terça-feira , 14 agosto 2018
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Todos os caminhos levam a Novo Hamburgo

Em Novo Hamburgo, capital gaúcha do Legacy, parece que o Sensei’s Divining Top nem foi banido. Nos dois últimos torneios, o qualificatório para o Nacional, no fim de junho, e a última etapa do Ranking Legacy RS, que aconteceu no último dia 9, só deu Miracles. Felipe Wanmacher, piloto do deck, comemorou dois títulos em menos de 15 dias.

Quem também tem motivos para estar feliz é Rafael Obrusnik, que atualmente organiza o circuito rio-grandense de Legacy, que tem sede fixa na Pharaoh’s Shop, em Novo Hamburgo, cidade a 43 quilômetros de Porto Alegre. “Com essa mudança, atingimos um novo patamar na quantidade de jogadores, com média de 38 por etapa. Até o ano passado, a média era de 31 pessoas por torneio”, conta Rafael, revelando alguns fatores para o crescimento do formato no estado. “Com um local organizado e destinado apenas para a disputa do torneio, agregamos jogadores que ainda não tinham tido o contato com a ‘família Legacy RS’. No início foi difícil, porque há uma resistência com o formato, tido como elitista, mas ao poucos fomos superando esses obstáculos e atraindo jogadores renomados de outros formatos”, explica o jogador, que foi campeão do Ranking Legacy RS em 2015 e do Super Legacy RS em 2014.

Atualmente, o Ranking Legacy RS é composto de 12 etapas. Ao final delas, quem tiver somado mais pontos durante o ano sagra-se campeão. Para fechar a temporada, há o Super Legacy RS, evento especial que tem excelente premiação e vantagens para os jogadores que foram mais atuantes durante a temporada. A história toda começou em 1º de dezembro de 2012, com um torneio-piloto que reuniu 23 jogadores num sábado à tarde.

Logo no ano seguinte, Arthur Stifelman, idealizador do torneio de dezembro com alguns amigos – todos desejavam usar suas cartas que estavam mofando nas pastas -, organizou o primeiro Ranking Legacy RS, que contou com dez etapas, mas um contratempo. “No meio de 2013, Arthur precisou abrir mão da organização. E, na ausência de um gestor, o número de jogadores, que normalmente ficava próximo aos 30, despencou para 19. Então, após conversar com ele, assumi a gestão do Legacy RS”, relembra Rafael, que destaca o espírito de fraternidade da comunidade de jogadores gaúchos.

“O crescimento do Legacy aqui tem sido constante, e fico muito feliz ao constatar que, só em 2016, 89 jogadores diferentes se divertiram com o Legacy RS. Por isso, sou otimista ao afirmar que nossa média de jogadores por etapa pode crescer muito, ainda. A cada obstáculo que surge, conseguimos contorná-lo e fortalecemos ainda mais a comunidade”. Apesar de ser em uma sede fixa, jogadores de diversas localidades se deslocam periodicamente a Novo Hamburgo, para testar suas habilidades. “Temos grandes grupos de Porto Alegre, Cachoeirinha, Novo Hamburgo, Caxias, Nova Petrópolis e jogadores que vêm da região metropolitana, Vale dos Sinos, Serra, Litoral e até mesmo da metade sul de Santa Catarina”. Então, onde estaria o espaço para crescimento? “Eu ainda sinto a ausência de fazer contato com jogadores da metade oeste do estado, mas é algo que estamos trabalhando”.

Se você for jogar no RS, prepare-se…

Rafael conta que o field no estado é bastante caótico, e que costumava mudar bastante entre um torneio e outro. “Mas recentemente passamos a encontrar decks que caíram no gosto popular e enchem o meta”, observa Rafael, explicando que essa é a razão de 5 Reanimator BR aparecerem na etapa de 9 de julho. “Foi assim, também, com UWRs, Miracles, Infect, RUGs e, mais recentemente, com o Reanimator BR e os Eldrazi. E, como há muitos colecionadores entre os jogadores, eles têm a possibilidade de sempre aparecerem com algo diferente a cada etapa”.

Enfim, o ambiente lembra bastante o de outros locais. Como ele mesmo fala, há ainda os jogadores que têm seus “pet decks”, que não são tier 1, mas que são muito bem pilotados por seus donos, que conhecem eles muito bem, e os cientistas malucos, que “bolam verdadeiras granadas goblin e deixam todo mundo pisando em ovos quando vão enfrentá-los”. Outra coisa em comum com o resto do mundo foi a agitação causada pelo banimento do Sensei’s Divining Top. “Na época tínhamos quatro jogadores usando o deck, na média, por etapa. Acredito que ainda exista um descontentamento com essa situação, ainda mais por dois jogadores que tinham acabado de investir no deck, mas o povo não ficou parado. A prova disso é o Felipe Wanmacher, que obteve ótimos resultados com o Portent “Topless” Miracles.

Como encontrar ou acompanhar a turma do RS

O Ranking Legacy RS possui uma página no Facebook que conta com mais de 500 membros. “Nossas decklists campeãs estão no TC Decks e temos alguns vídeos no YouTube, pelo Canal Guma NooB“, avisa Rafael, que ainda dá uma canja para o Eternal Magic. “Aí também há bastante informações sobre a gente”.

Otimista, ele vê um bom futuro para o formato. “Estamos nos encaminhando bem, acredito que as grandes ligas do país estão no caminho certo e cada vez mais próximas umas das outras. Isso, em breve, deve proporcionar um field maior e mais forte”.

Sobre Paulo de Tarso

Jornalista de formação, vive a (e de) escrever. Joga (mal) Magic desde 1995, e encontra diversão para compensar a falta de talento para o jogo utilizando cartas e decks que não são muito usados por aí. De vez em quando flerta com algum relativo sucesso ao beliscar um top 8, mas não é muito afeito às mesas iniciais. Atualmente joga Legacy e alguns drafts.

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