quarta-feira , 14 novembro 2018
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“O melhor Nacional Legacy vai acontecer em BH”

O Nacional Legacy deste ano está cheio de novidades e para falar um pouquinho sobre elas ninguém melhor que Thiago Mata Duarte, o novo organizador do maior Legacy do país, que pela primeira vez será realizado em Belo Horizonte (MG), nos dias 24 e 25 de novembro. Ao longo desta entrevista ele fala um pouco sobre seu primeiro contato com o jogo, explica como foi o surgimento da Liga Mineira de Legacy, do qual foi fundador, e faz uma breve análise do cenário do Legacy no Brasil e no mundo, sem, é claro, esquecer de comentar o recente banimento do Xamã e da Probe.

Confira a íntegra da entrevista abaixo:

Qual seu nome, idade e profissão?

Thiago da Mata Duarte, 30 anos, me formei pela PUC MG, tenho um L.LM em Direito Corporativo pelo IBMEC e atualmente sou advogado, sócio da Salgado Duarte Oliveira Advogados. E, mais importante, escritor de artigos sobre Legacy e organizador de torneios nas horas vagas!

 

Quando começou a jogar Magic? Qual seu formato preferido e por quê?

Conheci o jogo com 10 anos de idade, era moleque, sem dinheiro nenhum, joguei com uns amigos no interior, durante um ano ou dois, quando vendi meu deck “super caro” por 30 reais. Voltei a jogar somente no final de 2012, quando uns amigos resolveram comprar uma box de Innistrad. Meu formato preferido é Legacy, porque é o formato com mais flavor, tem power level elevado, é o formato que envolve menos variância em razão das cantrips, fetch e dual lands, é bastante skill intensive e gosto das cartas antigas, de colecionar duals, etc.

 

Como exatamente se deu sua participação na Liga Mineira? Você é o fundador? Pode nos falar um pouco de como começou seu trabalho lá?

Quando comecei no Legacy no final de 2012, jogando os semanais na UGCardShop, de Monoblack Reanimator, ainda existiam os LQs do Nacional (que eram os classificatórios do NL). Os LQs eram o ápice dos campeonatos regionais, pois congregavam 30 jogadores, em média, e tinha corte para o top 8. Eu gostava bastante de jogar esses campeonatos, que ofereciam algo a mais que os semanais simples, principalmente por causa do corte para playoff. Aconteceu que os LQs foram acabando, o Modern bombou e o Legacy em BH sofreu ao ponto de chegar a ter menos de 8 jogadores nos semanais.

A ideia da LML surgiu para substituir os LQs e fomentar o crescimento do formato na capital. Daí eu e Felipe Purisco (Jesus) resolvemos fundar a Liga Mineira. Na época conversei com Gustavo Pacheco, que organizava um Legacy no RJ e usei muitas ideias dele para começar a fazer a LML funcionar. Inicialmente começamos com Ranking, preenchido numa planilha foda que um amigo fez pra mim no Excel e, atualmente, estamos com um modelo novo de classificatórios para um campeonato final, sem ranking, sem nada. De lá pra cara, saímos de uma média de 14 jogadores em 2014, para um recorde de 52 agora em 2018. Com o NL sob minha responsabilidade, no entanto, acabei passando a organização da LML para frente. Mas tenho certeza que o João Carvalho e o Henrique Belumat farão um excelente trabalho na organização.

 

Qual sua avaliação sobre o Legacy no cenário atual brasileiro e mundial?

No Brasil, nos últimos quatro anos, principalmente em razão das ligas regionais, o formato cresceu de forma exponencial. Hoje temos campeonatos regulares com mais de 40 players em 5 estados brasileiros. A Lampions League, fundada ano passado, já congrega mais de 30 players com regularidade, além de ter feito o formato surgir forte no Nordeste. A Liga Paulista (LPL) surgiu esse ano, e já no torneio inaugural conseguiu 47 inscritos. Em outras palavras, o formato ganhou muito nos últimos tempos, principalmente depois que o pessoal saiu da caixa, abriu a cabeça e procurou por alternativas competitivas fora do azul, com poucas ou nenhuma dual, etc. No fim de semana do dia 24/6 atingimos 52 inscritos e batemos o recorde de público nacional do ano, que era detido pelo Legacy RS (49). Ou seja, estamos em franca expansão.

No mundo, já vejo um Legacy com base de players estável. Existem campeonatos grandes por toda a Europa, MKM, Baazar of Moxen, Ovinoggedon; nos EUA o Eternal Weekend bate recorde de público a cada ano e anualmente temos 4 GPs espalhados pelo mundo. Eu gosto do Legacy assim, formado e fomentado por vários campeonatos independentes e poucos oficiais, afinal, desse jeito, pouca atenção se volta para o formato e só entra quem realmente tem interesse. Além de deixar os especuladores de fora.

