quarta-feira , dezembro 12 2018
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Counterbalance – Ilustração: Joseph Meehan

Miracles: um ano após o ban

Stefano Garcia da Silveira

Dia 20 de março estarei embarcando para realizar um de meus grandes desejos do mundo Magic: disputar pela primeira vez um GP Legacy!

Os primeiros dez dias de viagem devem transcorrer de maneira tranquila, longe das cartas, aproveitando Seattle e Vancouver com minha companheira. Em seguida, ela retorna ao Brasil e passo mais três dias turistando. Tudo muda a partir do dia 3 de abril, quando o foco se volta ao Magic: eu e outros cinco brasileiros vamos nos reunir para participar do Grand Prix Seattle, que ocorrerá nos dias 5 a 8 de abril, nos formatos Legacy e Standard!
Além do GP, participaremos de um campeonato “esquenta” no dia 4 de abril, que ocorrerá na loja Mox Boarding House e que contará com 5 mil dólares de premiação, incluindo um set de [mtg_card]Underground Sea[/mtg_card] para o primeiro colocado.
Mesmo quem me conhece só um pouco já deve imaginar a arma que escolhi para enfrentar esses grandes eventos: Grixis Del… TÁ LOUCO?!! Brincadeirinha! Claro que irei de MIRACLES!

Counterbalance – Ilustração: Joseph Meehan

Antes de falar especificamente sobre o baralho, vou contar-lhes “brevemente” meu histórico com o Miracles. Aviso isso para que o leitor desinteressado possa logo pular a ladainha 🙂
Comecei a jogar de Miracles no início de 2015 e foi amor à primeira counterada. Aos poucos, descobri-me como jogador de controle e jamais pude voltar atrás. A aura e a comunidade em torno do deck, além do aprendizado a cada partida, foram cruciais para consolidar minha decisão em “casar” com o deck. Criamos um grupo de Whatsapp que chegou a ter mais de 25 membros (hoje estamos em 21). Acompanhava e contribuía diariamente as postagens no fórum do MTG:TheSource sobre o deck. Substituí o Jornal Nacional pelos streams do Joe Lossett. Vibrei com cada top 8 que o deck fazia nos campeonatos afora, com repetidas figurinhas fazendo resultado: Angelo Cadei, Claudio Bonanni, Philipp Schönegger, Johannes Gutbrod, Yuuta Takahashi. Fui o Campeão Nacional de Legacy de 2016, em evento que ocorreu em janeiro do ano passado. E, em abril, o [mtg_card]Sensei’s Divining Top[/mtg_card] foi exilado para sempre (com split second!).
Logo após o banimento, não pensei em continuar com o deck, mas quis permanecer jogando de controle. Treinei e desenvolvi uma versão do deck Landstill, a qual denominei “Still Miracles”: ao invés de Contrabalançar, o deck buscava card advantage pela utilização da carta [mtg_card]Standstill[/mtg_card] (Pausa). Joguei mais de 500 partidas com o deck e fui com ele enfrentar os Power Legacy do GP São Paulo. O grande problema do baralho era ser incapaz de vencer o Grixis Delver que, em agosto passado, já havia despontado como deck a ser batido no formato – fato que eu queria ignorar. Não deu outra: de 6 partidas contra Grixis Delver, venci apenas uma.

Por que a pressa, jovem?

O fiasco no GP São Paulo coincidiu com minha mudança a Joinville, cidade com cena Legacy bem reduzida – sem quaisquer jogos semanais e com treinos de vez em nunca. Resolvi, com a influência de meu amigo Thiago Duarte, ingressar no Magic Online, onde meu apelido é SteFaNoGs (criatividade sempre em alta!). Comecei com uma versão UW do Miracles (sem counterbalance), pelo custo reduzido do baralho. Com os resultados, pude montar todas as demais variações do baralho e a Pausa.
O meu grande reencontro com o deck se deu ainda em agosto do ano passado: o Sensei Kobayashi Tatsuumi vence um torneio da Hareruya, com 209 pessoas, com um [mtg_card]Counterbalance [/mtg_card] (Contrabalançar) de side. Muitos jogadores, então, passaram a incluir a carta de side e, quando fui testá-la, coloquei-a direto no main. No dia 28 daquele mês, eu e um jogador holandês (Noloam_) fizemos 5-0 no Magic Online, cada um com suas versões, mas ambos com três Contrabalançar no deck principal. A minha contou, por outro lado, com uma pitada especial:

É um tampo se formando ali no meio da imagem?
[deck]UWR Sooth Miracles – Stefano Garcia
Encantamentos
2 Soothsaying
3 Counterbalance

