sexta-feira , 19 outubro 2018
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Battlebond! Parte 2

Olá senhoras e senhores!
Bem vindos ao Command Beacon, a nossa coluna sobre Commander multiplayer aqui na Eternal Magic!

No nosso artigo anterior, trouxe a vocês a análise das mecânicas e dos possíveis novos comandantes de Battlebond, você pode fazer a leitura clicando aqui.

Vamos então a análise de hoje. Analisarei as cartas Brancas, Azuis e Pretas. Vale lembrar que só analisarei as novas cartas que considero minimamente relevantes, tanto em metas competitivos quanto em casuais. Caso tenha dúvida de algum termo que eu utilize, não se esqueça de conferir nosso glossário com os termos usados no Commander, clicando aqui.

Cartas Brancas

Academy Rector é uma carta poderosa. O potencial de buscar qualquer encantamento, como Omniscience ou Pattern of Rebirth por um pré-requisito simples, morrer, o permite lhe dar esse status. Não a toa costuma jogar em decks que tenham um bons mecanismo de sacrifício (Ashnod’s Altar, Phyrexian Altar, Altar of Dementia, etc) ou que abusem de Flash. Nosso reitor de Battlebond, Arena Rector, tem o mesmo poderio? Particularmente, acredito que não: nenhum planeswalker que possa ser buscado define o jogo no mesmo instante, como um dos encantamentos citados. Mas isso não quer dizer que é uma carta que possa ser subestimada. Basta pensar em planeswalkers imbecis de alto custo e o estrago que podem fazer caso caiam no early game: Ugin, the Spirit Dragon, Karn Liberated, Nicol Bolas, Planeswalker e Nicol Bolas, God-Pharaoh. Qualquer um deles pode conceder vantagens enormes que provavelmente o levarão a vitória se administrados corretamente. Consegue imaginar uma jogada como: terreno, Chrome Mox, Flash, Arena Rector, busca por Karn Liberated, ativa a habilidade +4 e finaliza seu turno 1 com um Karn com 10 marcadores e sem maiores perspectivas de reação dos oponentes? Só não é melhor que Flash para Protean Hulk ou Academy Rector.

Board wipes podem definir um jogo, ao arrancar a vantagem de um ou mais jogadores. Entretanto, é necessário que sejam conjurados antes que seja tarde demais, portanto é fundamental que se tenha um custo razoável. Play of the Game é poderosíssima, pois exila todas as permanentes que não sejam terrenos, então pode ser versátil para quase qualquer situação que pareça fugir ao controle. Seu custo bruto de 8 manas a principio é altamente impeditivo, mas a grande sacada está na habilidade Assist, que permite compartilhar o custo com outro jogador, sendo portanto uma ótima ferramenta política. Pode te afetar muito negativamente, mas as vezes tudo o que precisa é de um botão de reset na mesa. Visualize esse cenário: você está zicado com 2 fontes de mana, que geram brancas, o oponente A está floodado com vários terrenos e mais nada, outros 2 oponentes crescem suas mesas de forma assustadora, ameaçando uma vitória. Agora nesse cenário você tem Play of the Game na mão, paga , pede ao oponente A para ajudar com e manda os 2 outros oponentes ao mesmo nível de vocês e jogo que segue.

Essa é a primeira carta do ciclo de Friend or Foe. Basicamente você escolhe, para cada jogador, Friend, em geral fornecendo um efeito benéfico, ou Foe, para um efeito danoso. Todas elas funcionam muito bem no aspecto político do jogo. Regna’s Sanction não é no máximo uma carta razoável, mas que permite 2 coisas: aumentar o poderio de jogadores que estejam com um grande número de criaturas (e esperamos que seja nós mesmos) e tirar os bloqueadores de um jogador que seja o alvo do momento. Pode ver jogo em decks Linear Aggro que abusem de marcadores +1/+1, como alguns decks de Atraxa, Praetor’s Voice e Ghave, Guru of Spores.

Together Forever me cheira a combo. Sua habilidade de Suport pode aumentar um pouco o poderio de suas criaturas, mas o principal motivo da sua presença é tornar útil a segunda habilidade: por [mana1[/mana] voltar uma criatura com marcador que fosse morrer para a mão de seu dono. Consigo pensar em alguns combos ruins, como Arcbond Worker + Ashnod’s Altar + + Together Forever, gerando conjuração, ETB e LTB infinitos, que podem ser abusados por efeitos como Aetherflux Reservoir, Altar of the Brood e Zulaport Cutthroath. Ainda não visualizei bons combos com ela, mas é uma carta a ser sempre observada com o lançamento de novidades. Isoladamente Together Forever pode funcionar bem em decks que usem marcadores em suas criaturas, gerando uma ótima ferramenta recursiva. Glen Elendra Archmage por exemplo, se torna intragável. Além disso, pense no potencial político dessa carta, impedindo que uma criatura chave de um oponente que atrapalhe a todos menos você, ou que esteja impedindo um oponente de vencer, seja removida com facilidade. Por exemplo uma Elesh Norn, Grand Cenobite e você com um deck com pouquíssimas criaturas, ou um Eidolon of Rhetoric de um oponente travando um jogador de Storm que tenta fazer o possível para removê-lo.

