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O estado do Vintage

O Eternal Weekend acontecerá a partir de hoje (quinta-feira, 19/10), com eventos Vintage e Legacy entre os dias 19 e 22. É o campeonato mais importante de Vintage do ano, antigo World Championship, e acontece num momento de equilíbrio e novidade no formato. Ele será transmitido no Twitch em www.twitch.com/cardtitan. O artigo de hoje é o primeiro da coluna permanente sobre o formato aqui no Eternal Magic.

Magic se aproxima dos seus 25 anos e está mais popular do que nunca. O número de jogadores cresce, o número de torneios aumenta, o preço das cartas dispara. Isso é algo que todo jogador, recente ou antigo, já acostumou a falar sobre os dias de hoje do jogo – que ele está gigante. Uma das coisas que vejo pouca gente comentar, ou mesmo perceber, é que uma outra variável aumentou muito nesse tempo: o número de formatos.

Eu jogo Magic desde 94-95, então já fiz os meus bons 23 e poucos anos de jogo, entre idas e vindas. Uma das coisas que acompanhei ao longo desse tempo todo foi o aumento do número de formatos e maneiras de se jogar Magic. Na minha época inicial existia apenas o Tipo 1 (que hoje é o Vintage) e logo depois o Tipo 2 (hoje chamado de Standard). Quando voltei a jogar em 2001 já existia um novo formato, o 1.5 (Extended).

Desde então as opções não pararam de crescer: Commander (mesão e 1×1), Pauper, Modern, Legacy, Drafts variados, fora diversas variantes desses mesmos formatos (Standard Pauper, Tiny Leaders, Highlander, etc). São diversas variações em cima das regras do Magic, e é essa possibilidade ampla de adaptação que faz o jogo durar tanto e ser tão atrativo pra tanta gente. Muitas dessas restrições tornam mais atrativas algumas cartas pouco jogáveis, ou fazem os jogadores se adaptarem às poucas opções e buscar novas estratégias.

Existem alguns formatos que mudam as regras básicas do jogo (pontos de vida, quantidade de cartas no deck, etc), mas em geral a grande mudança de um formato para o outro está em quais cartas são válidas para jogar. Regras como apenas as comuns são válidas (Pauper); ou apenas cartas de uma certa edição pra frente (Modern) ou pra trás (Old School); ou a implementação da rotatividade dessas edições (Standard ou o antigo Extended). Mesmo em formatos Eternal, em que todas as edições são válidas, existem listas de cartas específicas que são proibidas de ser utilizadas (lista de banidas de Legacy e Commander, lista de pontos em Highlander, que limita a quantidade de certas cartas). Apenas no Vintage todas as cartas já impressas podem ser utilizadas, mesmo que apenas uma cópia por deck (com exceções óbvias como cartas de aposta, destreza e conspiracies).

Eu costumo brincar que Magic é Vintage, o resto é variante. É uma provocação, mas tem seu fundo de verdade. Nenhum outro formato é obrigado a lidar com a história de todo o Magic como o Vintage. O formato ter que se adaptar a todas as cartas lançadas em todas as épocas do jogo, seja em épocas mais calmas ou em épocas de caos como no bloco de Urza, traz efeitos peculiares. Os dois mais notáveis são bem importantes pra entender o formato.

Primeiro: a linha de corte pra uma carta ser jogável no formato é altíssima. Não havendo limitações na pool, não há necessidade alguma de se fazer concessões a cartas menos poderosas. Não há motivo algum para se jogar com Cancel ao invés de Counterspell ou, ainda melhor, Mana Drain. É bastante difícil que algum dia seja lançado um counter de custo UU que seja melhor que Mana Drain, então qualquer counter de custo 2 tem que enfrentar esse oponente praticamente imbatível na luta por um slot. Pode parecer que o formato fica estagnado por conta disso, mas não é bem assim – mais pra frente vamos ver como o próprio Mana Drain é pouco jogado no formato nos dias de hoje em detrimento de counters mais contemporâneos como Flusterstorm e Mental Misstep. O patamar é alto, mas novas cartas estão constantemente encontrando lugar no formato.

