quarta-feira , dezembro 12 2018
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Quando o Commander encontra o Standard: Brawl!

Olá, senhoras e senhores

Bem vindos ao Command Beacon, nossa coluna sobre Commander Multiplayer aqui na Eternal Magic.

Hoje nossa coluna sairá um pouco do nosso foco e até mesmo o foco do site, os formatos Eternos, pois hoje aconteceu algo que há tempos não acontecia: a Wizards of the Coast criou um novo formato, e a sua premissa provavelmente só havia passado pelas mentes mais insanas ou zoeiras. O que acontece quando o Commander encontra o Standard? Brawl!

O Brawl foi anunciado em artigo assinado por  Gavin Verhey, o criador do Modern (e que já concedeu uma entrevista ao nosso site publicada em Junho do ano passado). Como funciona o novo formato?

  • Formato singleton, ou seja, é permitida apenas uma cópia de cada carta, excetuando-se os terrenos básicos.
  • São permitidas apenas cartas válidas no formato Standard e seguirá a lista de banidas desse formato.
  • Os decks são formados obrigatoriamente por 60 cartas.
  • Dentre as 60 cartas, uma deve ser escolhida como comandante. Ela deve ser uma criatura lendária ou  Planeswalker.
  • A construção do deck deve seguir a identidade de cor do comandante, ou seja, serão permitidas apenas cartas incolores e aquelas que tiverem seu símbolo impressas no custo e nas habilidades do comandante.
  • O comandante iniciará na Zona de Comando e poderá ser conjurado a partir dela. Terá um custo adicional de [mana]2[/mana] para cada vez que tiver sido conjurado dessa forma. Sempre que trocar de zona, ele poderá ser colocado na Zona de Comando.
  • Cada jogador começa com a vida inicial de 30 pontos de vida. Não existe dano de comandante.
  • Recomenda-se partidas multiplayer.

O formato Brawl será oficialmente lançado com a próxima edição, Dominária. O que faz todo sentido, já que um dos focos da coleção serão as Lendas, como já ficou evidente com o leak de uma boa parcela das cartas. Opções não faltarão.

Quais são as minhas percepções sobre o Brawl?

Acredito que a Wizards tenha feito uma jogada de mestre! Precisamos ter em vista, acima de tudo, que ela é uma empresa e como tal, precisa vender seu produto. Uma grande parcela de seus lucros vem com a venda de boosters das novas coleções, fomentada em sua maior parte pelo Standard e em uma parcela muito menor pelos demais formatos. Não a toa, competitivamente, o Standard possui maiores estímulos a nível profissional, com grandes eventos e premiações.

Isso leva a um outro ponto relevante: decks que fazem melhores resultados nesse formato tendem a dominar uma parcela significativa do field, em geral por serem mais consistentes. Embora exista espaço para o deckbuilding e uso de listas pouco usuais, elas tendem a ser rapidamente suprimidas por decks melhor posicionados. Isso gera 2 problemas em um formato que deveria introdutório para novos jogadores, que são o elevado preço dos decks e staples e um ambiente competitivo.

Ao criar o Brawl, a Wizards cria uma nova porta de entrada para novatos e ao meu ver, o formato introdutório perfeito. Ele tem uma natureza mais casual, principalmente por ser multiplayer e ter um grande espaço para deckbuilding por ser singleton e ter uma pool de cartas mais restrita e de menor power level que nos formatos eternos, bem como interações mecânicas mais simples. Além disso, retira-se o peso da carga competitiva que temos no Standard e se acrescenta uma atmosfera mais leve e social presente no Commander. Tudo isso é um clima convidativo para se iniciar em formatos Construidos. Vai ser comum um player jogar um pre release e com sua pool iniciar um deck Brawl. A partir disso existem 2 rotas naturais caso optem por outros formatos: Standard ou Commander. Para a Wizards é ótimo, pois aumenta a base de jogadores de Magic the Gathering e naturalmente, vende boosters das novas edições, mesmo que indiretamente, já que acredito que muitos optarão por singles.

