sábado , 16 dezembro 2017
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O Caminho do UR Delver no #NL2017


Por Mauro Edi, semifinalista do Nacional Legacy 2017 e finalista do Nacional Legacy 2016

Ainda não consigo acreditar em como tudo deu tão certo pra mim e pro UR nesse Nacional. É claro que a gente treina pra isso, mas temos que estar sempre preparados também pros dias em que as coisas não funcionam. E é um prazer enorme poder contar aqui no Eternal Magic um pouco de como foi o evento pra mim, apesar da minha falta de memória e pouca habilidade pra escrever.

A escolha do deck


Confira aqui a lista utilizada por Mauro Edi.

A maioria dos amigos insistia que eu fosse de grixis novamente. Diziam: “É a opção mais segura e bem estabelecida do field”. Mas já joguei tantas partidas com o deck que não me divirto tanto quanto antes. E como já bem disse nosso atual campeão, Magic tem que ser diversão.

Optei por experimentar o UR a sério alguns meses atrás, no Super Alpha, e consegui um grande resultado, 4º lugar (6-1) num torneio de 96 jogadores, que me rendeu, além de uma dual land, uma vaga pra jogar em São Lourenço.

Desde então, tive a oportunidade de praticar com alguns dos melhores jogadores do Rio de Janeiro, tanto nas Alphas quanto em etapas de CLM. E pude perceber que o deck tem algumas matchs mais favoráveis (ou menos desfavoráveis) que o Grixis Delver. Exemplos: Contra Elfos o jogo costuma ser melhor, pois o UR tem mais removals. Com isso, dá pra administrar a partida controlando as principais ameaças do oponente, ao passo que a agressão segue firme com Delver, Lança Veloz do Monastério e etc.

Contra Lands a história é a mesma: O UR não ataca a mão nem base de mana, como o Grixis, mas consegue colocar tanta pressão que às vezes pode conseguir finalizar o jogo sem deixar o oponente sequer respirar. E por ter mais voadores, o deck acaba podendo segurar Marit-lage por um turno ou outro enquanto ganha tempo pra comprar os burns necessários.

Contra Death and Taxes a match continua ruim, mas se o UR tiver um começo veloz, é possível finalizar o game com burns, mesmo sem ter o controle da mesa.

Além disso, devido à velocidade do deck, é possível vencer alguns Controls e Midranges rapidamente, num verdadeiro atropelo, se eles vierem muito lentos (Miracles, 4c Leovold e até Stoneblades).

O deck inclusive tem um bom jogo contra o próprio Grixis Delver e geralmente não faz feio contra combos. Consegue ainda encarar melhor o Big Red por ter lands básicas, ao contrário do Grixis, que sofre mais pra esse tipo de deck.

Contra Tritões, que o Grixis também enfrenta grandes dificuldades, o UR consegue apostar corrida de igual pra igual… Enfim, pensando em todas essas matchs e suspeitando que eu teria que jogar partidas principalmente contra Grixis, 4C Leovold e Lands, fiz a opção pelo UR, acreditando que PoP pudesse fazer a diferença. Mas vamos às partidas:

1ª e 2ª rodadas: Pela primeira vez na vida, entrei num torneio com Bye. Graças ao top 8 do último nacional + um paralelo que venci em São Lourenço, pude ter o benefício de entrar no torneio só na terceira rodada.

3ª: Frederico Matias Lemos – BUG Leovold


É ruim começar um torneio desse tamanho já enfrentando um amigo. Mas teve que ser assim. No G1 keepei uma mão com 2 criaturas (bom começo). Ele ganhou no dado e começou com capturar pensamento pra tirar meu delver. E no turno 2 dele, já eliminou minha Lança Veloz do Monastério com um fatal push. Ninguém disse que seria fácil. Eventualmente encontrei mais criaturas com as cantrips mas os removals já as aguardavam na mão dele. Pra completar, cada fetch que ele sacrificava, buscava um terreno básico (o deck tinha mais que o normal), o que inutilizou meus POPs. Perdi feio.