Segundo efeito: o Vintage é obrigado a lidar com todos os erros de design já cometidos pelo R&D da Wizards na história – e esses erros não são necessariamente antigos. Depois do lançamento de Treasure Cruise e Dig Through Time, por exemplo, todos os formatos foram afetados mas conseguiram lidar com o problema – muitas vezes através de banimentos. No Vintage, as cartas foram restritas mas continuam presentes em todos os decks com azul. Não é algo que o formato vai poder ignorar, seja agora ou nos próximos 25 anos.

É claro que o grande “erro” que o formato tem que lidar é o mais emblemático do mesmo: as Power 9. Black Lotus, Ancestral Recall, Time Walk, Timetwister e as 5 Mox originais (Mox Jet, Mox Sapphire, Mox Pearl, Mox Emerald, Mox Ruby). Apesar do poder dessas cartas, é possível dizer que nem todas as P9 definem o formato por completo tanto quanto 6 delas: as 5 Mox e a Lotus. Tudo o que o Vintage é e tudo o que ele sempre foi está calcado no poder dessas 6 cartas e em como eles são capazes de acelerar jogadas. Não se engane, existem diversos decks Vintage que não usam as 6, sendo bastante comum encontrar decks apenas com as Mox das cores usadas no deck, por exemplo; mas a mera presença delas faz o formato inteiro girar em torno da velocidade e da aceleração de tempo que elas trazem.

E é aqui que chego na razão principal desse artigo inicial. Existe um grande preconceito de que o Vintage é um formato de coin flip, onde quem começa ganha, principalmente em lugares onde o formato não é desenvolvido, como no Brasil. Não se engane: ganhar o coin flip é importante, assim como em todo formato, mas isso não define a partida. Mais pra frente a gente vai dar uma olhada no Top 8 dos 4 torneios Vintage mais recentes pra ver como não é bem assim. Antes isso, a gente precisa sacar algumas coisas sobre o equilíbrio do formato.

Apesar de rápido, o formato tem todas as armas para lidar com essa velocidade. Existe um equilíbrio entre a velocidade de todos os decks (muito em parte devido a mágicas baratas e às Moxen) e a capacidade que todos os decks têm de atrasar o oponente e impedir que ele faça suas jogadas absurdas de modo incauto. Sim, inúmeros decks Vintage são capazes de vencer no primeiro turno – ou definir o jogo como vencido, mesmo que não dando o golpe final. Mas o que é crucial compreender é que todos, absolutamente todos os decks do formato são construídos para impedir que isso aconteça. Seja com Misstep, Mindbreak Trap, Force of Will, Thalia, Guardian of Thraben, Sphere of Resistance, Chalice of the Void, etc, etc, etc, todo deck Vintage tem armas pra combater a velocidade do próprio formato – enquanto ele mesmo tenta fazer coisas pra ganhar rápido.

Essa característica de ser rápido enquanto tenta parar outros decks rápidos faz os decks Vintage serem capazes de migrar entre essas 2 estratégias durante as partidas. No Vintage não é tão simples saber quem é o beatdown pois ele varia dependendo da configuração de cada deck e das mãos iniciais. Um deck de Mishra’s Workshop, por exemplo, pode assumir uma estratégia agressiva com Foundry Inspector, Arcbound Ravager e Walking Ballista, ou jogar mais pra trás com Sphere of Resistance, Thorn of Amethyst, Cálice, Tangle Wire e até Null Rod, dependendo do matchup – tudo isso dentro da mesma lista. Isso ajuda o formato a ser mais skill intensive e a equilibrar mais a balanças de good matches x bad matches.

Em todo formato competitivo existem good matches (em que seu deck tem histórico vencedor no duelo) e bad matches (em que o deck do oponente é o favorito), mas na maioria dos formatos a minha sensação é de que isso define o jogo quase por completo. Jogando de Miracles contra Eldrazi no Legacy, a sensação era de que apenas um milagre poderia me fazer ganhar o jogo. Jogando Modern, por exemplo, sempre tive a impressão de que antes mesmo de sentar na mesa meu matchup estava bastante definido. O deck que eu enfrentava era um bad match? Um good match? Em diversas oportunidades isso definia o jogo.