Enxergo poucos pontos realmente negativos no surgimento do Brawl e o maior deles é que há a possibilidade concreta de inflacionar ainda mais algumas staples do Standard, principalmente as lendárias. Oi [mtg_card]The Scarab God[/mtg_card], estou falando de você. Outro é algo inerente ao T2: a rotação. Apesar de estimular a criatividade, a rotação é algo que a longo prazo causa um gasto financeiro que não é amortizado caso queira revender as cartas. O que tem de carta de valor um pouco mais elevado que passa a valer R$2,00 por não jogar nenhum outro formato não é brincadeira. Ao menos com o Brawl é apenas uma cópia de cada, o que deve reduzir drasticamente o custo dos decks. Por fim, um ponto realmente falho na concepção do formato é atrelar a lista de banidas ao Standard, o que não faz sentido algum. São formatos distintos com concepções de deckbuilding distintas. E o Standard dos últimos tempos não tem sido um primor de game design, já que temos nada menos que 7 cartas banidas: [mtg_card]Aetherworks Marvel[/mtg_card], [mtg_card]Smuggler’s Copter[/mtg_card], [mtg_card]Felidar Guardian[/mtg_card], [mtg_card]Attune with Aether[/mtg_card], [mtg_card]Rogue Refiner[/mtg_card], [mtg_card]Rampaging Ferocidon[/mtg_card] e [mtg_card]Ramunap Ruins[/mtg_card].

Antes de finalizarmos, cabe observar um detalhe sobre o Brawl que poderá vir a ter repercussões no Commander: é permitido o uso de planeswalkers como comandantes. O Commander flertou com os produtos selados de 2014, quando tivemos [mtg_card]Teferi, Temporal Archmage[/mtg_card] e companhia. A Wizards adotando isso em seu formato derivado poderá influenciar o comitê de regras? É possível. Seria negativo? Pela minha experiência e conversa com outros jogadores, não, Ainda por cima abriria o leque de possibilidade e enriqueceria ainda mais a experiência de jogo.

Por hoje é isso. E vocês? Gostaram do Brawl? Abominaram? A cabeça está fervilhando de ideias e possibilidades? Você não quer passar nem perto dessa novidade? Independente da sua posição, é certo que teremos um impacto. Deixe sua opinião e ideias de deckbuilding nos comentários! Até a próxima!

About Mateus Nogueira

Professor da rede pública de ensino no Distrito Federal, formado em Ciências Biológicas, nerd multiclasse, já jogou e aprecia diversos formatos de Magic: the Gathering. É especialmente apaixonado pelo Commander em sua vertente multiplayer, sendo um infeliz sem alma, apreciador de Stax e Combos.

3 comments

  1. Sobre o brawl, estou ansioso pelas possibilidades de deckbuilding fora do curva obvia. Tenho medo do impacto que o novo formato terá no Commander, tanto quanto a adição dos unsets teria um potencial devastador em certas comunidades por mudar as relações politicas inerentes do multiplayer.
    Mas a maior mudança que o brawl pode ter é o esvaziamento do próprio commander por algo mais simples e limitado, existe uma razão para o standart fazer sucesso (que é o investimento pesado da WoTC) e uma razão pro commander não fazer tanto sucesso (sheldom e o conselho…). E um formato que tenha o melhor do T2 sem o pior do EDH… é bem tentador.

    • Sinceramente acredito que esse formato não irá vingar, se vingar não vai ser de imediato. Ultimamente tenho visto o T2 esvaziar, deixando lojas no vazio nos dias dos jogos.
      Jogadores de commander dificilmente irão migrar para esse formato, visto que ele vai ter rotação T2 e ninguém gosta de gastar rios de dinheiro para depois perder todo o investimento e ter que começar de novo do zero.

  2. Me parece muito mais uma porta de entrada que o Standard. Acredito que será bem popular no Magic Arena.

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