Por fim, acho preocupante os spikes de preços nas cartas da Reserved List. Acho que a Wizards errou feio ao colocar o formato no Pro Tour, uma vez que isso gerou especulação de preço nessas cartas, que, por sua vez, prejudicou, ainda mais, a acessibilidade ao formato. O resultado foram preços ainda mais proibitivos, não só no Brasil, mas no mundo todo. Isso faz com que a gente tenha que procurar soluções para esse problema, para não correr nos o risco de perder a mão nesse crescimento dos últimos anos. Muitas ideias boas estão surgindo como a permissão de proxies de cartas de Reserved List em campeonatos competitivos, um novo formato sem reserved, a ideia de criação de duais lendárias, etc. Recentemente Brain Demars tratou disso muito bem em um artigo da CFB. Espero que ano que vem tudo volte ao normal, com os eventos independentes de praxe e os 2 ou 3 GPs anuais.

 

Como se deu o convite para organizar o Nacional Legacy deste ano?

Na verdade foi uma grata surpresa. O Bruno (Other) me mandou uma msg no telefone, falando que possivelmente o Alex (X) não teria condições de organizar o NL esse ano, perguntando se eu tinha interesse em pegar a organização e tomar frente, já que ele não queria que o evento morresse. Já era quase maio e nada tinha sido feito ainda, então ele estava realmente preocupado. Nós conversamos por whats mesmo e estávamos aguardando a confirmação do Alex. Salvo engano, início de maio o Alex confirmou com o Bruno que não iria fazer mais, e o Bruno oficializou o convite. A organização do Alex foi ótima, fez mudanças extremamente necessárias ao torneio e muito bem vindas pela comunidade, em geral. Logo minha responsabilidade já começou grande.

Eu sempre tive várias ideias para o NL e achei a oportunidade excelente para colocá-las em prática. Daí decidimos os pormenores. Eu seria a nova cara do NL, tomaria a frente total da organização e seria responsável por todas as decisões relativas ao torneio, desde o local de realização até a estrutura dos campeonatos e trials. Bruno, por sua vez, participaria como um apoio logístico que julguei ser bem importante. Ele tem a experiência de organização de 6 Nacionais, já tentou muita coisa nos campeonatos que organizou, conhece bastante gente que pode contribuir com o torneio, entende do financiamento do torneio, enfim, ele tem o know how da coisa e a transferência dessa experiência está sendo muita válida.

Tão logo foi avisada a mudança no FaceBook, já providenciei a nova página do NL (www.nacionallegacy.com.br), fiz o primeiro comunicado oficial para acalmar os ânimos e comecei a correria da organização.

 

Uma das novidades da sua gestão foi justamente a divulgação da data com antecedência de seis meses. Qual a sinalização para os players?

A palavra é planejamento. Acho essencial que o evento seja muito divulgado e que daqui pra frente gere segurança no jogador, seja quanto à estrutura, seja quanto à data e localização. Não é legal que o evento mude todo ano, é preciso atingir certo grau de estabilidade, para o jogador já saber, de antemão, o que esperar, sem perder o dinamismo necessário para manter o evento interessante, sempre. O plano é termos uma data limite de divulgação dos próximos campeonatos, como acontece com os GPs. Assim, todo ano, em uma data específica, (provavelmente fevereiro), anunciaremos a data do próximo NL, de maneira a possibilitar que o pessoal já comece o planejamento e já comece a competir nos trials para o evento principal.

 

Qual sua expectativa em relação à mudança do local? Pode ser um fator limitador? O que podemos esperar de um Nacional em BH?

A transferência foi bastante pensada. Não foi feita de sopetão, ou no impulso. MG é um dos locais que viu um crescimento exponencial do Legacy nos últimos anos, desde que começamos o resgate do formato aqui, há quatro anos, e fazíamos campeonatos com 10 pessoas. Esse ano tivemos recorde de público, 52 pessoas em uma única etapa da LML. Estimamos que só na região de BH, Betim, Contagem e Ouro Preto, tenhamos uma base de 80 a 100 players. Além disso, podemos contar com pelo menos 30 players do sul de MG e pretendemos fazer com que todos compareçam.