Pra deixar claro: Magic não é sorte. Jogar bem, entender como seu deck deve se portar (role assignment), ter um plano de jogo e fazer as melhores jogada turno a turno podem fazer você superar estatísticas improváveis. Mas quando você senta na mesa contra um deck que tem 80% de match wins contra o seu, digamos que a balança pende pra um lado (também não estou falando de decks Tier 1 x Tier 5. Falo de jogos entre decks Tier 1 mesmo). Uma das características mais marcantes do Vintage é como essa balança se recusa a pender de maneira tão forte. Talvez pelo fato da variância ser bem maior (devido à lista de Restritas ao invés de Banidas); talvez por todo deck ser extremamente poderoso; as batalhas no Vintage tem percentuais de 50/50 ou 60/40 pra um dos lados na grande maioria dos casos.

O METAGAME ATUAL

Eu quero mostrar pra vocês o Top 8 de 4 torneios grandes recentes do formato, pós-ban (recentemente o formato teve Monastery Mentor e Thorn of Amethyst restritas e Yawgmoth’s Bargain desrestrita). São 3 Challenges (torneios semanais no MOL) e 1 torneio IRL, o Ovino. Não vou comentar os Top 8s específicos, mas fazer uma análise geral deles.

*Se estiver sem paciência ou tendo dificuldade de entender o escopo geral dos decks, não se preocupe. No final do artigo vou colocar e explicar rapidamente as listas mais importantes pro formato. Você pode lê-las e depois voltar pra cá se preferir.

Ovino XII – 01/10/2017

http://mtgtop8.com/event?e=17110&f=VI

1          Bomberman
2          4c Control
3          Dredge
4          Ravager Shops
5          White Eldrazi
6          Ravager Shops
7          Grixis Control
8          Landstill UR

Vintage Challenge 01/10/2017

https://magic.wizards.com/en/articles/archive/mtgo-standings/vintage-challenge-2017-10-01

1          Ravager Shops
2          Mirage Mirror Depths
3          Ravager Shops
4          Oath Griselbrand
5          BUG Leovold
6          Dredge
7          Ravager Shops
8          Grixis Thieves

Vintage Challenge 08/10/2017

https://magic.wizards.com/en/articles/archive/mtgo-standings/vintage-challenge-2017-10-08

1          Dredge
2          Ravager Shops
3          Landstill UW
4          URg Pyromancer
5          Bargain Storm
6          Ravager Shops
7          Delver
8          Landstill UW

Vintage Challenge 14/10/2017

https://magic.wizards.com/en/articles/archive/mtgo-standings/vintage-challenge-2017-10-15

1          Landstill UW
2          Blue Moon
3          Oath Salvagers
4          Oath Griselbrand
5          Dragon Stompy
6          Delver
7          BUG Leovold
8          Ravager Shops

Os números compilados desses 4 Top8s mostram bem o que é o Vintage hoje e ajudam a entender como o formato não é esse poço de turn 1 kills que as pessoas acreditam:

Shops 8 25,0%
Drain Control 5 15,6%
Landstill 4 12,5%
Delver 3 9,4%
Oath 3 9,4%
Dredge 3 9,4%
BUG 2 6,3%
Storm 1 3,1%
Other 3 9,4%

 

Algumas coisas são bem claras nesses números. A mais importante é que pouquíssimos decks dessa lista são decks montados para ganhar o mais rápido possível. Apenas Storm e Dredge (e talvez o Mirage Depths) podem ser considerados decks de combo, daqueles que exigem resposta imediata do oponente. Assim, os decks de “combo” aqui somam apenas 15% do formato. Mesmo assim, o único montado pra ganhar no Turno 1 sem oposição é o Storm, que tem apenas 1 Top 8 no formato. Oath pode até ser considerado um deck de combo, pois sua vitória é em forma de um combo, mas é um deck que está muito bem preparado para jogar matches mais lentos – notem os 2 Punishing Fire na lista do 4º colocado do Challenge do dia 14/10, uma característica de um deck que está disposto a jogar partidas longas.