Cartas Azuis

Existem coisas que fazem as pessoas felizes. Uma delas é colocar criaturas imbecis em campo sem pagar seu custo real. Basicamente Arcane Artisan não é apenas uma espécie de Elvish Piper piorado, pois ele possibilita a compra de uma carta antes de exilar alguma de sua mão. Ou seja, mesmo sem uma criatura para descer, você tem uma ferramenta de loot com exilio, o que pode ser essencial para cavar o deck ao mesmo tempo em que pode colocar em jogo ameaças reais. Em velocidade instantânea se necessário. Roda bichão? Considere usar esse mago. Fim do turno, viro Arcane Artisan, pago , compro, exilo Blightsteel Colossus e coloco uma cópia em jogo.  Posso jogar meu turno?

Excelente opção para Meta Hate. Sua região é abarrotada de Voltrons? Seus oponentes adoram socar 30 equipamentos e auras nos comandantes? Use Fumble e veja a frustração nascer no âmago deles quando seu próprio comandante se transformar no Voltron que eles queriam. Na pior das hipóteses, você tem um bounce ao seu dispor.

Game Plan é mais uma opção de roda na cor azul que embaralha cemitérios e mãos e compra 7 cartas, fazendo companhia para Time Spiral, Day’s Undoing e Timetwister, sendo interessante para decks que precisem de grandes quantidades desse tipo de efeito, como Nekusar, the Mindrazer ou Kydele, Chosen of Kruphix Leovold? Pobre Leovold. Lado negativo? Ela é exilada e custa . Lado positivo? Você pode ter a ajuda de um aliado para pagar esse custo, e, nesse caso, sempre existe alguém na mesa que está na fossa e precisa urgente trocar de mão ou uma pessoa extremamente gananciosa que quer ganhar uma vantagem a qualquer custo.

A princípio anulações com custo 4 em geral são péssimas, com poucas exceções. E talvez Out of Bounds se prove uma delas, já que virtualmente Assist pode torná-lo uma anulação de custo . E ainda pode ter um efeito estratégico, criando uma situação onde um oponente vira suas manas para ajudar a pagar esse custo e atrapalhar um outro jogador, te deixando livre para uma jogada relevante em seu turno com um risco reduzido de resposta. Considere testar Out of Bounds.

Staple. O número de instantâneas ou feitiços de custo 2 e que possuem relevância é abismal. Deixo 2 exemplos simples que podem simplesmente finalizar o jogo: Flash (com Protean Hulk) e Dramatic Reversal (com Isochron Scepter e fontes de mana). Não se esqueça também daqueles com custo X e custo de mana convertido 2, como Pull from Tomorrow, Comet Storm, Reshape e Exsanguinate. Pela natureza do formato, tutores são fundamentais, o que faz de Spellseeker uma ferramenta que pode realmente pender a balança em um jogo. O fato de ser uma criatura, ainda por cima um Mago, e desencadear a habilidade com sua entrada, pode ser facilmente abusável, casualmente e competitivamente. Desde os efeitos de cartas como Panharmonicon, Naban, Dean of Iteration, Inalla, Archmage Ritualist, a efeitos repetitivos como os de Deadeye Navigator, Riptide Laboratory, Helm of the Host, Crystal Shard e Progenitor Mimic. As possibilidades são enormes.

Nossa carta azul do ciclo de Frien or Foe. Apesar do custo horrível, é um efeito divertido em metas casuais, estimulando o lado político do multiplayer. Para os jogadores de Group Hug pode ser uma ótima ferramenta, favorecendo quem está atrás e atrasando quem possui alguma vantagem.

Cartas Pretas

Archfiend of Despair é o melhor amigo de Virtus the Veiled e veio para dizimar os pontos de vida dos oponentes. Seu custo 8 é extremamente impeditivo, então precisamos de formas de burlá-lo e o fato de estarmos na cor preta facilita, e muito, já que não nos faltam efeitos de reanimação. Se conseguir lidar bem com seu custo, é uma peça muito interessante em decks Pain já que permite eliminar rapidamente os outros jogadores. Joga especialmente bem com o já mencionado Virtus the Veiled, além de Torgaar, Famine Incarnate, Heartless Hidetsugu, Blood Tribute, Ebonblade Reaper, Malignus, Havoc Festival, Quietus Spike e Scytheclaw, todas (com exceção de Torgaar, Famine Incarnate), em conjunto com o demônio, simplesmente removem um oponente de jogo (ou todos).

Inner Demon apresenta 3 características que um Voltron pode apreciar muito: custo razoável, pump com evasão e remoção de chump blockers, tudo em uma carta só! Se gosta desse arquétipo e joga com preto, é uma carta que pode surpreender positivamente. Mesmo sem esse objetivo, para os políticos de plantão, você pode ser sujo a ponto de usá-la para limpar a mesa de criaturas pequenas e favorecer um terceiro jogador a espancar um alvo que não seja você.