MG sempre foi um ponto neutro entre os demais estados do Sudeste, é equidistante, tem boa infraestrutura, fácil acesso por rodovia ou aéreo, somos conhecidos por campeonatos interestaduais de sucesso, como Cambuquira e São Lourenço, dá pra chegar de carro do RJ, de SP, do ES e até de Brasília para os mais animados. Sem contar que fica um pouco mais em conta pro pessoal do Nordeste, onde o Legacy está crescendo horrores. Além disso, mesmo BH sendo uma das principais capitais do país, é mais barata que SP: comer aqui é mais barato, deslocar-se é mais barato, hospedar-se é mais barato, tudo é mais barato. Sei que pro pessoal do RS e de SC a passagem aérea aumenta, mas vamos compensar isso com menos gastos na cidade, menos gastos de hospedagem e menos gastos de locomoção, inclusive, teremos transfer gratuito do aeroporto para o Hotel do evento, por exemplo.

Dito tudo isso, acreditamos fortemente que a mudança de local não será um limitador e que o MELHOR NL já organizado vai acontecer aqui, agora em 2018. Assim, o jogador ou jogadora pode começar a esperar um ambiente diferente do que está acostumado. Essa organização vai trazer um ambiente acolhedor, confortável, com infraestrutura de primeira com restaurante e bar, streaming dos jogos, campeonatos paralelos inovadores e uma premiação acumulada de mais de R$ 14.000,00. Será, com certeza, o melhor evento de Legacy que alguém poderá jogar no Brasil, sem falsa modéstia.

Sobre o torneio em si, pode explicar melhor como será qualificação para os byes este ano? 

É bem fácil de entender. Os trials somente poderão ser realizados pelas ligas regionais (MG, SP, PE, PR, RS e RJ), por lojas ou pelo próprio NL. As ligas regionais poderão organizar trials do tipo NL Bônus, NL Trial, NL Premium; as lojas poderão organizar trials do tipo NL Store, NL Super Store; e o próprio NL poderá organizar trials do tipo NL Super e Last Chance Trials. Os três primeiros organizados pela ligas são bem simples. O NL Bônus vale bye 1 para o campeão; o NL Trial vale bye 1 mais inscrição básica II (que acompanha um playmat a ser retirado no dia do NL); e o NL Premium vale a cumulação dos dois torneios anteriores. Por exemplo, se uma liga contrata dois NL Trial e ganha mais dois NL Bônus, ela poderá acumular essa premiação em um único campeonato (NL Premium), desde que atinja o mínimo de jogadores exigido no regulamento. Poderão ser acumulados apenas NL Trial e NL Bonus, sempre em múltiplo de 2.

O NL Store e o NL Super Store serão campeonatos organizados pelas Lojas. O primeiro vale apenas bye para o campeão, que, no entanto, poderá adquirir sua inscrição na hora, com 20% de desconto. O segundo, realizado mediante autorização específica, será um super campeonato, com pelo menos 5k em premiação. Dessa premiação, 1.2k será em inscrição para o NL 2018. Ou seja, o campeonato vai valer 8 inscrições para o top 8 e mais 4 byes 1 para o top 4.

O NL Super valerá bye 2 para o campeão e bye 1 para o vice, mais as inscrições Básicas II. Deverá ter premiação de 3k garantidos e será realizado ou pelo próprio NL (no day 2 do NL 2018 terá um NL Super) ou mediante autorização especial. Por último, os Last Chance valerão bye1 para o campeão, e serão realizados na sexta-feira anterior ao evento principal, pela organização do NL 2018.

Por fim, cada liga poderá distribuir até 8 byes em seus campeonatos, e cada loja poderá distribuir apenas 2. Ressalta-se, porém, que em caso de realização do NL Super Store, a loja poderá distribuir 4 byes para o NL 2018.

Como será a dinâmica dos torneios paralelos? Se alguém está pensando em viajar e não for bem no torneio principal, ele ainda terá oportunidade para jogar Legacy?

Nosso torneio principal (Main Event) terá um formato diferente esse ano. O suíço será decidido inteiramente no Day 1. Ou seja, abriu 0x2, melhor dropar e ir aproveitar os paralelos, pois pelas nossas contas, somente 1 ou 2 resultados X-2 terão chance de top8. Com isso, vamos caprichar nos paralelos, ao ponto de fazer a viagem compensar apenas por eles.

A primeira novidade, é o torneio de 8 players, baratinho, que será disparado sempre que oito juntarem para jogar. Além disso, teremos um Win a Mox (Diamond) no Day 1 e outro no Day 2, sem contar o campeonato especial para decks PIMP. Isso mesmo, vai rolar um campeonato especial para o nosso coleguinha que gosta de ostentar, com premiação especial para o deck mais PIMP de todos. Todos no formato Legacy, claro.

Teremos ainda drafts a serem definidos, um campeonato Pauper, no segundo dia, em parceria com a Liga das Garotas Mágicas e, claro, o paralelo do Day 2, NL Super, que vai distribuir 4k em premiação, mais bye 2 para o NL 2019. Esse ano queremos que o fim de semana seja de formatos eternos e, por eternos, temos de relevância, por aqui, Legacy, Pauper e Commander. Pode ter certeza que teremos alguma coisa sobre esses tres formatos durante o fim de semana, sempre como foco no Legacy, claro. Minha dica é que você não deixe de acompanhar as novidades do torneio, principalmente porque o que não vai faltar esse ano são inovações.