É importante notar também que aumentou muito o número de controls que usam Mana Drain, um counter lento e pouco usado na “era Mentor”. Comparando a presença de hard-control (Mana Drain e Landstill) contra o control-tempo dos Delver, a presença de Drain é muito maior do que a do Delver, o que é uma mudança de paradigma em relação ao momento anterior, repleto de Mentores.

Outro dado importante são os 25% de presença de decks de Mishra’s Workshop. Esse número não deve ser tomados como algo ruim – Workshops têm entre 20 e 25% de presença no Vintage há muitos anos, e isso ajuda a segurar a velocidade do formato e manter decks de combo no seu lugar. Sem uma presença massiva de Workshops, o formato seria dominado por azul e por decks velozes de combo.

A volta de Delver aos primeiros tiers também é notável. Vamos pegar a lista do Challenge mais recente como exemplo. Reparem como a lista usa apenas 2 Mox, num total de 20 mana sources, e como é um deck que não tem sequer a possibilidade de ganhar de maneira rápida. É montado como um deck de control que pretende ganhar deixando o jogo se desenrolar, e porta armas para atrapalhar qualquer jogada rápida dos oponentes, desde 4 Misstep, Flusterstorm e Misdirection no maindeck até 3 Null Rod no sideboard.

Acho que esses Top 8s conseguem exemplificar bem essa tensão do Vintage (velocidade x contenção) e mostram diversos decks capazes de flutuar entre esses dois espectros. Essa é, portanto, uma característica crucial do Vintage, pra acabar de vez com o mito do coin flip: os decks são capazes de vencer extremamente rápido, mas todo deck é capaz de interromper uma vitória rápida. É isso que trás equilíbrio pra esse formato tão explosivo.

 

O QUE ESPERAR DA ETERNAL WEEKEND

Neste fim de semana durante o Eternal Weekend espere encontrar versões dos decks presentes nesses quatro Top 8s que mostrei aqui. Além deles existem mais alguns competidores caminhando por fora (Human Hatebears, Paradoxical Outcome combo, Merfolks, Rector Flash…) e algumas cartas novas prontas para serem testadas ou descobertas (Sorcerous Spyglass, Chart a Course…), mas muito do que está colocado pro Vintage nesse momento está apresentado nesses Top 8s.

O formato ainda está se adaptando ao meta pós-Mentor e muita coisa está em aberto. Antes da restrição, Shops tomava cerca de 40% dos Top 8s do formato e Mentor tomava outros 35%. Eram 75% do meta apenas para dois decks. Agora as coisas parecem se abrir e muitas estratégias estão se tornando viáveis. Vintage é um formato que se adapta mais lentamente a mudanças, devido ao enorme card-pool – que mesmo não sendo tão grande quanto parece no sentido de jogabilidade, como falamos no início do artigo, também não é tão pequeno assim. Essa lentidão fez o próprio Monastery Mentor demorar alguns meses a encontrar o deck ideal para florescer no formato. Sendo assim muita coisa ainda é possível para o formato nesse momento de mudança.

 

DECKLISTS MAIS IMPORTANTES

Não posso chamar esse artigo de uma introdução ao formato pois ele não faz uma análise extensa das estratégias, decks e noções básicas do mesmo, mas espero que esse rápido vislumbre de como o Vintage funciona sirva ao menos pra atrair os olhos dos leitores ao Eternal Weekend nesta semana, e a partir daí entender o formato aos poucos.

Para ajudar quem frequenta o Eternal Magic nesse caminho inicial no Vintage vou colocar aqui algumas listas-padrão cruciais para compreender como ele funciona, que podem ajudar também a entender melhor os Top 8s que coloquei acima e o que deve aparecer na Eternal Weekend.