O tribal de Guerreiros se tornou uma realidade em Battlebond com a chegada da sensacional Najeela, the Blade-Blossom, além de várias cartas que suportam essa tribo, como Mindblade Render. Por duas manas, permite extrair Card Advantage gerando um efeito semelhante ao de Phyrexian Arena, mas dependente de causar dano com um Guerreiro. Em um cenário justo, se você abriu seu turno 1 com um Guerreiro de custo 1 (Bloodsoaked Champion, Mardu Shadowspear, Mardu Woe-Reaper, Mist-Cloaked Herald, Rhys the Redeemed, Zurgo Bellstriker, etc), no turno 2 já é possível conjurar Mindblade Render e atacar com o outro Guerreiro, te permite abrir vantagem no número de cartas. Mesmo que não monte um deck com essa temática, caso use um comandante Guerreiro (Alesha, Who Smiles at Death, Kresh the Bloodbraided, Nath of the Gilt-Leaf, Neheb the Worthy, Sedris, the Traitor King, Varolz, the Scar-Striped, Zurgo Helmsmasher, Gorm the Great, Reyhan, Last of Abzan, etc) pode ser uma opção para comprar mais.

Essa carta pode ser a simples diferença entre uma derrota avassaladora e a vitória triunfal. Apesar de seu custo 4 ser elevado para um efeito desse tipo, é uma ferramenta que pode facilmente pegar um oponente de surpresa quando pensar ter ganho o jogo. Mas o que a torna realmente interessante não é apenas impedir a derrota e ir 1 de vida, mas o fato de te dar 7 cartas. Se você joga de Combo, as vezes é tudo do qual precisa para virar o jogo. Detalhe importante: efeitos que fazem com que outro jogador vençam o jogo não fazem essa carta funcionar, já que isso em termos de regra não se configura como perder o jogo. Então, cuidado para não usá-la de forma errada frente a um Laboratory Maniac, Approach of the Second Sun, Chance Encounter, Felidar Sovereign ou Revel in Riches por exemplo. Podemos ser injustos com Stunning Reversal? Certamente. Final Fortune, Last Chance, Warrior’s Oath, Pact of Negation, Slaughter Pact, Summoner’s Pact, me soam sensacionais. Demonic Pact, Glorious End, Lich, Lich’s Mastery e Nefarious Lich permitem fazer umas graças no mesão da cozinha. E para o jogador raiz: Phage the Untouchable como comandante.

Essa carta pode fazer estrago nos decks certos. Claro, pode-se esperar alguém remover tudo, enquanto você está com Thrilling Encore na mão e as manas em pé. Mas não me soa uma boa jogada em geral, já que dependerá da decisão de outro jogador e você estará atrasando seu jogo por uma possibilidade. Se houver certeza absoluta, obviamente, pode valer a pena. Mas a grande sujeira aqui é que você pode voltar suas próprias criaturas, ou seja, imagine decks como Meren of Clan Toth, Mazirek, Kraul Death Priest, Whisper, Blood Liturgist, Sek’Kuar, Deathkeeper, ou qualquer outro que se aproveite da morte, sacrificando tudo, gerando inúmeros efeitos e repetindo tudo após Thrilling Encore. Se você faz uso de cartas como Dictate of Erebos e Grave Pact, o estrago pode ser enorme quando voltar as criaturas dos oponentes para você após sacrificar tudo. Não recomendo tentar usar em conjunto com remoções globais por um motivo simples: a quantidade de mana investida é muito alta.

Virtu’s Maneuver é a carta preta do ciclo Friend or Foe. Seu custo é justo permite voltar criatura do cemitério para a mão ou forçar um jogador a sacrificar uma criatura. Ser em velocidade de feitiço retira um pouco do seu potencial, mas ao menos ainda continua sendo perfeitamente utilizável, já que permite voltar criaturas chave e remover ameaças reais que estejam sozinhas em campo (como o Voltron do amiguinho). Está longe de ser fantástica, mas pode ser uma opção real em decks budget.

Por hoje é isso, não deixe de conferir a terceira e última parte da minha análise de Battlebond, clicando aqui. Espero que tenham aproveitado a leitura e tido boas ideias. Críticas, sugestões e elogios sempre são bem vindos. Até a próxima!

 

Sobre Mateus Nogueira

Professor da rede pública de ensino no Distrito Federal, formado em Ciências Biológicas, nerd multiclasse, já jogou e aprecia diversos formatos de Magic: the Gathering. É especialmente apaixonado pelo Commander em sua vertente multiplayer, sendo um infeliz sem alma, apreciador de Stax e Combos.

6 Comentários

  1. Estou seriamente pensando em colocar o Spellseeker no meu Muldrotha. Rodo poucos instants/sorcerys no deck, mas poder tutorar elas várias vezes com a habilidade do Spellseeker e do Muldrotha, deixa as coisas bem interessante.

    Graças a Deus que saiu o reprint do Diabolic Intent. Estava caro demais!

  2. Murilo "Monoblack"

    Irei adquirir todas as monoblack aqui citadas, milorde.

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