sábado , 16 dezembro 2017
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#NL2017 – Entre sombras e homens-bomba

Dois decks chamaram a atenção neste Nacional Legacy 2017, que contou com 149 jogadores vindos das cinco macro-regiões do Brasil: Bomberman e UB Shadow. Suas adaptações e o fato de terem sido bem sucedidos no torneio – ambos fizeram Day2, terminando em 17º e 11º lugares respectivamente – demonstra que o Legacy tem sido um formato bastante generoso no que diz respeito a receber estratégias vindas do Modern e do Vintage.

Primeiro vamos dar uma olhada no Bomberman, cuja lista foi construída e pilotada pelo baiano Felipe Parada. O Bomberman, pra quem não sabe, é uma estratégia criada no Vintage, que gera mana infinita com Black Lotus e Auriok Salvagers. A partir daí é possível estourar infinitamente a Bomba de Pirita e vencer o jogo.

Para adaptar a estratégia ao Legacy, foi necessário substituir a Black Lotus pelo Lion’s Eye Diamond, que gera as três manas necessárias para startar o combo. Claro, existe o downgrade de descartar a mão inteira, mas ainda assim é possível combar. Além disso, após o lançamento de Walking Ballista muitos players preferem esta carta no lugar da Bomba de Pirita, pois ela pode ser conjurada através da Caverna das Almas.

O plano de jogo do deck consiste em controlar os turnos iniciais para, a partir daí, tentar executar o combo. Em sua build, Felipe optou pelas cores Esper, de modo a ter acesso às cantrips e anulas no azul, além do Trinket Mage, tutor natural para duas das três peças do combo e todos os outros artefatos de que a lista dispõe, como Walking Ballista, Pithing Needle e Explosivos Fabricados. De acordo com o autor da lista, o Trinket Mage é a carta mais importante do deck e “funciona como um verdadeiro canivete suíço”.

No preto ele tem acesso ao Thoughtseize, que lida com ameaças antes de serem executadas e, no branco, além do Salvagers, ele acessa uma das melhores remoções do Legacy: Swords to Plowshares, que pode lhe dar tempo de alcançar o combo, matando criaturas que impõem um clock muito rápido, ou mesmo remover um Phyrexian Revoker que esteja atrapalhando o seu plano de jogo.

As cartas que dão estabilidade à build são Jace, the Mind Sculptor, que dispensa apresentações, e Search for Azcanta, que nos turnos iniciais lhe garante um scry toda manutenção e, posteriormente, pode se tornar um vigoroso mecanismo de card advantage.

De início achei estranho a presença do Tasigur, imaginando que seria mais interessante a terceira cópia do Auriok Salvagers. Mas sua presença se justifica pela habilidade de colocar cartas no grave, que podem ser reaproveitadas, sobretudo a partir da geração de mana infinita.

Segue a lista:

Bomberman – Felipe Parada (17º lugar no Nacional Legacy 2017)

Criaturas
2 Auriok Salvagers
1 Tasigur, the Golden Fang
4 Trinket Mage
1 Walking Ballista

Mágicas instantâneas e feitiços
4 Brainstorm
4 Force of Will
4 Ponder
4 Swords to Plowshares
4 Thoughtseize

Outras magias
1 Explosivos Fabricados
2 Jace, the Mind Sculptor
1 Lion’s Eye Diamond
1 Nihil Spellbomb
1 Pithing Needle
3 Search for Azcanta
1 Aether Spellbomb

Terrenos
1 Academy Ruins
2 Cavern of Souls
4 Flooded Strand
2 Island
1 Karakas
1 Marsh Flats
1 Plains
4 Polluted Delta
1 Scrubland
1 Swamp
2 Tundra
2 Underground Sea

Sideboard
2 Containment Priest
1 Ethersworn Canonist
1 Meddling Mage
2 Monastery Mentor
1 Walking Ballista
2 Desencantar
1 Fatal Push
2 Flusterstorm
1 Meekstone
1 Surgical Extraction
1 Tormod’s Crypt

 

*

No caso do UB Shadow, a estratégia é idêntica à que estamos acostumados a ver no Modern – baixar a própria vida para colocar o Death’s Shadow em jogo o mais rápido possível. Diferentemente do formato irmão, no Legacy é possível usar Gitaxian Probe, Toxic Deluge e Force of Will, que associadas às shock e fetch lands operam com incrível sinergia para a chegada do monstro de apenas uma mana.

O paulista Rafael Rufino, que pilotou o deck, destacou a importância de usar 4 lands básicos em sua build, pois esperava um field repleto de Wasteland e Blood Moon. “O deck depende demais de lands na mesa, por isso optei em ir com apenas duas cores”, explica ele. Vale lembrar que as builds do Shadow no Legacy costumam splashar para verde, onde contam com Berserk em substituição ao Temur Battle Rage.

Numa primeira olhada é de se estranhar apenas 2 Force of Will na build, mas se analisarmos o deck por inteiro veremos que a grande presença de descartes pode complementar a ausência das outras duas Force of Will. Além disso, quem apostou num field com poucos combos se deu bem: no Day1 foram cerca de 27,5% dos decks e no Day2 o rendimento caiu ainda mais: apenas 4 dos 32 decks, ou seja, 12,5%, e nenhum no Top8.

O Death Shadow ainda engatinha no Legacy e parece razoável supor que continue assim por algum tempo, já que existem estratégias similares (a exemplo dos Delver decks) consolidadas no formato, fazendo com que os jogadores acabem optando por estas.

No entanto, sua força é inequívoca. Vale lembrar que no GP Vegas, em junho deste ano, o deck abriu 10-0. E, claro, neste Nacional avançou ao Day2. Como ele a lista usa apenas uma Underground Sea e abusa de shock lands, também isto pode significar uma forma de montar um deck com um investimento mais modesto – especialmente para aqueles jogadores que já possuem a base Modern do baralho.

Vamos à lista:

UB Shadow – Rafael Rufino (11º lugar no Nacional Legacy 2017)

Criaturas
4 Death’s Shadow
2 Gurmag Angler
1 Tasigur, the Golden Fang
1 Tombstalker
4 Street Wraith
3 Snapcaster Mage

Mágicas instantâneas e feitiços
3 Fatal Push
3 Stubborn Denial
4 Brainstorm
2 Ponder
2 Toxic Deluge
4 Gitaxian Probe
4 Thoughtseize
2 Inquisition of Kosilek
2 Force of Will

Outras magias
1 Liliana of the Veil

Terrenos
4 Polluted Delta
4 Bloodstained Mire
3 Scalding Tarn
2 Watery Grave
1 Underground sea
2 Island
2 Swamp

Sideboard
2 Cerimonious Rejection
2 Engineered Explosives
1 Counterspell
1 Flustestorm
1 Jace, the Mind Sculptor
1 Liliana of the Veil
1 Liliana, the Last Hope
1 Far/Away
2 Surgical Extraction
1 Nihil Spellbomb
1 Spell Snare
1 Toxic Deluge

Fica a dica, então, para os jogadores de Legacy: dois decks que embora sejam pouco usados podem surpreender seus oponentes em seu próximo torneio!

Um abraço do
Fausto

Sobre Fausto de Souza

Fausto de Souza, jogador e colecionador desde 1994, é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles. Formado pela Universidade Federal Fluminense, tem 15 anos de experiência profissional em jornais, revistas e assessoria de imprensa, incluindo Jornal do Brasil e revista Caros Amigos.

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