sábado , 16 dezembro 2017
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Legacy Goblins! A volta dos que não foram

Por Kim Diz, Top16 no Nacional Legacy 2017

O ano de 2017 tem sido bom para um dos mais antigos arquétipos do Magic: Goblins! Goblins jogou T2 na Investida, jogou Extended do começo ao fim do formato (vide Top8s de PTQs em 2008 até a rotação das cartas do deck), mesmo com o banimento do Goblin Lackey, Legacy e até Modern e Vintage em escala menor.

Goblins foi a força dominante do Legacy desde a criação do formato. O GP Philadelphia de 2005 foi o primeiro GP Legacy da história e foi vencido por Goblins. Outra cópia do deck ficou em 3º lugar.

Igualmente, o GP Columbus de 2009 viu Goblins, 4 anos depois, perder uma final por 2-1 para o deck que viria a ser banido “no dia seguinte”, o combo Hulk Flash.

O arquétipo foi decretado como morto em 2014 por Jim Davis, piloto de Goblins. As razões foram inúmeras: (i) os decks azuis ganharam clock rápido com Delver of Secrets, Stonforge Mystic; (ii) a impressão de Deathrite Shaman e sua inexplicável resistência 2; (iii) a impressão de True-Name Nemesis, pois com ela veio o hate contra a resistência 1 como Golgari Charm, Holy Light, à época Praga Fabricada e Night of Souls’ Betrayal; (iv) a impressão de Emrakul e Omniscience para os decks de Show and Tell, dentre outras razões.

Ainda era possível vencer com Goblins mas todo jogo era uma verdadeira batalha. Era difícil fazer a card advantage engine funcionar se você estivesse no draw e encarando Deathrite Shaman ou Stoneforge Mystic em campo e na curva.

Os pilotos de Goblins tentaram se adaptar. Kenny Dungar venceu o SCG Minneapolis de 2013 com Thalia, Guardian of Thraben MD, por exemplo, para tentar retardar os decks azuis e chamar remoção para algo que não era core do deck, além de ajudar contra combo.

Goblins perdeu a credibilidade. Goblins se tornou um arquétipo desacreditado no Legacy. Como fazer para recuperar o brilhantismo de uma tribo querida e de um deck que ilumina qualquer boardstate? Afinal, trata-se de deck vermelho com card advantage, triggers, mana denial e tutores.

Goblin Lackey e Warren Instigator são Cabal Ritual; Goblin Matron é um Demonic Tutor; Goblin Ringleader é Fact or Fiction; Gempalm Incinerator é uma remoção com draw (!!!); Stingscourger é Unsummon; Siege-Gang Commander faz de tudo; Goblin Warchief e Goblin Piledriver matam do nada; Goblin Sharpshooter e Skirk Prospector são um combo.

O deck sabia ser agressivo, mas na maior parte das vezes era mais control, valendo-se de mana denial de Wasteland e Rishadan Port e de card advantage para vencer no long game.

De qualquer forma, o deck não vinha colocando resultados, salvo a vitória de John-Peter Reiland no SCG Classic de Atlanta em janeiro de 2016, até…2017!

2017 viu o ressurgimento do arquétipo no Brasil e no exterior. Porém, o core do deck não é mais o mesmo, pois todas as listas valem-se da mesma base: Warren Instigator e Goblin Chieftain, sem Goblin Warchief e com 4 Tarfire.

O GP Las Vegas deste ano viu um Goblins 8-0 na câmera na última rodada do Day 1. Era Josiah Skellerup. Eis a lista dele:

Goblins – Josiah Skellerup (60)
10 Mountain
Cavern of Souls
Wasteland
Pendelhaven
Chrome Mox
Aether Vial
Tarfire
Goblin Lackey
Warren Instigator
Goblin Chieftain
Goblin Matron
Goblin Ringleader
Gempalm Incinerator
Goblin Piledriver
Stingscourger
Goblin Sharpshooter
Tuktuk Scrapper
Goblin Settler
Krenko, Mob Boss
Siege-Gang Commander
Kiki-Jiki, Mirror Breaker

SIDEBOARD (15)
Chalice Of The Void
Grafdigger’s Cage
Sphere Of Resistance
Blood Moon
Pyrokinesis
Tuktuk Scrapper

Na sequência, tivemos o Top8 de Guilherme Figueira no Open São Lourenço. Guilherme foi o primeiro jogador a lockar o Top8 após vencer Elfos na Rodada 5 e ficar 5-0.