 

Ravager Shops

Maindeck (60)
Arcbound Ravager
Chief of the Foundry
Foundry Inspector
Lodestone Golem
Phyrexian Metamorph
Phyrexian Revoker
Steel Overseer
Walking Ballista
Black Lotus
Chalice of the Void
Mana Crypt
Mox Emerald
Mox Jet
Mox Pearl
Mox Ruby
Mox Sapphire
Sol Ring
Sphere of Resistance
Thorn of Amethyst
Trinisphere
Ancient Tomb
Mishra’s Factory
Mishra’s Workshop
Strip Mine
Tolarian Academy
Wasteland
Sideboard (15)
Dismember
Grafdigger’s Cage
Porcelain Legionnaire
Powder Keg
Ratchet Bomb
Tormod’s Crypt
Wurmcoil Engine

Hoje em dia os decks de Workshop diminuíram muito suas cartas de “lock” em favor de um deck agressivo e rápido. Depois da restrição de Chalice of the Void, Lodestone Golem e Thorn of Amethyst, as melhores opções viraram Foundry Inspector, Steel Overseer e Chief of the Foundry. É importante notar que Walking Ballista e Arcbound Ravager têm uma importância gigante para o deck pois diminuem a efetividade do onipresente Dack Fayden. Importante também notar que existem inúmeras variações pequenas nas listas e que ainda não se sabe o impacto que Sorcerous Spyglass terá no deck.

 

Grixis Thieves

Maindeck (60)
Dack Fayden
Jace, the Mind Sculptor
Notion Thief
Snapcaster Mage
Demonic Tutor
Gitaxian Probe
Merchant Scroll
Night’s Whisper
Ponder
Preordain
Subterranean Tremors
Time Walk
Treasure Cruise
Abrade
Ancestral Recall
Brainstorm
Dig Through Time
Flusterstorm
Force of Will
Gush
Mana Drain
Mental Misstep
Pyroblast
Black Lotus
Mox Emerald
Mox Jet
Mox Pearl
Mox Ruby
Mox Sapphire
Island
Library of Alexandria
Polluted Delta
Scalding Tarn
Strip Mine
Underground Sea
Volcanic Island
Sideboard (15)
Abrade
Flusterstorm
Pyroblast
Subterranean Tremors
By Force
Grafdigger’s Cage
Mountain
Nihil Spellbomb
Null Rod
Ravenous Trap
Wasteland

Essa é uma das versões de decks hardcontrol do formato. Aproveita a importância de Dack Fayden para adicionar Notion Thief e casualmente lockar o oponente com o combo de ambas as cartas em jogo. Algumas listas possuem Tinker para Blighsteel Colossus ou para Time Vault / Voltaic Key. Night’s Whisper não é padrão, mas têm sido testado no deck como uma boa carta para draw que pode ser usada no primeiro turno com ajuda de uma Mox.

Jeskai Mentor

Maindeck (60)
Flooded Strand
Island
Library of Alexandria
Polluted Delta
Scalding Tarn
Tolarian Academy
Tundra
Volcanic Island
Blightsteel Colossus
Monastery Mentor
Snapcaster Mage
Ancestral Recall
Brainstorm
Dig Through Time
Flusterstorm
Force of Will
Gush
Mana Drain
Mental Misstep
Ponder
Preordain
Pyroblast
Swords to Plowshares
Time Walk
Tinker
Treasure Cruise
Wear / Tear
Black Lotus
Dack Fayden
Jace, the Mind Sculptor
Mana Crypt
Mox Emerald
Mox Jet
Mox Pearl
Mox Ruby
Mox Sapphire
Sol Ring
Time Vault
Voltaic Key
Sideboard (15)
By Force
Containment Priest
Flusterstorm
Ingot Chewer
Mountain
Pyroblast
Swords to Plowshares
Tormod’s Crypt
Wear / Tear

