terça-feira , 24 abril 2018
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Jace vai quebrar o Modern?

“Segue o baile” foi uma das frases mais ouvidas nos dias que precederam o anúncio desta segunda-feira (12), em que a Wizards devolve Bloodbraid Elf e introduz Jace, the Mind Sculptor ao Modern.

No entanto, em artigo publicado sexta-feira (9), registramos a elevada probabilidade de desbanimento do elfo e ressaltamos a “coincidência” do spoiler de Jace durante o Pro Tour. Como hoje sabemos, não era mera coincidência.

O anúncio desta segunda-feira não apenas confirma as previsões do Eternal Magic como abre toda uma miríade de possibilidades para o Modern, que certamente vive um de seus melhores momentos, senão o melhor desde que foi criado.

Ainda mais diverso – De acordo com informações da própria Wizards of the Coast, os decks mais jogados atualmente no Modern são Humanos, Affinity, Burn e Tron – nenhum dos quais se beneficiará com os desbanimentos. Ou seja, se isto é verdade, Bloodbraid e Jace irão beneficiar estratégias que ainda possuem margem para crescimento, como o Jund (1% do Field) e os controles, como UWx e Grixis.

Segundo o MtgTop8, há uma concentração expressiva de decks aggro no Modern (50% em face a 27% de controles e 22% de combos). Apenas a nível de comparação, no Legacy temos as seguintes proporções: Aggro 40%, Control 29% e Combo 31%.

Esses números foram comprovados durante os últimos grandes torneios do formato, o Pro Tour Bilbao e o GP Toronto, que apresentaram incrível diversidade entre os decks, porém, com a mencionada predominância dos aggros sobre os demais. Nesse sentido, vejo com bons olhos o reforço oferecido aos midranges e controles. A meu ver será extremamente interessante assistir aos jogos em que essas cartas estejam presentes, já que elas são capazes de proporcionar viradas sensacionais, como já estamos acostumados a vivenciar no Legacy.

Outro argumento que se seguiu ao anúncio nos parece bastante razoável: o Modern amadureceu. Como tinha de ser. Com adições importantes de cartas das novas edições e sinergias encontradas numa Pool que não é nem de longe parecida com aquela disponível em 2013 – quando Bloodbraid foi banido – podemos dizer que o Modern hoje é um formato consolidado. Como tal, estaria preparado para oferecer aos jogadores as respostas necessárias a estas duas cartas extremamente poderosas.

O Jace no Legacy – No Legacy, o Jace é slot garantido nas estratégias de controle e UWx midrange, notadamente Jeskai. No caso do Miracles, o deck utiliza remoções globais, como Terminus, e pontuais, como Swords to Plowshares, para eliminar os recursos do oponentes até conseguir resolver um Jace e finalizar o jogo. Já os midranges operam com Stoneforge Mystic e True-Name Nemesis, tendo na figura do Jace uma peça para estabilizar o board ou mesmo uma kill condition alternativa.

Seu uso no Modern parece mais claro nessas mesmas estratégias, podendo substituir o slot da Nahiri ou complementar o Geist nas versões Jeskai tempo. Com relação aos UW control, de fato não há razão aparente para deixar a carta de fora. Mas… Vale a pena lembrar que, ao contrário do Legacy, o Modern não oferece um suporte na cor azul tão forte, como Force of Will, Ponder e Brainstorm.

Jace vai quebrar o formato?

A grande pergunta que circula pelas redes sociais é: Jace vai quebrar o Modern? Eu acredito que não. Mas honestamente falando, ninguém tem como saber. E ninguém pode saber por alguns motivos, sendo o primeiro deles o simples fato de que a carta nunca jogou Modern. Já nasceu banida. Só agora a comunidade vai começar a testá-la. Para que uma carta quebre um formato é preciso muito mais do que ela ser forte por si mesma. É preciso que ela encontre uma shell perfeita, capaz de obter vantagem contra a esmagadora maioria do field – exatamente como vimos no Inverno Eldrazi – e obtenha uma centralidade capaz de fazer com que todos os demais arquétipos passem a orbitar em torno de si. O tempo, mais uma vez, será o senhor da razão.

De todos os que se manifestaram publicamente a respeito dos prováveis impactos do anúncio desta segunda-feira, em meio a discursos entusiasmados e choros infindáveis, Eric Froehlich foi o fiel da balança.

“Desbanimentos são muito legais, mas não tenho ideia do que farão com o formato”, afirmou em sua conta no Twitter.

Spike – Imediatamente após o anúncio, ambas as cartas subiram de preço. Bloodbraid foi de 5 a 30 reais, em média, enquanto Jace pulou de 200 para 400 reais (valores ainda em fase de ajuste). Até aí nada de novo, sempre que uma carta poderosa é desbanida seu preço sobe, porque a demanda aumenta.

No caso em voga, muitos estão dizendo que o desbanimento do elfo é OK e que o do Jace foi forçação de barra apenas para tunar as vendas de Masters 25. E pior: que logo após as caixas serem abertas o melhor Planinalta do jogo voltaria para a lista de banidos.

A julgar pelo incremento imediato em seu preço, logo após o anúncio, essa lógica parece fazer sentido. A questão que proponho é a seguinte: a empresa colocaria em risco a saúde de seu formato mais popular, num momento em que ele está voando baixo, apenas para vender boosters de uma edição? Ou estamos lidando com uma empresa respeitável, com visão de longo prazo, que tem um bom time de testes e toma suas decisões baseadas naquilo que é melhor para a comunidade como um todo?

 

 

Sobre Fausto de Souza

Fausto de Souza, jogador e colecionador desde 1994. Viciado nas cartinhas e em escrever, tem feito grandes amigos em toda a comunidade e é muito grato por isso.

Um comentário

  1. Não creio que o unban seja para vender boosters… afinal, iria vender do mesmo jeito… TMS joga legacy, vintage e edh e por isso só já venderia muito… Iconic que nem jace tinha vendeu muito bem…. só não vendeu mais porque houveram poucas caixas no mercado! Vejo mais o unban sendo utilizado como um teste ao formato do que um mero caça níquel!

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