O G2 foi se desenrolando de forma parecida com o primeiro, mas no lugar de algumas criaturas e cantrips, vim com mais burns dessa vez, de modo que o jogo terminou de forma dramática, como relatei uns dias atrás:

G3 comecei muito bem. Tirei os xamãs da frente e tive mais criaturas do que o Fred teve removals. Meu maior desafio era o tempo. Fomos a 5 turnos e consegui vencê-lo flipando o Delver num PoP (que deu apenas 2 de dano) e ataquei por cima pra tirar o restante no 5º e último turno. Ufa! Que começo tenso..

4ª: Felipe Wannmacher – Miracles

Eu já sabia que estava enfrentando um grande adversário quando vi aquela camisa branca escrito BYE 3. Mas vim tão bem no G1 que consegui vencer rapidamente. As lanças e delvers foram pra cima e não deram chance!
 No G2 ele mulligou a 6 e estacionou com 1 ilha e 2 planícies. Novamente vim com mais criaturas que o normal e pude vencer muito rapidamente, após encaixar boas Fows, Flusterstorm e Pyroblasts, que salvaram minha mesa.

5ª: Leandro Lessa – Tin Fins

Vim com uma ótima mão no G1, aquela mão agressora que o jogador de UR sempre deseja. Exceto quando está jogando contra combo =/ Quando eu menos esperava, ele reanimou um Griselbrand, que foi fatal.
 No G2 entrou bastante do meu side, apesar de quase nada ter vindo na mão, mas pensei: “É um UB reanimator, e não um BR. Não preciso me preocupar tanto com o turno 1 dele”. Eu tinha ponder, pyroblast, Lança e delver. Decidi mandar o Delver pra iniciar cedo o clock e posteriormente o ponder cavaria mais fundo, pra achar resposta. Vi que fiz um turno 1 infeliz quando ele começou com Underground Sea e brainstorm. Achou uma pétala, que possibilitou um Dark Ritual, que fez entomb e exumar. Caramba!! Sem chances pra mim.

6ª: Ralph Fujarra – Grixis Delver


Contrariar todos que acreditam em mim vindo com um deck diferente poderia resultar em vários “Eu te avisei” no fim do dia. Ainda mais se eu perdesse cedo pra um Grixis Delver, meu deck preferido, que eu poderia estar pilotando mas não quis.

G1: Ralph veio bem demais nesse game, e após trocarmos recursos, na mesa dele ficaram 2 delvers flipados, enquanto eu tinha 2 Lanças. Parecia ruim. Mas só parecia mesmo. Depois de uma guerra de counter onde soltei até uma daze só pelo trigger, consegui virar o clock batendo 5 com cada menina, fazendo com que os delvers ficassem na defensiva no turno seguinte. O que não adiantou pois eu tinha mais burns e consegui finalizar numa virada sensacional.

G2: Nesse game viemos com mãos mais equilibradas, e com um PoP na mão eu sabia que tinha uma grande oportunidade de causar um dano violento a qualquer momento. Guardei pra hora H e quando fiz, fui anulado e perdi o game.

G3: Esse comecei bem e fui o agressor do início ao fim. Vitória tranquila. 5×1

7ª: Daniel Caixeta – 4C Stoneblade

Mesa 6, e anunciam que nosso jogo seria transmitido. E eu que já fico nervoso normalmente, ao vivo fico mais ainda. Não vou falar desse jogo, pois ele está disponível aqui, mas foi contra um grande adversário, que marcou presença no top8 ao fim do evento.

8ª: Vitor – Death and Taxes

G1: Quem me conhece sabe que essa match é a que mais me dá pesadelos. Mas meu oponente, companheiro de Alpha, keepou uma mão lenta e com pouco recurso. Pude agredir quase que livremente com Delver, tendo apenas que tirar madre do caminho pra não me complicar.

G2: Vim com uma mão não tão rápida quanto a primeira, mas muito eficiente. Muitos burns e 2 smash to smithereens (comprei o terceiro eventualmente e usei todos os 3). Tinha ainda um Folião do Caos pra quando o fôlego do deck acabasse, mas isso não aconteceu.

Assim fechei o day 1, num surpreendente 7-1, que me colocou numa posição bastante favorável pra dar sequência ao torneio no dia seguinte. Fazer day2 num Nacional Legacy já é pra comemorar, visto que muitos grandes jogadores ficaram de fora desse top32.

