quarta-feira , 14 novembro 2018
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Legado do Pro Tour: E agora, José?

Olá! Eu sou Alex Araújo, mais conhecido na comunidade do MTG por “Pato”, e sou um dos organizadores da Lampions League – Liga Nordeste de Legacy que ocorre em Recife – Pernambuco. Venho trazer uma visão mais sertaneja do Pro Tour 25 anos, especificamente a sua parte Legacy e seus impactos em nosso amado formato, além do que podemos esperar para o futuro.

Resolvi dividir este artigo em três tópicos: Antes, durante e depois do Pro Tour e os impactos.

Fase 1: Pré anúncio do Pro Tour.

O Pro Tour 25 anos foi anunciado em 19 de julho de 2017, e com ele veio um grande choque para todos: O LEGACY faria parte do Pro Tour e estaria de volta ao circuito profissional, ao menos em participação especial para este evento comemorativo.

Acredito que a intenção da Wizards foi excelente ao trazer uma luz para este formato tão desconhecido por muitos, infelizmente devido aos seus custos por vezes exorbitantes. Então, como andava o ambiente Legacy no Brasil neste período?

Vale destacar alguns pontos na época do anúncio:

* O Brasil, nesta data, contava com cinco ligas de Legacy , sendo elas: Legacy RS, CLC, LML, Alpha Legacy e Lampions (a caçula).

* A Reserved list tinha sua carta mais cara jogável sendo The Tabernacle at Pendrell Vale (US$ 1.500 a versão em inglês). A Dual Land mais cara era a Underground Sea: US$ 400,00 (preço médio da Starcity Games).

Tabernaculão da massa a preço de ocasião.

* Campeão do Nacional Legacy na época : Stefano Silveira (Miracles pré-ban).

Com o anúncio, os pró-players começaram a se dividir em times, já escolhendo qual membro seria responsável pela parte Legacy, já que o formato era desconhecido por muitos prós. Não demorou pouco para que se chegasse à conclusão que Grixis Delver e 4-Color Control eram os melhores decks do formato, muito acima da curva e representando juntos algo em torno de 18% do metagame. Esta foi a era de ouro do Deathrite Shaman. Paralelo à isso surgiram decks para fazer frente a estas estratégias: Monored Prison, Miracles Back to basics e Eldrazi.

As coisas iam caminhando para um Pro Tour com mirror de Shaman e provavelmente o mais tedioso de todos os tempos, mas a Wizards mostrou algo que eu particularmente não esperava: ela se importava com a stream! Ora, a Wizards já bem sabia que o Standard, devido a sua pool, seria um formato de três ou quatro decks quando chegasse ao Pro Tour, o Modern se mostraria a selva de sempre, orbitando entre os decks mais injustos e rápidos contra os que possuem respostas para eles, e o Legacy… Bem, o Legacy seria mirror de Shaman para todos os lados. Praticamente todos os prós estavam treinando com um dos seguintes decks: Grixis Delver, 4-Color Control, Monored Prison, Eldrazi e alguns poucos com D&T.

Nesse tempo, o Legacy no Brasil ia ganhando mais destaque, cartas subindo de valor, hype na reserved list (Null Rod, duais, Humility, Tabernacle, Mox Diamond), e diversas cartas chegaram a quadruplicar de preço! Contudo, o Legacy não morreu nesse período, pelo contrário, cresceu ainda mais.

Fase 2: Durante o PT25A, entre 17 de julho do ano passado e 31 de julho de 2018, tivemos no Brasil:

* Tabernacle atingindo a casa dos US$ 3.000,00.

* Underground Sea batendo a marca dos US$ 800,00.

* Novo campeão do nacional: Henrique Belumat (Eldrazi).

* Criação da Liga Paulista de Legacy e o anúncio do Eternal Challenge DF.

Sinceramente? A força do Legacy, ao menos para mim, é algo inexplicável, mas acredito que se houver alguma explicação ela passa pela união da comunidade e paixão pelo formato.

Então chegou o grande dia: 2 de julho de 2018.

Isto pegou todos de surpresa e bagunçou todo o formato, assim como os planos de quem ia jogar o Pro Tour por água abaixo.

Lucas Berthoud escreveu no Reddit sobre sua preparação e sobre o Grixis delver e 4-color, com os quais já vinha treinando há meses, e como ele tinha sido pego de surpresa com o ban.

Jabaiano inicialmente tinha sido designado para jogar a porção Legacy do trio Hareruya e vinha treinando de 4-color, e posteriormente Márcio Carvalho assumiu a parte Legacy do trio, que foi absurdamente bem-sucedido ao fazer top 4.

