segunda-feira , 19 fevereiro 2018
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Um Pro Tour de tirar o fôlego!

Jogadores de alto nível, field diversificado, jogadas alucinantes e viradas sensacionais foram alguns dos elementos que fizeram deste Pro Tour um dos melhores já realizados na história do Magic.

Humanos, Affinity, Burn, Tron, Shadow, Jeskai Control, Storm e UW Control foram os decks mais utilizados pelos cerca de 400 jogadores que estiveram em Bilbao no último fim de semana.

No segundo escalão, tivemos Dredge, Titan Shift, Devoted Company, Mardu Pyromancer, Abzan e BG Midrange. Ou seja, os decks aggro foram os preferidos, seguidos dos midrange/controles e, por último, os combos.

Que tipo de mensagem um field como esse poderia transmitir ao corpo diretor da Wizards, que durante esta semana definirá se alguma carta entrará na lista de banidas/desbanidas a ser divulgada na próxima segunda-feira, dia 12?

Todos os sinais apontam para um formato saudável, sem nenhuma necessidade de banimentos. Porém (sempre tem um porém), ocorreu de termos no Top8 um Lantern Control, deck escolhido por menos de dez jogadores para este Pro Tour. Mais que isso, este Lantern, pilotado pelo argentino Luis Salvatto, foi o grande campeão do torneio.

Para quem não conhece, o deck é um hard control com Ensnaring Bridge e peças como Lantern of Insight, Codex Shredder e Pyxis of Pandemonium que, juntas, têm o poder de controlar absolutamente o topo do grimório do oponente. Além disso, o deck se vale de descartes para eliminar as ameaças que possam interferir em seu plano de jogo. E se por acaso uma dessas peças vai para o cemitério, o jogador de Lantern pode usar Academy Ruins para reutilizá-la ou buscar uma outra com Whir of Invention.

Ou seja, num field com presença massiva de aggro decks, um controle como esse parece uma excelente escolha. E foi o que aconteceu. Mas… Qual o problema? Foram apenas oito decks em quatrocentos. Além disso, ele é super caro de montar e o piloto precisa ter conhecimento quase absoluto do formato para extrair o melhor do deck.

Pois é, mas não é só isso. (E aqui vai logo um parentesis: sou contra o banimento de qualquer carta nesse anúncio do dia 12). Ocorre que o Lantern, por ser um deck Prision, é absolutamente chato. Ninguém gosta de jogar contra ele, ninguém gosta de assistir às suas partidas (tanto é verdade que mesmo a final do torneio experimentou uma queda no número de viewers) e, aparentemente, caso o deck se torne muito popular, pode ser que, futuramente, e apenas futuramente, vejamos um banimento em nome da manutenção de um formato saudável, como ele é hoje.

Já vimos isso acontecer com o Legacy, mais precisamente em abril do ano passado. Nele, tínhamos um deck, o Miracles, que operava de maneira semelhante: lockar o oponente com Counterbalance e Sensei’s Divining Top. O deck permaneceu durante muito tempo intocado. As partidas eram chatas de jogar e horríveis de se assistir. Ele conquistando espaço aos poucos, de forma sorrateira, sem que ninguém percebesse. Até que a visibilidade crescente do Legacy e a posição do Miracles no formato forçaram o banimento.

Repito: não creio que o Lantern ocupe, hoje, o espaço que o Miracles ocupava no Legacy quando do banimento do Tampo. No entanto, caso ele comece a enveredar por esse caminho, não me espantaria se a Wizards agisse rápido e interrompesse a caminhada.

Enquanto isso não acontece, vamos dar uma olhada nos decks que tiveram melhor rendimento no Pro Tour Bilbao. Eldrazi Tron, Jeskai Control e Traverse Shadow foram os que melhor converteram do primeiro para o segundo dia. E os que tiveram a pior taxa de conversão foram Dredge, Titan Shift e Mardu Pyromancer – dois combos e um midrange. Mais uma vez temos aqui uma sinalização importante. Num field repleto de aggros e combos, quem se deu bem foram os midrange/controles.

LEGACY – Durante o fim de semana do Pro Tour, tivermos a realização do CLM10, e no Legacy houve crescimento de 47 para 58 players. O grande campeão foi o carioca Joaquim Damasceno, pilotando Jund e mostrando pela enésima vez que dá pra jogar – e ganhar – Legacy sem azul.

Um grande abraço do
Fausto

Sobre Fausto de Souza

Fausto de Souza, jogador e colecionador desde 1994, é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles. Formado pela Universidade Federal Fluminense, tem 15 anos de experiência profissional em jornais, revistas e assessoria de imprensa, incluindo Jornal do Brasil e revista Caros Amigos.

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