Criaturas
3 Snapcaster Mage
3 Monastery Mentor

Planeswalkers
2 Jace, the Mind Sculptor

Mágicas
4 Brainstorm
4 Ponder
2 Portent
4 Swords to Plowshares
2 Counterspell
2 Predict
1 Council’s Judgment
4 Force of Will
4 Terminus

Terrenos
1 Arid Mesa
4 Flooded Strand
4 Island
2 Plains
4 Polluted Delta
2 Tundra
3 Volcanic Island

Sideboard
2 Flusterstorm
1 Pyroblast
2 Red Elemental Blast
1 Surgical Extraction
2 Containment Priest
1 Ethersworn Canonist
1 Snapcaster Mage
2 Blood Moon
1 Vendilion Clique
2 Wear // Tear[/deck]

A entrada do [mtg_card]Soothsaying[/mtg_card] (Augúrio) permitiu que o deck voltasse a controlar o topo do grimório, escolhendo assim a carta a ser revelada no Contrabalançar. Como o custo para reorganizar as cartas no Augúrio é relativamente elevado (se comparado ao falecido Tampo, que permitia a interação logo no primeiro turno), em pouquíssimas partidas eu o queria na mão inicial. Por tal motivo, escolhi jogar com apenas dois.

“Hello darkness, my old friend”.

Um grande problema das versões pós banimento era nadar, nadar e morrer na praia: muitas vezes só estabilizávamos o jogo com pouca vida e morríamos depois de alguns turnos para um simples [mtg_card]Lightning Bolt[/mtg_card]. Com o Contrabalançar, poderíamos impedir isso, deixando sempre um custo específico no topo do baralho: [mtg_card]Delver of Secrets[/mtg_card] (Raio, [mtg_card]Ponder[/mtg_card], [mtg_card]Brainstorm[/mtg_card], [mtg_card]Dethrite Shaman[/mtg_card])? Custo 1. [mtg_card]Life from the Loam[/mtg_card] ou [mtg_card]Punishing Fire[/mtg_card]? Custo 2.
Logo voltei a vencer incontáveis jogos com 1 ou 2 de vida e senti a confiança necessária no baralho: éramos, outra vez, uma das melhores opções do Legacy! Em uma semana, fiz oito 5-0 no Magic Online (um grinder faz, em média, dois por semana), o que me rendeu um artigo no MtgGoldFish.com – This Week in Legacy: Miraculous Changes.
Nos dias 24 a 26 de novembro coloquei o baralho à sua grande prova: o Nacional Legacy 2017. Como campeão do ano anterior, eu não queria fazer feio… Mas, quando admiti que jogaria de Miracles, a descrença foi grande. “Viúva do Tampo”, e por aí vai.
Depois de longas 13 rodadas, consegui repetir o feito e passei no Top 8 em quinto lugar, com o desempenho de 10-3! No Top 8, ainda passei por Fractius e Grixis Delver, antes de ser parado na grande final, expirando contra os Eldrazi do querido Campeão Henrique Belumat. Finalista do Nacional de 2017! Que reviravolta para um difícil ano dos milagres!

Top 8 do Nacional Legacy 2017.

Essas foram as 75 cartas que inscrevi no Nacional:

[deck]UWR Sooth Miracles – Stefano Garcia

Encantamentos
2 Soothsaying
3 Counterbalance

Criaturas
3 Snapcaster Mage
3 Monastery Mentor

Planeswalkers
2 Jace, the Mind Sculptor

Mágicas
4 Brainstorm
4 Ponder
2 Portent
4 Swords to Plowshares
2 Counterspell
2 Predict
1 Council’s Judgment
4 Force of Will
4 Terminus

Terrenos
1 Arid Mesa
4 Flooded Strand
4 Island
2 Plains
4 Polluted Delta
2 Tundra
3 Volcanic Island

Sideboard
3 Flusterstorm
1 Pyroblast
2 Red Elemental Blast
2 Surgical Extraction
2 Containment Priest
2 Blood Moon
1 Engineered Explosives
2 Wear // Tear[/deck]

De minha lista de agosto, apenas três alterações, todas no side: tirei o quarto [mtg_card]Snapcaster Mage[/mtg_card], a [mtg_card]Ethersworn Canonist[/mtg_card] e a [mtg_card]Vendilion Clique[/mtg_card], que estavam na versão inicial porque eu ainda não tinha certeza do potencial do Contrabalançar, e adicionei a terceira [mtg_card]Flusterstorm[/mtg_card], a segunda [mtg_card]Surgical Extraction[/mtg_card] e um [mtg_card]Engineered Explosives[/mtg_card], este, para melhor enfrentar os oponentes com [mtg_card]Chalice of the Void[/mtg_card]. Queria muito ter jogado com 4 Contrabalançar, mas, na época, não encontrei espaço.
Com esse ótimo resultado, pude continuar a desenvolver e a afinar a lista ainda mais.
Antes de apresentar a versão que jogarei em Seattle, quero falar sobre algo que sempre me perguntam: “e a Azcanta, não vai incluí-la no deck?”
Se nem todas as pessoas se adaptaram à minha versão, que busca abusar completamente da mecânica do Contrabalançar, o lançamento de Ixalan (29 de setembro) trouxe uma nova adição que caiu nas graças de muitos:

[mtg_card]Search For Azcanta[/mtg_card] / [mtg_card]Azcanta, the Sunken Ruin[/mtg_card] – Ilustração: Magali Villeneuve
A Busca por Azcanta se encaixa muito bem no deck, por ser um mecanismo de card avantage que funciona como Mágica Instantânea: se o oponente não fez nada em seu turno, na End Step a Azcanta, a Ruína Submersa é ativada. Em poucos turnos, o jogo está acabado. A Azcanta brilha principalmente quando o oponente não roda [mtg_card]Wasteland[/mtg_card], como Czech Pile, Blades com três cores, Miracles e combos.
Ao contrário do Contrabalançar, que entrega um raw card advantage por perda do oponente (cada mágica anulada além da primeira é uma carta de vantagem), a Azcanta o faz adquirindo cartas, ou seja, recheando a mão de seu controlador. A maior parte dos jogadores de Miracles vem utilizando 2 Busca por Azcanta no main, em conjunto com 2 a 3 Contrabalançar; não utilizam o Augúrio.
O motivo de eu não utilizá-la é que o terreno ainda não se encaixa em minha estratégia de jogo: 1) sempre preferi uma versão mais agressiva do deck, com uma curva de mana mais simples, gastando poucos recursos; 2) a Azcanta e o Augúrio não funcionam bem juntos, pois ambos devem ser utilizados no final do turno do oponente; e 3) gosto de utilizar 2 [mtg_card]Blood Moon[/mtg_card], que garante algumas vitórias fáceis e rápidas, o que é essencial em longos torneios.
Passados alguns meses de desenvolvimento, quero apresentar a versão 2018 do Sooth Miracles:

[deck]UWR Sooth Miracles 2.0 – Stefano Garcia

Encantamentos
1 Soothsaying
3 Counterbalance

Criaturas
3 Snapcaster Mage
2 Monastery Mentor

Planeswalkers
3 Jace, the Mind Sculptor

Mágicas
4 Brainstorm
4 Ponder
2 Portent
4 Swords to Plowshares
2 Counterspell
2 Predict
1 Council’s Judgment
1 Engineered Explosives
4 Force of Will
4 Terminus

Terrenos
1 Arid Mesa
4 Flooded Strand
4 Island
2 Plains
4 Polluted Delta
2 Tundra
3 Volcanic Island

Sideboard
3 Flusterstorm
1 Pyroblast
2 Red Elemental Blast
1 Surgical Extraction
2 Containment Priest
2 Blood Moon
2 Wear // Tear
1 Monastery Mentor
1 Counterbalance[/deck]

A adição de Explosivos Fabricados no main trouxe uma resposta genérica a mais, capaz de lidar com: Cálice do Vácuo, Lilianas, [mtg_card]True-name Nemesis[/mtg_card], Leovold, [mtg_card]Emissary of Trest[/mtg_card], Contrabalançar, [mtg_card]Sylvan Library[/mtg_card]. Para ajustar essa adição e continuar com cinco kill conditions de main, tive que: reduzir para apenas um Augúrio; aumentar para 3 Jace; e passar um Mentor para o side. Com isso, resolvi também o problema de comprar o indesejável segundo Augúrio, sem que reduzisse o número de peças que controlam o topo, uma vez que adicionei o terceiro Planeswalker.
Também adicionei o quarto Contrabalançar de side, para melhorar as partidas contra combo, Delver, Mirror, entre outros.
Matchup: essa configuração do Miracles possui as mesmas vantagens e desvantagens das versões pré-banimento. Temos grande vantagem contra baralhos de criaturas, como Delver e Maverick, mas possuímos grande dificuldade contra Merfolk e Goblins. Death and Taxes é 50%. Elfos não são mais tão fáceis como antes, mas ainda temos vantagem. Temos grande superioridade contra combos. Também lidamos muito bem contra Lands, Blades e Piles. Sofremos muito para Eldrazi (12 post é praticamente invencível), e passamos “cortado” contra baralhos estilo Aggro Loam.

Sideboard
As estratégias não são fixas, podendo variar a depender de particularidades no jogo.