Apesar da restrição, Monastery Mentor está longe de sumir do formato. O segundo deck mais popular é uma versão modificada que dominou o Vintage por meses. Existem inúmeras variações, mas sempre nas cores Jeskai (Azul, Branco e Vermelho). Algumas versão usam Tinker (para Blightsteel Colossus), outras usam Time Vault + Voltaic Key, outras versões não usam nenhuma das duas opções. O ponto central do deck está no Mentor, alguns Snapcasters e a presença importante do que ficou conhecido como “Dack Delve Engine”: o draw engine do deck não é mais formado por 4-ofs mas sim uma junção de todas as draw spells restritas do formato, Dack Fayden (às vezes Jace, Vryn’s Prodigy também) e Preordain. Esse draw engine entra na questão que falamos acima, de que o Vintage é obrigado a lidar com todos as cartas lançadas na história: estamos chegando num ponto onde as restrições ficam menos efetivas, visto que jogar com 1 de cada carta broken restrita é o suficiente pra fazer um bom draw engine. No caso da lista acima temos Brainstorm, Ponder, Ancestral Recall, Dig Through Time, Treasure Cruise e Gush, unidos a 3 Preordain, 2 Dack Fayden e 2 Jace, the Mind Sculptor.

Essa é uma lista mais “big mana” do que outras versões do mesmo deck ou do que outros decks do formato, que seguem mais a linha “Turbo Xerox” de jogar com menos lands, spells de baixo custo (maioria custo 1 e 2) e mais cantrips para aumentar a virtual card advantage de ter mais spells que o oponente. Um exemplo dessa escola é o Delver.

Delver

Maindeck (60)
Dack Fayden
Delver of Secrets
Jace, Vryn’s Prodigy
Young Pyromancer
Gitaxian Probe
Merchant Scroll
Ponder
Preordain
Time Walk
Treasure Cruise
Abrade
Ancestral Recall
Brainstorm
Dig Through Time
Flusterstorm
Force of Will
Gush
Lightning Bolt
Mental Misstep
Misdirection
Pyroblast
Black Lotus
Mox Ruby
Mox Sapphire
Flooded Strand
Island
Mountain
Scalding Tarn
Strip Mine
Volcanic Island
Wasteland
Sideboard (15)
Lightning Bolt
By Force
Grafdigger’s Cage
Ingot Chewer
Null Rod
Smelt
Tormod’s Crypt

Esse é um deck que deve parecer familiar a jogadores de Legacy. No Vintage ele é menos focado em burn pois o formato tem menos remoção de criatura em geral e ter range não é tão importante quanto controlar a partida. Normalmente consegue jogar com 1 ou 2 lands na mesa apenas, descartando o excesso para Jace ou Dack Fayden. Reparem que a carta de maior custo do deck é o próprio Dack, com custo 3. O deck é feito para rodar com poucas lands, como falamos acima, usando uma estratégia de deck building que ficou conhecida como Turbo Xerox.

 

Oath

Maindeck (60)
Dack Fayden
Jace, the Mind Sculptor
Auriok Salvagers
Griselbrand
Inferno Titan
Demonic Tutor
Gitaxian Probe
Preordain
Slice and Dice
Time Walk
Yawgmoth’s Will
Ancestral Recall
Ancient Grudge
Brainstorm
Dig Through Time
Flusterstorm
Force of Will
Gush
Mental Misstep
Peek
Repeal
Black Lotus
Engineered Explosives
Mox Emerald
Mox Jet
Mox Pearl
Mox Ruby
Mox Sapphire
Pyrite Spellbomb
Sorcerous Spyglass
Oath of Druids
Sylvan Library
Flooded Strand
Forbidden Orchard
Island
Library of Alexandria
Misty Rainforest
Polluted Delta
Tropical Island
Tundra
Underground Sea
Volcanic Island
Sideboard (15)
Ancient Grudge
Gisela, Blade of Goldnight
Hurkyl’s Recall
Karakas
Magus of the Moat
Mindbreak Trap
Nihil Spellbomb
Pithing Needle
Stormbreath Dragon
Sudden Shock
Tormod’s Crypt

O deck gira em torno de Oath of Druids e do combo com Forbidden Orchard. Existem diversas configurações do deck. As mais famosas levam Griselbrand e Emrakul como únicas criaturas do deck e são mais voltadas para o combo pois têm dificuldade de vencer sem um Oath na mesa. Oath of Druids serve como um Show and Tell mais barato nesses casos.

