segunda-feira , 20 agosto 2018
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Futuro do Legacy pós-banlist

Por Fausto de Souza

Faltando pouco mais de 12 horas para a publicação da lista com as cartas banidas e desbanidas, vale a pena analisar os possíveis cenários do Legacy para as próximas semanas.

A lista de banidas e restritas de Magic: the Gathering constitui-se em importante instrumento para manutenção da diversidade entre os vários formatos em que o jogo se apresenta, além de corrigir problemas diversos. Um ano atrás, no dia 24 de abril de 2017, víamos o banimento do Tampo de Adivinhação do Sensei como medida necessária para conter o poder do Miracles enquanto se impedia que o uso do tempo fosse mal utilizado pelos jogadores.

Será que haverá mudanças na lista a ser publicada nesta segunda-feira, dia 16 de abril de 2018?

Ao contrário da lista de fevereiro passado, quando o momento era claramente favorável a mudanças no Modern (quando acertamos o desbanimento da Elfa e citamos a possibilidade de estreia do Jace TMS – leia aqui), dessa vez os olhares da comunidade estão voltados ao Legacy. Por quê?

Em primeiro lugar porque dentro de cinco meses teremos o primeiro Pro Tour da História com participação do formato (será Trios Construído); em segundo lugar porque pela primeira vez após o banimento do Tampo, há um ano, o formato sinaliza uma caminhada rumo a um metagame muito menos diversificado do que poderia ser.

Nesse sentido, a Wizards pode adotar algumas linhas de ação.

1) Não mexer no formato: esta decisão é uma das mais cômodas, pois existem fortes argumentos para sustentá-la. O Legacy está firme e forte, mantém seu power level diferenciado e além das staples já consagradas e ícones do formato, agora temos também o Xamã como carta-chave e definidora dos metagames mundo afora.

2) Banir o Xamã: esta decisão seria a segunda mais fácil, pois ao remover a carta que está mitigando a diversidade do field os jogadores teriam de produzir novas estratégias para controle (hoje dominado por Sultai ou 4c Xamã) e delvers (hoje dominado pelo Grixis Xamã). De acordo com o Mtgtop8.com, os Xamã decks juntos abocanham hoje 1/3 de todo o metagame mundial.

3) Desbanir cartas: esta é a decisão mais difícil, pois demanda um cruzamento de dados e testes em alto nível. Além disso, é a decisão que envolve o maior risco, pois para fazer um ou mais desbanimentos que fizessem o efeito desejado (contrabalançar o poder o Xamã ao mesmo tempo em que fortalece estratégias hoje enfraquecidas, notadamente os combos consistentes) seria necessário que desbanissem cartas que causem real impacto no formato, ao contrário do que aconteceu com Prensa Negra por exemplo.

Esta última opção, embora seja a mais arriscada, é a única que, a meu ver, poderia favorecer a diversidade do formato ao mesmo tempo em que mantém e até mesmo aumenta o seu power level.

Entre os argumentos que podemos citar – e que certamente a Wizards já considerou – está o fato de que o Legacy hoje é um formato bastante sólido, com mais respostas e interações do que dispunha dez anos atrás. Dito isso, vale ressaltar que os jogadores que procuram o formato o fazem, em grande parte, porque nele encontram um power level superior a todos os outros formatos competitivos – exceto o Vintage.

Num formato como esse, não faz sentido que as estratégias de combo estejam com uma participação tão baixa. Para que eles fossem fortalecidos com baixo risco de desbalancear o formato, seria necessário o desbanimento de cartas que hoje possam ser contornadas de maneira mais adequada que dez anos atrás, quando a maioria delas foi banida, ao passo em que de fato constituam-se num reforço considerável para tais estratégias. Ou seja, precisam ter um power level intermediário.

Dessa forma, relacionei seis cartas atualmente banidas do Legacy (ver lista aqui) que poderiam voltar a ver a luz do dia no formato com esta perspectiva: manter o power level elevado ao mesmo tempo em que fortalece estratégias de combo consistentes (turno 3), sendo as duas primeiras com maiores chances em relação às demais de acordo com a perspectiva proposta.