1 – Grixis Delver: interações lentas ou condicionais, como Predizer ou Contramágica devem sair. Deixe o Council’s se ele jogar com [mtg_card]Liliana, the Last Hope[/mtg_card]. Também tire a Força de Vontade (contra UR Delver é possível deixar duas), pois podemos garantir que o Terminus resolva com a Flusterstorm.
OUT:

IN:

2 – BUG Delver: É a única versão do Delver que o Contrabalançar não é tão importante. Eles também não rodam tantas cartas azuis. Predizer é ótimo para cancelar o efeito do [mtg_card]Hymn to Tourach[/mtg_card].
OUT:

IN:

3 – Eldrazi: Temos que manter o Cálice fora de campo, evitar que ele ative o [mtg_card]Eye of Ugin[/mtg_card] e resolver um Mentor do Monastério ou um Jace o quanto antes. Contrabalançar aqui é fraco, pois os custos de mágica do oponente são elevados. Se ele rodar menos [mtg_card]Cavern of Souls[/mtg_card], é possível deixar as Contramágicas.
OUT:

IN:

4 – BR Reanimate: Como eles combam no turno 1, é ótimo deixar algumas remoções de criaturas. Não recomendo tirar dois terrenos, pois precisamos mulligar mais agressivamente. Preste atenção ao Wear // Tear: ele pode destruir o [mtg_card]Animate Dead[/mtg_card] antes que a criatura entre em campo!
OUT:

IN:

5 – Storm (ANT/TES): Deixe os Terminus e o Explosivos para lidar com [mtg_card]Empty the Warrens[/mtg_card] e outras criaturas que podem entrar como [mtg_card]Xantid Swarm[/mtg_card] ou mesmo [mtg_card]Rark Confidant[/mtg_card] e [mtg_card]Pack Rat[/mtg_card]. O plano é resolver um Contrabalançar e controlar o topo. Se ele fizer splash para verde, entre com Lua Sangrenta!
OUT:

IN:

6 – Sneak and Show: A partida é complicada, mas, pós side, a vantagem é totalmente nossa. Se alguma criatura entrar, perdemos. Logo, todas as remoções devem sair. Algumas versões jogam com [mtg_card]Grim Lavamancer[/mtg_card]. Noutras, há [mtg_card]Boseiju, Who Shelters All[/mtg_card]. Deve-se prestar atenção a esses detalhes.
OUT:

IN:

7 – Miracles: Devemos deixar apenas dois Terminus, para lidar com Mentor ou [mtg_card]Entreat the Angels[/mtg_card]. Novamente, devemos tirar terrenos, pois queremos apenas comprar mágicas.
OUT:

IN:

8 – Czech Pile (4C Control): O oponente procura fazer dois para um, por isso, devemos tirar as Força de Vontade e certo número de Espadas em Arados. Também devemos tirar terrenos, mas apenas um se eles rodarem Terras Ermas. A estratégia é resolver uma Lua Sangrenta ou um Contrabalançar. Deixe o Council’s se o oponente rodar Liliana, [mtg_card]Chandra, Torch of Defiance[/mtg_card] ou True-name Nemesis.
OUT:

IN:

9 – Burn: Procure jogar com uma mão que tenha ou Contrabalançar ou Mentor, além de alguma remoção. Espada em Arados no próprio Mentor (ou numa ficha), após alguns cantrips, pode fazer a diferença na partida.
OUT:

IN:

10 – Death and Taxes: Aqui, Contrabalançar não é nossa melhor carta, seja pelo [mtg_card]Aether Vial[/mtg_card], seja pela Caverna das Almas. Mesmo assim, busco deixar um, pois pode fazer a diferença em algum momento da partida. Mentor e Jace são nossas principais cartas. Procure proteger e desenvolver sua base de mana!
OUT:

IN:

É isso pessoal, ficou longo, mas eu queria oferecer um conteúdo completo do baralho para vocês. Espero que tenham gostado. Como retorno, espero vibrações positivas para o GP! Hehehe!
Até a próxima!

About Paulo de Tarso

Jornalista de formação, vive a (e de) escrever. Joga (mal) Magic desde 1995, e encontra diversão para compensar a falta de talento para o jogo utilizando cartas e decks que não são muito usados por aí. De vez em quando flerta com algum relativo sucesso ao beliscar um top 8, mas não é muito afeito às mesas iniciais. Atualmente joga Legacy e alguns drafts.

2 comments

  1. Baita texto.
    Parabéns Stefano. Boa sorte mestre. Estaremos todos torcendo por você.

  2. Stefano, boa sorte, boa sorte a todos na verdade, e mostre a mestria do melhor jogador de Miracle!

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