Vegas – Gush. Em português, Jorro. Quem acompanha os anúncios de restrições e banimentos das cartas de Magic: The Gathering em todos os formatos, já está acostumado a ver esta carta azul, de cinco manas, no comunicado periódico. No último dia 24 de abril, ela foi restrita no Vintage, o que acarretou em uma grande mudança nos decks do formato. Mas essa não foi a primeira vez que isso aconteceu. A história do Gush começa lá atrás, em junho de 2003. Naquela ocasião, foi anunciado que a carta estava restrita no Vintage e banida no Legacy. No Legacy, foi-se para todo o sempre. No Vintage, a dança estava apenas começando.

Menos de quatro anos depois, em março de 2007, Gush era liberado novamente no formato mais abrangente do jogo. Pouco mais de um ano depois, em junho de 2008, nova restrição. Dois pra lá, dois pra cá, em setembro de 2010 a Wizards, gostando da brincadeira, avisou que podia usar quatro Gushes novamente no Vintage. Em abril desse ano, no entanto, a farra chegou ao fim, novamente, não se sabe até quando. Para avaliar o impacto da restrição do Gush e do Gitaxian Probe, que entrou no baile de gaiato, Joe Brennan, bicho-papão do Vintage, conversou com Fausto de Souza durante o GP Las Vegas. Brennan jogou de Gush Mentor até o dia 24. Depois, mudou para uma versão mais control que também utiliza o Monastery Mentor.

“Sem dúvidas, era o deck mais forte do formato, mas ainda assim seu match-up contra decks de Mishra’s Workshop era 50%-50%, porque eles tiram vantagem quando o oponente usa o Gush”, revela Brennan, que usava, em sua versão, três Gush e duas Gitaxian Probe, das cartas que foram afetadas pelo anúncio de 24 de abril. “Gush, como carta, não é boa. E ela é horrível contra Workshop decks, porque a última coisa que você vai querer é voltar terrenos para a mão contra um land denial deck”, explica o jogador, que, com as restrições, mudou totalmente a lista de seu deck, mas ainda manteve o Mentor como centro da estratégia.

“Mesmo com a restrição do Gush, ainda acredito que esse é o arquétipo mais forte do Vintage, de longe. A restrição do Probe não afetou o deck, mas, para compensar a ausência do Gush, as pessoas começaram a jogar com cartas como Compulsive Research ou até quatro Preordain. Isso impactou demais no deck. Por causa disso, resolvi partir para uma versão mais control do deck”.

A tranquilidade no olhar de quem sabe que vai fazer top 8.

Para essa lista mais reativa, Brennan tirou todos os feitiços azuis, exceção feita, é claro, ao Treasure Cruise. “Como jogo com quatro Mana Drain e dois Snapcaster Mage, eu não vou querer minhas manas azuis viradas no turno do oponente”, revela. Outra alteração foi a redução do número de Mentores de três para dois.

“Os mentores estão no deck por apenas um motivo: são muito fortes contra os Workshop decks. Normalmente eles são descartados para o Dack Fayden, já que a lista tornou-se mais planeswalker control. Tenho dois Jace, the Mind Sculptor, dois Dack e uma Chandra, Torch of Defiance. Além deles, posso ganhar o jogo com uma Vendilion Clique e uma Consecrated Sphinx. A esfinge comba muito com os Mana Drain. Estou até rodando um Sol Ring agora. Antes, eu não precisava de dois manas incolores”, avalia, revelando que a maneira mais comum de vencer os jogos é com a Chandra. “É muito difícil lidar com essa carta. Ela não leva Abrupt Decay, não leva Pyroblast. Praticamente ela só é contida com Force of Will ou Mana Drain. E é muito difícil resolver isso contra um deck como o que estou jogando. Tenho Mental Misstep, Pyroblast no main… eu sempre fico em dúvida se uso dois ou três misstep, porque tenho muitas cartas que fazem o papel dele. Mas, em metas com muito azul, vou com três cópias. E, quando eu tiro um, coloco um Fact or Fiction no lugar”.

Mas essa não foi a única mudança no formato, a opção por decks mais control em detrimento à agressividade dos Gush Mentor. Se antes a batalha era entre Gush Mentor e Workshop, agora há alguns intrusos no formato. “O Big Blue, que é um deck reativo, com Mana Drain e os combos Dack Fayden / Notion Thief, Tinker / Blightsteel Colossus. E outro que está voltando é o Oath of Druids. Tenho jogado contra muitos Oaths”, comenta o norte-americano, que fez 13 top-8 nos 14 torneios que tinha jogado até o GP Vegas depois da restrição.

Para Brennan, isso prova que, além do arquétipo ser o mais forte, restringir Gush foi um erro. “Está certo que sou um jogador experiente, mas isso é uma vantagem avassaladora. A carta que devia ter sido restrita é o Monastery Mentor. Porque agora o Doomsday está completamente morto. Ele usava quatro Gush e quatro Gitaxian Probe. Também não dá mais pra jogar com Delver of Secrets, ficou muito fraco sem o Gush”, lamenta Brennan, apesar de afirmar que, no seu deck, o Mentor não é tudo aquilo.

“É, sem dúvida, uma das cartas mais fracas do deck. Mas ainda é possível conseguir muitas ‘free-wins’ com ele. Se não há como lidar com ele, e há um Misstep protegendo contra o Swords to Plowshares, é complicado. Ele sempre vai deixar um token. Sempre vai ser uma situação de dois pra um. A menos que você dê um Mana Drain, porque Force of Will também é dois pra um”.

E, depois que o Mentor está na mesa, Joe Brennan vê duas formas eficientes de removê-lo de onde está. Supreme Verdict, que não pode ser contida, e a sua favorita, Balance.

Oito das Power nine fazem parte do deck. Adivinhe qual ficou de fora…

Mentor no Legacy

Se é tão dominante no Vintage, por que o Mentor não tem tanta força no Legacy, mesmo podendo usar quatro Probes? “Porque custa três manas, o que é muita coisa no formato. O Young Pyromancer custa duas manas, o que o torna muito superior. No Vintage, por causa dos artefatos de mana, não há essa restrição, mas no Legacy isso é um problema. No Vintage você ainda tem Time Walk, agora tem o Paradoxical Outcome, que permite que se faça centenas de manas no turno um, que pode fazer você comprar seu deck inteiro no turno um”, justifica. “No Legacy, eu também tenho jogado com Mentor, em uma versão UW totalmente control. Eu uso muitos removals e counters para chegar aos três manas, mas não quero jogar o Mentor com apenas três manas, quero ter quatro ou cinco, para poder jogá-lo acompanhado de outros spells. A diferença é que no Legacy não há o Mental Misstep para protegê-lo”, lamenta.

Se não foi tão bem no evento principal, Brennan levou seu Mentor Legacy à vitória em um dos trials para o GP Vegas.

Sobre Paulo de Tarso

Jornalista de formação, vive a (e de) escrever. Joga (mal) Magic desde 1995, e encontra diversão para compensar a falta de talento para o jogo utilizando cartas e decks que não são muito usados por aí. De vez em quando flerta com algum relativo sucesso ao beliscar um top 8, mas não é muito afeito às mesas iniciais. Atualmente joga Legacy e alguns drafts.

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