Haverá participação de artistas durante o torneio? Quais?

Estamos pensando na possibilidade, mas a princípio não temos nada confirmado ainda.

 

Alguma novidade nos pacotes de inscrição ou serão somente as duas básicas divulgadas no site?

Sim. Na verdade teremos uma gama de inscrições especiais que ainda serão divulgadas. Uma delas será a VIP Master que dará acesso ao jogador a todos os campeonatos do final de semana, além do playmat oficial do evento e do playmat especial. Isso mesmo, teremos um playmat especial para o VIP Master, que também poderá ser conseguido através da premiação dos paralelos especiais.

 

Alguma questão atual de relevância, que mereça ser abordada?

Desde quando comecei no MTG, pude reparar que existe um público feminino para o jogo. Apesar de este público vir crescendo nos últimos tempos, ainda é um público tímido, muito em razão da maioria masculina que se faz presente nos campeonatos. No NL 2017, por exemplo, acho que tinham umas cinco mulheres presentes como jogadoras, em um universo de 150 jogadores. Ou seja, é muito pouco ainda.

Como organizador do evento, como advogado, como pessoa, preocupo-me bastante em incluir e incentivar o crescimento desse público feminino e, de forma prática, aumentar o seu envolvimento com o Nacional Legacy, através de um campeonato que tenha clima amistoso, que faça qualquer jogador ou jogadora de MTG se sentir confortável e seguro para jogar, sem julgamentos, olhares desconfiados ou qualquer outro tipo de hostilidade. Acreditamos firmemente em ser a mudança que o mundo precisa e por mais que não resolvamos o alijamento recorrente e constante sofrido pelas mulheres, acho que essa é nossa forma de contribuir com essa mudança. Com isso, estamos planejando um estande da Liga das Garotas Mágicas no NL 2018. Tenho certeza que vai ser sinistro.

 

E qual sua avaliação sobre o banimento de shaman e probe?

Durante um tempo achei que shaman deveria ser banido. Ela faz coisa demais, por custo de menos e por isso achei que tinha que sair do formato. Entretanto mudei de ideia e até escrevi um artigo para a Eternal que o ideal é que alguns desbanimentos acontecessem, ao invés de banimentos. Afinal, sempre bom aumentar o power level do formato e experimentar novas estratégias, ainda mais que combos estavam meio em baixa. Ocorre que, mesmo assim, se acontecesse um ban, como aconteceu, eu entenderia o motivo, afinal o bichinho é quebrado. Entretanto, receio que possamos perder diversidade no formato. Por mais que muitos decks compartilhassem um mesmo core de shaman, BS, ponder e fow, as estratégias de cada um eram bem diferentes e variavam de tempo (Grixis Delver), passando por midrange (Bug Delver), até arquetipos mais control (4cc, BUG Leovold). Além disso, ele permitia um maior range para decks sem azul e fazia funcionar muito bem o Jund, o Dark Maverick, o Elves, etc. Sem contar que esses decks mais lentos de shaman (BUG e 4cc) permitiam que estratégias como BG Depths, Lands, Burn, 12 Post, MUD, UR Delver, ressurgissem com força, pois eram predadoras naturais desses decks, muito presentes no meta. Com fim dos decks de shaman, receio que esses decks desapareçam aos poucos, pois aposto no ressurgimento de RUG Delver, Stoneblades e mais combos, num cenário semelhante ao que existia em 2012, com menos diversidade e mais caro. Enfim, de modo geral, espero estar enganado e tomara que o fim do shaman signifique novas estrategias e um meta mais saudável.
Com relação à Probe, acho que a Wizards errou feio. A carta não tinha impacto tão grande no formato e aparecia com frequência apenas no ANT e no próprio Grixis Delver. Legacy não é Modern e o power level da Probe estava perfeitamente adequado ao formato. Sinceramente, achei descuido da Wizards e não concordei com nada das justificativas dadas pela empresa, na minha opinião, bem rasas e sem sentido.
No fim das contas, acho que esses banimentos tem muito a ver como PT 25 anos e com o streaming, afinal é chato ver mirror de shaman o dia todo e a Wizards é conhecida por banir cartas em formato não rotacionáveis apenas para “rotacionar” o formato.

Sobre Fausto de Souza

Fausto de Souza é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles, que joga e coleciona desde 1994. Viciado nas cartinhas e em escrever, tem feito grandes amigos em toda a comunidade e é muito grato por isso.

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