quarta-feira , 17 janeiro 2018
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Stompy Eldrazi vence 2ª etapa da Lampions League

Os Eldrazi dominaram Recife na segunda etapa da Lampions League, o circuito nordestino de Legacy, que aconteceu no dia 9 de julho. Comandados por Leonardo de Assis, jogador local, os seres eternamente famintos que viajam através do multiverso destruindo planos tomaram conta da Geek Pit, loja que recebeu o evento com 21 jogadores. Como premiação, Leonardo ganhou créditos na loja, um Goblin Guide e a inscrição para o Open São Lourenço (MG). O segundo lugar ficou com Vitor Maia (Infect), e o pódio foi completado por Reizon Rodrigues, campeão da primeira etapa, que novamente representou bem com seu Death and Taxes. A próxima etapa, a última antes do Top 8, está marcada para o dia 20 de agosto, na Arena Geek, em Natal.

Campeão tem longa história com o jogo

Leonardo é jogador antigo, com DCI de seis dígitos, que deu uma parada no jogo durante um tempo, mas que, como grande parte do pessoal, acabou voltando à ativa. Ele relembra um pouco dessa aventura, que começou com a leitura da saudosa revista Dragão Brasil.

“Meu primeiro contato com o Magic foi em meados de 1995, na revista. Em toda a edição eles falavam do card game que fazia sucesso na ‘gringolândia’ e estava chegando ao Brasil. Mas meu interesse, à época, era o RPG. Eu morava em Fortaleza, apesar de ser de Recife, e, quando, certo dia, fui à biblioteca da escola no recreio, vi dois caboclos jogando Magic, o famoso jogo que a Dragão Brasil tanto elogiava. A partir daquele dia, todos os meus recreios foram na biblioteca”.

Ao juntar-se à turma da biblioteca, Leonardo levou seu primeiro deck, montado a partir de um deck e dois boosters de Quarta Edição em Português, borda preta. Até Shards of Alara, além de boosters packs, era possível comprar decks, que inicialmente continham 60 cartas, e depois passaram a vir com 75 cartas. E os boosters de Quarta Edição com borda preta no Brasil, para baratear o custo, vinham com 10 cartas, sendo 1 terreno, 7 comuns, uma incomum e a última carta do booster podia ser outra incomum ou uma rara.

“Com essas cartas, deu pra montar um monogreen – que eu então chamava de deck de Florestas – com Gaea’s Liege e Sylvan Library. E, sobre meu DCI de seis dígitos, não lembro exatamente quando foi criado, mas meu primeiro torneio sancionado, de acordo com o PW Points, foi jogado em 12/04/1997 (Tipo 1). Mas o primeiro campeonato eu joguei em Recife, onde passava as férias escolares. Encontrei a loja Desafio, e me aventurei. É claro que não ganhei nenhuma partida, mas saí de lá feliz porque aprendi a jogar Magic de verdade naquele dia. bons tempos em que os reis da mesa eram Hypnotic Specter, Serra Angel, Sengir Vampire, Mahamoti Djinn, Juggernaut…”

Em 1998, a mudança para Campina Grande fez com que Leonardo desse um tempo no Magic, por não encontrar ninguém para jogar. Mesmo assim, quando ia a Recife, sempre arrumava um tempinho para visitar as lojas e acompanhar o metagame. Pouco antes de vender toda a sua coleção, comprou alguns boosters de Urza Saga. Seu retorno ao jogo foi em 2008, e de uma forma curiosa.

“Eu ainda estava morando em Campina Grande, e um amigo me emprestou o Yu-Gi-Oh! para Nintendo DS. Fiquei impressionado de como o jogo era ruim, e pensei comigo que Magic era muito melhor… então, uma ideia veio à cabeça. Pelo Google, descobri a Liga Magic, depois achei um canal no YouTube, o The Magic Show, de Evan Erwin. Em poucos dias já tinha consumido todos os vídeos do canal. Pela Liga, encontrei quem jogava Magic em Campina Grande, e descobri que havia torneios regulares de Standard, com média de 10 caboclos jogando todos os sábados. Por isso, até hoje sou grato ao Yu-Gi-Oh! por voltar ao Magic.”