9ª: Frank William – 4c Leovold
G1: Mais um companheiro de Alpha. Perdi a primeira com o UR sendo engolido pelo adversário. Enfrentei muita dificuldade com as corujinhas (baleful strix); parecia que uma comprava a outra.. cadê meu forked bolt nessas horas? 
G2: Sofri com alguns removals no começo, mas foi uma partida bem tranquila pelo fato do meu oponente ter zicado. Só baleful strix que seguiu me atrapalhando mas pude finalizar bem.

G3: Dessa vez ele não teve descartes e tamanho foi meu rancor de baleful strix que coloquei um smash to smithereens pra dentro. Vai que.. e funcionou muito bem. Fiz uma partida tranquila, sempre com fow e flusterstorm de backup até que venci num PoP fatal, que caiu após uma disputa de counter. Tinha Folião do Caos na mão ainda, mas não foi necessário.

10ª: Tomás Campos – Grixis Delver

Novamente uma partida minha seria transmitida. Então, pra quem não viu, acho mais válido conferir aqui do que ficar lendo 🙂 
Foi a partida onde o deck rodou melhor, apesar de eu estar sempre atrás na corrida.

11ª: Carlos Tiberio – Grixis Delver

G1: Era vencer esse Grixis pra estar garantido no top8 com duas rodadas de antecedência. Mas nem tudo é como a gente quer. O Tiberio veio com resposta pra tudo que eu fazia. O raio cantou de ambos os lados mas perdi a primeira.

G2: Novamente ele veio com mais removals e ao fim da troca de recursos, 2 TNNs violentos me agrediram até minha vida chegar a zero.

12ª Kim Diz – Goblins

Joguei pouquíssimas vezes essa match, então não sabia ao certo se era favorável ou não. Mas imaginei que seria, e devo ter acertado.

G1: Abri de Delver com backup de daze. Deixei cair um lacaio goblin pois tinha bolt. Voltei com outro Delver e antes de dar o bolt, ofereci a troca (ai esses Delvers que não flipam…) e ele aceitou. Percebi que ele não tinha nenhuma super mão. Terceiro turno achei outro delver e administrei a corrida até encerrar o jogo tranquilamente.

G2: Após uma troca de removals e uma Pirocinesia que tá doendo até agora, não sobrou nada na mesa, só terrenos. Faltou sorte nos Ringleaders dele e após um jogo truncado, ficou um Goblin Chieftain solitário na mesa, me agredindo.
 Como o Kim apanhou pra si próprio no começo, com ancient tomb e perdeu alguma vida pra minhas criaturas, não gastei removal no goblin, pois naquele momento ele tinha 12 de vida, e eu tinha 10 de dano na mão (2 bolts e 1 fireblast). Eu precisava achar um pop, bolt, chain lightning, criatura com ímpeto.. alguma coisa. Mas só tinha uma fonte vermelha na mesa (tinha ainda uma fetch que eu preferi não sacrificar), então decidi já revelar meu plano pra adiantar a execução, soltando 2 bolts ao fim de 2 turnos dele. Eu tinha tempo ainda, e se tudo desse errado, o fireblast iria no goblin pra salvar minha pele. Mas na volta comprei brainstorm, que me deu a Lança. Joguei a menina pro ataque e mandei o fireblast da vitória, retirando os 6 pontos de vida restantes. 10-2 e eu estava garantido no top8 depois de um torneio dificílimo.

13ª Henrique Belumat – Eldrazi

Ao passo que o torneio ia afunilando, eu agradecia aos Deuses do Magic por não estar encontrando Eldrazi, pois sei que essa match pode ser bem complicada. Acabei encontrando-o apenas na última rodada, onde apenas demos ID pra garantir boas posições no top 8.
Missão cumprida. E bem cumprida. Agora o que vier é lucro, pensei. Mas é claro que eu, assim como os 7 outros, queríamos mesmo era o troféu. Então a disputa seguiu no mesmo nível intenso de antes, só que com bem menos nervosismo.