São elas:

Oath of Druids. Encantamento, 1G. Se em sua manutenção o jogador tem menos criaturas que seu oponente, ele pode revelar o topo do grimório até encontrar uma criatura e colocá-la no campo de batalha. As demais cartas vão para o cemitério. A carta é muito forte e define toda uma estratégia no Vintage, porém vale lembrar, uma vez mais, que no Legacy não é tão simples dispor de duas manas em combos consistentes logo no primeiro turno, como ocorre no Vintage devido às cinco Mox + Black Lotus. Ou seja, em tese seria um combo possível de ser contornado e talvez pudesse elevar a participação dos combos num formato que anda tão carente deles. Frantic Search. Instant, 2U. Compra duas, descarta duas e desvira até três lands. Poderia ser aproveitada em algumas builds com Show and Tell, como maneira de cantrip “gratuita”, no ANT (aumenta o storm count praticamente de graça), e High Tide, que hoje é considerado Tier 3. Além disso, poderia dar nova vida ao UB Reanimator, que sempre foi um combo mais consistente que seu irmão mais novo, o BR Reanimator. Ressalte-se que a presença de Leovold no formato é uma novidade relevante, pois ele mitiga o poder do Frantic Search. Windfall. Feitiço, 2U. Cada jogador descarta sua mão e compra o mesmo número de cartas do jogador com maior número de cartas na mão. Como bem analisou o Thiago Duarte em artigo aqui mesmo no Eternal Magic, a carta reforça estratégias baseadas em Storm e poderia conviver com o atual metagame (leia aqui). Inclusive vale dizer que ela mesma ajudaria a regular os combos mais consistentes, pois pode forçar o descarte de uma mão que vinha sido esculpida. O lado ruim da carta é que sua interação com o Leovold poderia acabar fazendo com que ela fosse recrutada pelos controles, distorcendo a perspectiva inicialmente proposta. Tinker. Feitiço, 2U. Sacrifica um artefato para buscar outro artefato em seu grimório e colocar em jogo. No Vintage, os decks que utilizam a carta buscam combar com o Blighsteel Colossus ou Time Vault + Chave Voltaica. No Legacy, que não dispõe dos aceleradores de mana como as Mox, seria preciso (e muito possível) construir um deck ao redor da carta, pois nem os com azul possuem artefatos suficientes (exceto Tezzerators e similares, que também são Tier 3) e nem os com artefatos possuem azul, como as variantes do Eldrazi e MUD. Tinker é tão poderosa que poderia ser adicionada a alguns controles como forma de kill condition alternativa, e isto me faz pensar que a carta não esteja entre as principais opções da Wizards atualmente. Flash. Instant, 1U. Coloque uma criatura de sua mão em jogo. Se você não pagar o CMC da criatura menos 2, sacrifique-a. A ideia da carta é justamente sacrificar a criatura em questão. Quando era válida no formato sua interação com Protean Hulk acabou por deformá-lo – porém era uma época em que Mystical Tutor não estava banido. No Vintage costuma ser acompanhada de Reitor da Academia para buscar encantamentos que o levam a ganhar o jogo. Apesar disso, Flash proporciona um combo de apenas duas cartas que pode ser eficiente demais no momento. Imperial Seal. Feitiço, B. Busque qualquer carta em seu deck e coloque-a no topo do seu grimório. Perca 2 pontos de vida. Os tutores detêm o poder de deixar qualquer combo forte demais, por isso selecionei o mais lento possível (sorcery speed e coloca a carta no topo, não na mão), para que seja dado ao oponente mais tempo de resposta. Seguramente fortaleceria Storm e Reanimator.

Caso a Wizards enverede pelo caminho mais improvável, do desbanimento, acredito que as duas primeiras cartas tenham mais chances se a empresa, de fato, estiver em busca do fortalecimento de estratégias de combo consistentes. Ainda, a julgar por esta perspectiva, acredito que as quatro últimas sejam menos prováveis de serem desbanidas.

Veremos se o direcionamento da empresa para o Legacy será o mesmo que, corajosamente, bancou a Elfa e Jace TMS no Modern.

 

 

Sobre Paulo de Tarso

Jornalista de formação, vive a (e de) escrever. Joga (mal) Magic desde 1995, e encontra diversão para compensar a falta de talento para o jogo utilizando cartas e decks que não são muito usados por aí. De vez em quando flerta com algum relativo sucesso ao beliscar um top 8, mas não é muito afeito às mesas iniciais. Atualmente joga Legacy e alguns drafts.

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