Kai Budde posteriormente lançou artigo na SCG em que falava dos seus treinos com 4-color e Grixis Delver. Posteriormente tentou uma abordagem diferente com Pox, BUG Shadow (que ele considerava uma excelente opção pro PT25A) e depois com o Eldrazi, o deck escolhido para o PT25A.

Isso deixou um recado bem claro: Não só queremos “corrigir o formato e trazer diversidade”. Nós queremos um stream interessante para todos.

Eles acertaram ao menos no quesito stream, que foi emocionante e com destaque grande para o Legacy. 165 trios focados em levar o maior prêmio já distribuído pela WoTC: Quase 1 milhão de dólares.

E então, na reta final do PT25A todos aqui torcendo pelo trio de brasileiros (Márcio é praticamente naturalizado… hahaha), sai a classificação do top 4, e com isso temos: 4 Decks Legacy: UB Death’s Shadow, Eldrazi e 2 Death and Taxes.

Nota: O Trio Hareruya Latin fez história com essa classificação para o top 4. Um orgulho para todos nós.

Apenas 4 cartas da reserved list: 2 Underground Sea e 2 City of Traitors em meio as 300 cartas Legacy deste top 4.

Definitivamente um tapa na cara de muitos que falam que é impossível jogar sem azul, ou impossível jogar sem dual no Legacy. Afinal, só tínhamos 1 deck azul e dual nesse top 4.

Campeão PT25A : Death and Taxes ! Monowhite bichinhos.

Bichinho? Olha o diabo do respeito…

Fase 3: O que esperar do futuro para o Legacy?

Passado o Pro Tour, o que vemos? Um “frisson” pelo novato do formato UB Death’s Shadow e discussões sobre como o metagame ficou melhor sem Shaman e Gitaxian Probe.

Assumo que sou “viúva do Shaman”, mas este não é o ponto da discussão hoje, e sim o impacto do Pro Tour no legado e o que ficou de herança.

De antemão podemos dizer que o Death’s Shadow se provou um deck viável no formato e inclusive com versões budget, sem Underground Sea e com básicas no lugar, como mostra este artigo SCG.

Além disso, vimos um ambiente equilibrado, onde os dez decks mais jogados tinham uma variação entre 12,12% (grixis control)  e 4,24% (Eldrazi Post). Isso mostra o quão equilibrado ficou o formato pós-bans, que ocorreram aproximadamente um mês antes do Pro Tour, no dia 2 de julho.

No ambiente nacional temos uma nova base do Legacy no DF com o Eternal Challenge já em sua 3ª edição e com expectativa de novo recorde de players.

Ou seja, se por um lado o PT25A foi extremamente negativo para a “economia do formato”, para a sua jogabilidade foi muito positivo. Particularmente acredito que por motivos de saúde financeira é interessante para nós que o Legacy não faça mais parte de Pro Tour e volte a seus dois ou três GPs por ano, ficando assim mais voltado às ligas e torneios independentes, e com isso voltamos aos poucos aos preços antigos das staples, assim acredito.

Quanto ao metagame esperado para essa nova era eu apostaria no D&T pela sua versatilidade e capacidade de jogar contra tudo, além de Death’s Shadow , Sneak and Show e Grixis Delver… Sim, ele sobreviveu apesar de tudo. Também acredito que com o passar do tempo teremos algum novo deck no formato e com alguma abordagem completamente nova, assim espero, afinal a pool para testes é enorme.

De qualquer forma, nos próximos meses teremos diversos torneios premiando tanto com byes e inscrições pro Nacional tanto quanto duais e passagens pra jogar o torneio. É meus amigos… O legacy ficou mais forte, e veremos muito dele nos próximos meses com:

  • Legacy 5k TCGeek em 2 de setembro.
  • Quarta etapa da Lampions, em 16 de setembro, valendo passagem pro Nacional + bye + inscrição.
  • Mega Alpha em seis de outubro, com o top 8 inteiro com premiação em dual.
  • Eternal Challenge III, no Distrito Federal, em 20 de outubro.
  • Nacional Legacy, nos dias  24 e 25/11.

Desculpem o tamanho do artigo, era pra ser curto, mas não poderia deixar de fazer essa retrospectiva de um ano e o quanto isso mexeu com o formato aqui e lá fora. Abraço a todos e até a próxima.

Sobre Paulo de Tarso

Jornalista de formação, vive a (e de) escrever. Joga (mal) Magic desde 1995, e encontra diversão para compensar a falta de talento para o jogo utilizando cartas e decks que não são muito usados por aí. De vez em quando flerta com algum relativo sucesso ao beliscar um top 8, mas não é muito afeito às mesas iniciais. Atualmente joga Legacy e alguns drafts.

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