Esse retorno aconteceu em Morning Tide, e o Standard era formado pelos blocos de Lorwyn e Time Spiral. Leonardo voltou a jogar, mas ainda não era competitivo. Isso mudou com o lançamento de Shadowmoor.

“Naquele tempo, uma das cartas que mais me marcou foi o Colossus Chameleon. Não tinham criaturas assim quando comecei a jogar. Então, resolvi montar um deck com esse ‘serumaninho’, e escolhi o Snow Mana Ramp, do Marijn Lybaert, e ganhava praticamente todos os torneios com esse deck. Além de forte, era muito gostoso jogar com ele! Em 2010, quando me mudei para Recife, foi algo muito marcante. Aqui a galera joga em alto nível. Aprendi bastante. E, para conseguir se manter com decks fortes, nós aqui sempre formamos equipes, o que divide os gastos.”

O campeão da segunda etapa da Lampions joga ininterruptamente desde 2008, mas não na frequência que gostaria, e enumera fatores que todo jogador de Magic conhece muito bem. “Casamento, trabalho, outros hobbies…”. Além de Magic, esse recifense, graduado e Mestre em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Campina Grande que é analista de sistemas durante o dia e professor universitário à noite, ainda encontra tempo para jogar XboX, Playstation 4, alguns joguinhos nos Steam e não perde a chance de jogar um Boardgame. “São muitos hobbies ou não?”, brinca.

No Legacy da Lampions, não tem jogo fácil

Na Geek Pit, Leonardo foi de Eldrazi Stompy porque um de seus companheiros de time escolheu jogar com o outro deck Legacy completo que sua equipe tem. “Ele disse que se sentia melhor de Grixis Delver. Assim, fui de Eldrazi”, revela.

O campeão elogiou a variedade do Meta – Reanimate, Jeskai, Infect, Dragon Stompy, Death and Taxes… -, mas lamentou que apenas um jogador de fora de Recife apareceu para jogar.

Durante as cinco rodadas do evento, ele se recorda de um top deck que definiu sua vitória. “Meu oponente estava com oito ou nove pontos de vida, sem bloqueadores. Eu tinha que vencer naquele turno, e tinha apenas um Eldrazi Mimic na mesa. A minha única chance era comprar um Reality Smasher. E ele veio. Comemorei demais, porque noralmente sou bastante azarado com top decks”, relembra. Para conquistar o título, antes de dar ID na quinta rodada, Leonardo encarou UB Delver (2 x 1, de virada, depois de perder para um True-Name Nemesis no primeiro jogo), um Jeskai Stoneblade (mais uma vitória por 2 x 1, com a derrota sendo novamente devido a um True-Name Nemesis), um Infect (outro 2 x 1, com emoção, Thorn of Amethyst e Chalice of the Void para garantir o triunfo) e um Death and Taxes, único 2 x 0 do dia. “Ele não teve sorte nas mãos iniciais dos dois jogos e mulligou a cinco cartas no segundo jogo. E foi nesse jogo que eu venci no top deck do Smasher!”

Depois do evento, Leonardo fez um agradecimento especial aos organizadores. “Essa iniciativa não poderia ser melhor. Não podemos deixar o Legacy morrer, mesmo não sendo um formato atrativo para novos jogadores. Os organizadores desse tipo de evento merecem ir para o céu”.

Sobre Paulo de Tarso

Jornalista de formação, vive a (e de) escrever. Joga (mal) Magic desde 1995, e encontra diversão para compensar a falta de talento para o jogo utilizando cartas e decks que não são muito usados por aí. De vez em quando flerta com algum relativo sucesso ao beliscar um top 8, mas não é muito afeito às mesas iniciais. Atualmente joga Legacy e alguns drafts.

3 Comentários

  1. Ficou muito bom o artigo, Paulo.

    Gostaria de agradecer novamente a oportunidade de contar a minha história com o Magic.

    Valeu!

  2. Artigo excelente! Só senti falta da decklist do campeão no texto.

  3. Ótimo artigo, mas faltou a deck list.

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