sábado , 16 dezembro 2017
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Mentes distorcidas

Nos idos de 1994, antes de existir internet no Brasil, nós já jogávamos Magic. E nessa época as únicas fontes de informação sobre o jogo de que dispúnhamos eram revistas mensais, como The Duelist ou Dragão Brasil. Ou seja, nada de netdecking, nada de blogs e muito menos mega-sites.

Nesse sentido, após jogar inúmeras partidas nós decidimos criar as famosas “regras da casa”, das quais eu me recordo de algumas. Entre elas, destaco: Channel, Sol Ring e Mind Twist eram restritas. Nós jogávamos uma espécie de mistura entre Vintage e Legacy, na medida em que ninguém tinha as Power Nine, porém tínhamos algumas cartas que hoje são banidas do Legacy, tais como as três acima citadas. E isso tinha uma razão de ser.

E essa razão é a seguinte: essas três cartas são absolutamente quebradas e, se alguma delas for liberada no Legacy, corremos o sério risco de ter o formato desbalanceado. Acho que não há qualquer dúvida a respeito das duas primeiras, mas em artigo recentemente publicado na ChannelFireball, Bob Huang aventou a possibilidade de desbanir Mind Twist.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que vivemos um período de baixa nos combos. Se compararmos as estatísticas do MtgTop8 nos últimos meses, veremos que os combos desceram de 35% para 28% do field mundial (considerando os dados de todos os torneios que tiveram os dados submetidos ao site). Como sabemos, não pode haver nada pior para combo do que disrupt, característica inequívoca do Mind Twist. Por que atacar os combos justo no momento em que estão em baixa?

A segunda razão advém de uma percepção empírica: todo jogador de Legacy sabe que na maior parte das vezes se alguém toma dois Hymn to Tourach no mesmo game ele vai perder. O que imaginar, então, de um deck com quatro de cada?

Se lembrarmos dos aceleradores de mana do formato, não seria difícil imaginar uma mudança substantiva: ao invés de termos clareza da vantagem do terceiro para o quarto turno, passaríamos a ter essa clareza (eventualmente convertida em certeza) já a partir do segundo turno – o que me parece péssimo.

O terceiro e último ponto a respeito do Mind Twist tem a ver com o uso da Ban List, que vejo como um importante instrumento de manutenção da saúde dos formatos. Por que usá-lo dessa forma se o Legacy está saudável (e se existe algum problema, este problema estaria, segundo dizem, na existência do Xamã, que compartilha uma de suas cores com a carta em questão e a deixaria ainda mais poderosa)?

Enfim, vamos aguardar a divulgação da próxima Banlist para ver a decisão da Wizards a respeito dessa carta. De duas uma: mentes distorcidas estão ou estarão entre nós no próximo período.

Sobre Fausto de Souza

Fausto de Souza, jogador e colecionador desde 1994, é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles. Formado pela Universidade Federal Fluminense, tem 15 anos de experiência profissional em jornais, revistas e assessoria de imprensa, incluindo Jornal do Brasil e revista Caros Amigos.

3 Comentários

  1. Seria muito legal uma coluna periódica dedicada a contar a história dos cards banidos no legacy e vintage, bem como os restritos neste último. Dados históricos sobre as razões do banimento, ou como as cartas desbalanceavam o formato quando eram válidas, os combos degenerados que existiriam caso alguns cards fossem válidos hoje, entre outras informações do tipo. A perspectiva histórica é uma maneira de abordar o assunto que permite os jogadores e interessados, que entraram no formato em tempos mais recentes, conhecer a realidade de outras épocas. Eu, por exemplo, jogo legacy apenas desde 2016, sempre quis saber o por quê do Druida Heremita ser banido. Claro que só de olhar pro card hoje dá pra imaginar os combos malucos que existiriam se o mesmo fosse válido, mas eu gostaria de conhecer o motivo exato, as razões alegadas pela Wizards na época do banimento.

  2. Mind Twist é perfeitamente seguro de desbanir no legacy, não ia sequer ver jogo.

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