Essa lista que posto aqui, conhecida como Salvagers Oath ou Bomberman Oath, utiliza também o combo de Auriok Salvagers com Black Lotus para gerar mana infinita (e matar de Pyrite Spellbomb). Ela é bastante utilizada pois é mais resistente a hate (presente principalmente na forma de Grafdigger’s Cage) dado que a maioria dos seus alvos pode ser castada da mão sem grandes dificuldades. Você ativa o Oath com Cage na mesa e sua criatura fica no topo do grimório, você a compra e pode castá-la da mão. É, portanto, uma lista mais control do que as listas usuais de Oath.

 

Dredge

Maindeck (60)
Bloodghast
Dragonlord Kolaghan
Elesh Norn, Grand Cenobite
Golgari Grave-Troll
Golgari Thug
Ichorid
Narcomoeba
Prized Amalgam
Stinkweed Imp
Cabal Therapy
Dread Return
Force of Will
Mental Misstep
Serum Powder
Bridge from Below
Bazaar of Baghdad
Dakmor Salvage
Mana Confluence
Undiscovered Paradise
Sideboard (15)
Gurmag Angler
Hollow One
Mindbreak Trap
Nature’s Claim

Esse deck é conhecido por mulligar até conseguir um Bazaar of Baghdad na mão inicial. Os 4 Serum Powder estão ali pra ajudar nisso. Uma vez com o Bazaar, o Dredge Vintage é capaz de vencer a primeira partida de cada match com extrema consistência, dada sua velocidade e a dificuldade de se interromper o seu plano de jogo. Os games 2 e 3 normalmente viram uma batalha de hate vs anti-hate. Decks costumam trazer de 4 a 8 cartas de hate contra Dredge e mesmo assim podem perder.

Atualmente o deck usa Hollow One e Gurmag Angler no sideboard para um plano transformacional, pois ambas as cartas escapam dos hates anti-cemitério usados no formato (lembrando que, com uma ativação do Bazaar of Baghdad, Hollow One custa 0 pra castar).

 

Landstill

Maindeck (60)
Jace, the Mind Sculptor
Snapcaster Mage
Balance
Supreme Verdict
Time Walk
Treasure Cruise
Ancestral Recall
Brainstorm
Dig Through Time
Flusterstorm
Force of Will
Hurkyl’s Recall
Mana Drain
Mental Misstep
Mindbreak Trap
Swords to Plowshares
Black Lotus
Crucible of Worlds
Mox Pearl
Mox Sapphire
Standstill
Faerie Conclave
Flooded Strand
Island
Library of Alexandria
Mishra’s Factory
Misty Rainforest
Scalding Tarn
Strip Mine
Tundra
Wasteland
Sideboard (15)
Swords to Plowshares
Containment Priest
Disenchant
Energy Flux
Grafdigger’s Cage
Plains
Rest in Peace
Stony Silence

É um deck lentíssimo de control que mata normalmente com manlands e usa Standstill pra ganhar a corrida de card advantage. A possibilidade de se jogar Standstill no turno 1 com ajuda de uma Mox faz o deck ser muito mais forte no Vintage do que em outros formatos. O deck também é consistente e resiliente a Workshops com suas 2 Ilhas básicas e normalmente 1 Planície básica no sideboard.

 

Eldrazi

Maindeck (60)
Plains
Karakas
Eldrazi Temple
Cavern of Souls
Ancient Tomb
Null Rod
Thorn of Amethyst
Sol Ring
Mox Sapphire
Mox Pearl
Mox Ruby
Mox Jet
Mox Emerald
Mana Crypt
Chalice of the Void
Black Lotus
Glowrider
Thought-Knot Seer
Thalia, Heretic Cathar
Thalia, Guardian of Thraben
Reality Smasher
Phyrexian Revoker
Palace Jailer
Eldrazi Displacer
Containment Priest
Sideboard (15)
Swords to Plowshares
Grafdigger’s Cage
Disenchant
Stony Silence
Rest in Peace
Path to Exile
Kataki, War’s Wage
Aegis of the Gods
Pithing Needle
Palace Jailer
Containment Priest

Era um deck bem mais forte antes da restrição de Thorn of Amethyst, mas ainda consegue se portar bem no formato. É focado em ter diversos hates presentes no maindeck para enfrentar várias estratégias do formato. Null Rod, Containment Priest, Thalia, Karakas e muitas vezes Stony Silence e Revoker tornam o deck cheio de possibilidades. Os Eldrazi vêm para finalizar a partida ou mesmo para dominar a mesa em relação a outros decks de criatura.