Quartas de final – Felipe Duarte – Lands

A felicidade de chegar no top 8 com o amigo Felipe Duarte deu lugar à decepção quando percebemos que nos enfrentaríamos logo de cara. Não tinha jeito, teríamos que jogar. E tivemos a honra de ter o Juiz Mor do evento acompanhando nossa partida, que teve um clima bem leve.

G1: Comecei com probe só pra saber se a mão dele estava muito explosiva, e estava demais. Manabound, Crop rotation, gamble e 4 terrenos. Tá bom pra começo? Eu não tinha counter pra evitar aquele manabound e joguei ponderar na esperança de achar fow. Embaralhei. Não veio.
Ele fez o manabound mas não jogou tudo pra mesa, pois ele precisava do crop rotation e gamble da mão pra buscar a segunda parte do combo. e sem counter, que chance eu teria? Coloquei um delver na esperança que ele flipasse na volta e futuramente me garantisse mais um turno contra a Marit-lage. Como não tinha mais nada a fazer, soltei logo um chain lightning. Em seguida ele faz o crop rotation, busca a 2ª peça do combo e deixa ali, parado na esquina. Pronto pra fazer no final do meu turno. O Delver flipa na Fow (counter agora??) e faço os cálculos. Preciso dar o PoP enquanto ele tem esses 7 terrenos na mesa. só assim venço esse game. Dei o segundo chain lightning e ataquei com o Delver. Ele colocou a ativação do palco dramático na pilha e respondi com o PoP mais fatal do Nacional Legacy. 14 de dano.

G2: Começo novamente sem counter, mas com uma mão mais agressiva ainda. Ele abre de Dxploration. De novo um começo forte. Só que o PoP estava na minha mão de novo. E as Lanças partiram pra agressão desde cedo, com probe e bolts na cara até que o jogo se encaminha pro mesmo final do primeiro game: Ele com vários terrenos e eu com o pop na mão. Eu tinha Fow de backup pra um possível crop rotation respondão. 2×0 e eu estava na semi do Nacional Legacy!

Semi-final – Henrique Belumat – Eldrazi

Agora não tinha mais pra onde correr. Eu teria que encarar esses aliens de qualquer jeito, se quisesse fazer mais uma final. Acho melhor você ver como foi o jogo aqui do que ficar lendo. 
Spoiler: O Belumat mereceu chegar à final pois jogou muito bem. Quanto a mim, preciso treinar mais essa match (e outras também). Vou seguir praticando com o UR pois considero que o deck está bem posicionado no field atual e ao contrário do que dizem, não é deck de quem não tem Underground Sea pra montar grixis. É um deck extremamente forte pra quem gosta de jogar pra frente 🙂

Considerações finais


Quero sinceramente parabenizar o X e toda a galera que o ajudou na organização do evento. Assim como Fausto e Guma que trabalharam muito bem na narração dos jogos e a galera do Eternal Magic que fez uma divulgação de primeira. Agradeço a cada jogador que jogou comigo nas últimas Alphas. Cada jogo é sempre um aprendizado e graças ao nível alto dos cariocas, estamos podendo chegar em condições de disputar torneios grandes como o Nacional Legacy e outros mais.
Agradeço também aos amigos Mauad e Duarte que treinaram comigo na semana que antecedeu o evento. O Mauad e o Alheiro inclusive me emprestaram cada um uma carta de última hora que eu precisava pra ir com o deck como eu queria. À minha esposa Rafaela que torceu muito de casa, acompanhando cada postagem do Eternal e me mandando mensagens. A toda a galera que torceu mandando aquela energia positiva que sempre nos ajuda a ir mais longe. E por fim, agradeço a meus companheiros de viagem, Elton e Fausto que se ferraram comigo num hotel de condições precárias, haha. Esses caras me passaram a confiança e tranquilidade que eu precisava pra alcançar o objetivo. Muito grato a todos e até os próximos!!

Sobre Redação

5 Comentários

  1. Baita report e parabéns pelo ótimo resultado!!

  2. Excelente report! Parabéns pelo resultado e pela opção que considerou sua vontade de pilotar o deck!

  3. Ficou muito show o texto amor! Fico feliz em saber que você é um ótimo jogador. Parabéns por ter chegado na semi final e parabéns também para os outros finalistas. Sempre estarei torcendo por você!!!!

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