Goblins – Guilherme Figueira (60)
Cavernas das Almas
Wasteland
Rishadan Port
Pendelhaven
Mountain
Aether Vial
Chrome Mox
Tarfire
Pyrokinesis
Goblin lackey
Warren Instigator
Goblin Matron
Goblin Ringleader
Gempalm Incinerator
Goblin Chieftain
Tuktuk Scrapper
Kiki-Jiki, Mirror Breaker
Krenko, Mob Boss
Stingscourger
Sparksmith
Siege-Gang Commander

SIDEBOARD (15)
Chalice of the Void
Sphere of Resistence
Tuktuk Scrapper
Goblin Sharpshooter
Blood Moon
Faerie Macabre
Pyrokinesis
Sudden Demise

Por fim, há a lista que pilotei no Nacional Legacy (o report se encontra neste link). O Guilherme Figueira me passou a lista dele e eu fiz alterações mínimas, mas todas comentadas com ele e com outros jogadores de Goblins do cenário legacy de São Paulo. Eu também conversei com o Jim Davis da SCG sobre o deck. Eu me preparei bastante para o Nacional e tentei montar a lista ideal.

SIDEBOARD (15)
Chalice of the Void
Thorn of Amethyst
Sphere of Resistence
Tuktuk Scrapper
Goblin Piledriver
Ashen Rider
Blood Moon
Faerie Macabre
Pyrokinesis

Eu não caí de paraquedas. Goblins é e sempre foi meu deck favorito e o deck que mais pilotei em minha vida. Recentemente, eu vinha jogando de MonoRed Control, deck que me rendeu a 9ª posição na última final de CLM. Infelizmente, como no Nacional, eu fiquei a um ponto do Top8.

O que as listas têm em comum? Bem, o core do deck mudou. Não há mais Goblin Warchief e Goblins Piledrivers (este no plural) no MD. A leitura de jogo mudou. Estava cada vez mais difícil controlar o early game com Rishadan Port, Wasteland e Mogg War Marshall para depois soterrar o adversário em card advantage. Goblins não quer mais ser o control deck em muitos matchups. Ele quer ser o beatdown deck em alguns matchups. O novo core coloca o oponente à prova: você é capaz de responder Goblin Lackey, Warren Instigator e Aether Vial?

Se algum deles ficar na mesa e fizer o seu trabalho, dificilmente Goblins vai perder.

O novo core:

4 Warren Instigator

4 Goblin Lackey

4 Aether Vial

4 Goblin Chieftain

4 Goblin Matron

4 Goblin Ringleader

São estas as cartas que fazem o deck funcionar. Goblin Lackey, Warren Instigator e Aether Vial fazem o deck disparar na frente dos adversários gerando “mana” nos early turns e deixando você livre para realizar mana denial. Goblin Chieftain põe pressão no oponente e deixa seus Goblins maiores. Goblin Ringleader enche sua mão e ignora Leovold, Emissary of Trest. Goblin Matron é cópia viva de qualquer Goblin. Isso nos leva à toolbox do deck.

Goblins é capaz de ter uma toolbox para responder ao que o oponente estiver construindo ou para que o deck aja de determinada forma.

A toolbox varia de lista para lista, mas, basicamente, estas são as opções:

1 Tuktuk Scrapper

1 Kiki-Jiki, Mirror Breaker

1 Krenko, Mob Boss

1 Stingscourger

0/1 Sparksmith

1 Siege-Gang Commander

0/1 Goblin Settler

0/1 Goblin Piledriver

Há, nesta lista, remoção na forma de Stingscourger e Sparksmith, shatter effects nas mãos de Tuktuk Scrapper, mana denial com Goblin Settler e kill condition na forma de Krenko, Mobb Boss, Siege-Gang Commander e Goblin Piledriver. E fazendo quase tudo há, ainda, Kiki-Jiki, Mirror Breaker.

Em geral, Kiki-Jiki é utilizado para fazer card advantage copiando Matronas ou Ringleaders que tenham entrando em campo no primeiro trigger de um Warren Instigator, por exemplo. Mas ele pode ser pressão na forma e Goblin Chieftain ou até outro shatter effect se copiar Tuktuk.