 

Paradoxical Outcome

Maindeck (60)
Blightsteel Colossus
Monastery Mentor
Balance
Demonic Tutor
Fragmentize
Gitaxian Probe
Merchant Scroll
Ponder
Preordain
Time Walk
Tinker
Treasure Cruise
Ancestral Recall
Brainstorm
Dig Through Time
Force of Will
Gush
Hurkyl’s Recall
Mystical Tutor
Paradoxical Outcome
Vampiric Tutor
Black Lotus
Mana Crypt
Mana Vault
Mox Emerald
Mox Jet
Mox Opal
Mox Pearl
Mox Ruby
Mox Sapphire
Sensei’s Divining Top
Sol Ring
Time Vault
Voltaic Key
Flooded Strand
Island
Library of Alexandria
Misty Rainforest
Polluted Delta
Scalding Tarn
Tolarian Academy
Tundra
Underground Sea
Sideboard (15)
Island
Hurkyl’s Recall
Flusterstorm
Grafdigger’s Cage
Kambal, Consul of Allocation
Karakas
Rest in Peace

Um dos decks mais rápidos do formato, usa Paradoxical Outcome para comprar cartas e voltar diversas Mox pra mão, gerando mana no processo. É bastante veloz e capaz de se matar de tanto comprar carta. Não consegue dominar o formato pela sua dependência de artefatos que geram mana (que justificam a forte presença de Null Rod e Stony Silence no formato) e o custo alto de sua carta principal (Outcome, que custa 4 manas).

Uma das dicas pra jogar com o deck é virar o seu Tampo e em resposta dar Outcome, assim comprando 1 carta a mais.

 

Storm

Maindeck (60)
Tendrils of Agony
Show and Tell
Mind’s Desire
Gitaxian Probe
Demonic Tutor
Blightsteel Colossus
Chrome Mox
Grim Monolith
Lotus Petal
Mana Crypt
Mana Vault
Memory Jar
Mox Emerald
Mox Jet
Mox Pearl
Mox Ruby
Mox Sapphire
Sol Ring
Necropotence
Yawgmoth’s Bargain
Library of Alexandria
Polluted Delta
Scalding Tarn
Swamp
Tolarian Academy
Underground Sea
Black Lotus
Vampiric Tutor
Mystical Tutor
Mental Misstep
Force of Will
Time Walk
Tinker
Yawgmoth’s Will
Ancestral Recall
Brainstorm
Dark Ritual
Sideboard (15)
Swamp
Ancient Tomb
Defense Grid
Hurkyl’s Recall
Island
Ravenous Trap
Tormod’s Crypt

Antes era focado em Dark Petition para Necropotence ou Yawgmoth’s Will, mas com a des-restrição de Yawgmoth’s Bargain, vem sendo modificado. Joga com Show and Tell para facilitar a Bargain e também com Defense Grid para atrapalhar counters. Pode ir com tudo no turno 1 ou ir segurando o jogo e esculpindo a mão perfeita. Notável é a ausência de “Draw 7s” como Wheel of Fortune e Timetwister nas versões atuais – essas cartas acabam sendo muito instáveis e piores do que outras coisas que o deck pode fazer (como Show and Tell para Bargain). O único Draw 7 que algumas listas ainda usam é Memory Jar (que pode ser buscado com Tinker), mas mesmo ele é pouco usado.

 

Sobre Fernando Secco

Fernando Secco é jogador de Magic desde 94, tendo parado e voltado diversas vezes. Foi jogador ávido de Magic Shandalar, o que o ajudou a ter amor pelas cartas antigas e por formatos como Vintage e Old School.

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