Mas não se engane, não é possível usar todos. O deck tem espaço para 6 deles, em geral. Caso queira utilizar os 8, como fez Josiah no GP Las Vegas, a base de mana mudará, bem como Pyrokinesis deixará de estar no maindeck.

As remoções são do tipo Goblin também, com exceção da Pyrokinesis:

4 Tarfire

2 Gempalm Incinerator

1 Pyrokinesis

O ideal é utilizar de 7 a 8 remoções para forçar a passagem do Goblin Lackey ou do Warren Instigator. Neste caso, Stingscourger é a 8ª remoção. Sparksmith é mais board control.

Tarfires e Gempalm Incinerator podem ser tutorados pela Matrona ou adentrar a sua mão via Goblin Ringleader. A sinergia do deck é muito forte e não se limita a gerar lords como o Merfolk ou a gerar mana como Elfos (lembrando que as principais kill conditions dos Elfos nem elfos são). Os Goblins fazem de tudo!

Por fim, há a base de mana. Em geral, são 21 terrenos e 2 Chrome Mox ou 20 terrenos e 3 Chrome Mox. Chrome Mox é card disavantage e num mundo com Abrupt Decay e Kolaghan’s Command, deve-se ter cuidado ao utilizá-las.

Os terrenos, porém, são muito importantes. Eles fazem mais do que simplesmente gerar mana. Se a base de mana fosse 20 montanhas, o deck não seria bom.

3/4 Cavernas das Almas;

4 Wasteland

3/4 Rishadan Port

1/2 Pendelhaven

8 (Snow-Covered) Mountain

0/1 Ancient Tomb

Antes de tudo, é necessário dar valor ao Pendelhaven. É simplesmente uma máquina contra Deathrite Shaman colocando o oponente em maus lençóis: o DRS virou chump blocker? Fora que ajuda contra Praga Fabricada e, mais importante, contra alguns sweepers. Piroclasma se torna menos efetivo e Toxic Deluge há de ser pago para 3. Aliás, esta situação ocorreu no Nacional Legacy. Meu oponente, de UB Death’s Shadow, no G2 pagou 3 de vida no Deluge por causa de Pendelhaven. Não preciso dizer que ele morreu na volta.

O deck precisa muito de mana vermelha gerada por montanhas. Por isso o número de cavernas pode ser reduzido a 3. Mãos com Gempalm Incinerator e Cavernas das Almas podem ser armadilhas.

Rishadan Port e Wasteland dispensam apresentações. À medida que o board evolui com Aether Vial, Goblin Lackey ou Warren Instigator, você impede seu oponente de voltar para o jogo.

Eu escolhi utilizar 1 Ancient Tomb no Nacional e ela foi sensacional. Ela fez mais que Blood Moon no turno 2 ou Cálice do Vácuo no Turno 1. Castou Ringleader na 3, Matrona na 2 e me deixou dar duas ativações de Siege-Gang no mesmo turno contra Death and Taxes.

Não sei se o uso da Ancient Tomb é necessário. Mas eu vou testar a carta por mais tempo.

SIDEBOARD

O sideboard é muito amplo e mutável, especialmente conforme for o metagame esperado. De qualquer forma, o pior match para Goblin é combo. Por isso o sideboard costuma se dedicar mais a vencer este tipo de deck.

Cálices do Vácuo, Esferas de Resistência, Espinhos de Ametista, Ashen Riders, Confusion in the Ranks, Mindbreak Trap, Faerie Macabre, Surgical Extraction são todas opções sólidas.

Porém, é possível, ainda, guardar slots para fair decks. Pyrokinesis, Goblin Sharpshooter e Tuktuk Scrapper são boas escolhas. No meu caso, eu uso um Goblin Piledriver no side porque ele é ótimo em racear combo e em vencer Praga Fabricada.

Não há como negar que o estilo de jogo do deck mudou com a alteração de lista e sobre as razões da alteração da lista, podemos falar com maior profundidade em outra oportunidade. O que não se pode negar, porém, é que Goblins é um arquétipo vivo e que teve um ótimo 2017.

Eu não tenho dúvidas de que, se Goblins fosse um arquétipo mais popular, que venceria torneios com muita frequência.

 

Sobre Redação

Um comentário

  1. Excelente, parabéns pela campanha e pelo artigo, li seu report na liga também. Esse é o petdeck de muita gente, melhor tribo com os melhores flavor texts.

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