quarta-feira , dezembro 12 2018
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Agora o bagulho ficou sério!

Por Paulo de Tarso e Fausto de Souza

Considerado um dos melhores jogadores de Magic de todos os tempos, o brasileiro Paulo Vitor Damo da Rosa, gaúcho de 31 anos, acumula alguns dos mais importantes títulos do jogo: são nada menos que 2 Pro Tours e 2 GPs, sem falar das dezenas de TOP8s ao longo de sua brilhante carreira. PV, como é mais conhecido na comunidade, é também membro do Hall da Fama dos jogadores profissionais e articulista fixo da ChannelFireBall.

Pela primeira vez na vida, ele vai disputar um Nacional Legacy – maior evento independente de Magic no Brasil – que este ano será realizado em Belo Horizonte (MG), no dias 24 e 25 de novembro (mais informações sobre o evento em www.nacionallegacy.com.br).

Nesta entrevista exclusiva ao Eternal Magic, PV fala sobre suas tarefas enquanto profissional do Magic nas diversas áreas, comenta a forma com que se prepara para os torneios mais relevantes e discute as particularidades do Legacy – onde ele detém dois TOP8s em GPs – em relação aos demais formatos construídos. Pois bem, duelistas, se vocês pensavam que iriam encontrar vida fácil no Nacional, verão que o bagulho ficou sério! Paulo Vitor preferiu não dizer qual deck vai usar durante o torneio, porém deu uma dica: será algum que tenha Brainstorm, sua carta favorita no formato. E aí, vai encarar?

 

Qual é sua idade e profissão?

Tenho 31 anos e trabalho com Magic, como jogador e como criador de conteúdo. Hoje em dia eu escrevo artigos para a channelfireball e para o dailymtg, tenho um curso na Spikesacademy.com (um site de aulas online pre-gravadas), um podcast semanal (pro points podcast) e dou aulas particulares para quem quer melhorar em diversos níveis.

 

O que vc mais curte no tocante à criação de conteúdos?

Eu gosto bastante de escrever, especialmente os artigos de teoria mais complexos. Acho que escrever esses artigos faz eu analisar mais a fundo a minha maneira de pensar – faz eu me forçar a entender de onde vem a intuição, digamos assim – e com isso eu me torno um jogador melhor.

A criação de conteúdo também me proporciona um modo de espalhar minhas idéias pelo mundo. É surreal pra mim que, quando eu quero falar uma coisa, tem milhares de pessoas que estão interessadas em saber o que é, com os mais variados assuntos. Também é muito gratificante – sempre que alguém chega e diz que gosta dos meus artigos, ou agradece por eu ter ajudado em algum objetivo, eu acho que vale a pena fazer o que eu faço.

Em termos mais materialistas, ser um criador de conteúdo me dá estabilidade financeira. Não importa quão bom você seja ou quanto você treine, você sempre vai ter dias, semanas, meses e até anos ruins. Depender somente dos prêmios do Magic é muito arriscado, e é importante pra mim saber que, mesmo se eu perder todos os jogos durante um mês, eu ainda vou poder continuar escrevendo, dando aulas, etc, então ainda vou ter uma fonte de renda.

 

Todos conhecemos e admiramos sua inserção no Magic como um todo. Falando especificamente do Legacy, quais foram seus principais resultados?

Eu tenho dois top 8s em GPs Legacy, um com BUG Landstill (quando Mental Misstep ainda valia) e um com Miracles com Sensei’s Divining Top.

 

Você tem alguma rotina específica para se preparar antes dos torneios? Assistir a vídeos, treinar à exaustão? Isso muda de formato para formato?

A minha rotina muda bastante dependendo do grau do torneio e do formato. Para GPs, que geralmente são um formato já estabelecido, eu mais “penso” do que treino em si – eu leio artigos, olho os resultados dos últimos campeonatos, converso com o meu time e escolho um deck. Geralmente eu já treinei o formato para o Pro Tour, então eu só preciso adaptar o que eu já aprendi.

Para Pro Tours, que muitas vezes são formatos inteiramente novos, eu treino mais – eu jogo um pouco online nas semanas antes do Pro Tour (principalmente draft) e depois eu me encontro com o meu time em uma casa ou sala de conferência e nós damos uma treinada turbo, onde jogamos e conversamos sobre Magic o dia todo por mais ou menos uma semana. Antigamente a gente treinava drafts ao vivo também, mas hoje em dia nós tentamos já chegar nos treinos com uma noção de draft, e dai focamos no constructed, e no dia antes do torneio marcamos uma “reunião” onde discutimos sobre as cartas e o formato do draft.

 

Você costuma dizer que o Legacy é um formato bastante intenso com micro-decisões muito importantes que são feitas a todo tempo. Essa seria a principal diferença deste para os demais formatos construídos?

Existem muitas diferenças, mas no game play eu acho que essa é sim a maior. Todas as decisões no Legacy são importantes, e existem muitas decisões pequenas que você tem que tomar no começo da partida.

Existem outras diferenças – por exemplo, a mão inicial no Legacy pode ser bem mais importante que em outros formatos, porque o jogo pode acabar no turno 1 ou 2. No Standard, a minha mão inicial pode ser 50% das cartas que eu tenho acesso ao longo do jogo. No Legacy, pode ser 100%, então é preciso ter mais cuidado. Também é preciso ter sempre em mente cartas como Wasteland, Daze e Force of Will – às vezes é preciso identificar rapidamente o baralho do seu oponente para saber quais cartas são importantes no matchup.

 

Como surgiu o convite para participar do Nacional? Vai ser sua primeira vez? Quais as expectativas? Pode adiantar o deck escolhido ou é surpresa?

O organizador do Nacional entrou em contato comigo e nós combinamos a minha participação. Vai ser a primeira vez que eu jogo – apesar de eu gostar bastante de Legacy, o campeonato geralmente cai em uma data que eu não posso ir. As expectativas quanto ao torneio são ótimas, acho que vai ser um campeonato excelente, mas quanto ao meu resultado, é difícil dizer – eu sou um bom jogador e tenho certa experiência com os baralhos Legacy, mas estou bastante enferrujado e faz um tempo que não me atualizo (por exemplo, nunca joguei Legacy com a edição nova), então é difícil dizer.

Quanto ao deck escolhido, prefiro não dizer, mas posso adiantar que vai ter azul, já que eu nunca na vida joguei Legacy sem azul!

 

Nos últimos dois anos temos experimentado um crescimento nas ligas regionais de Legacy. Com relação ao resto do mundo, qual é sua impressão sobre o posicionamento do formato no que diz respeito ao interesse e participação em número de jogadores?

Acho que o crescimento do formato é fortemente limitado pelo custo das cartas, que formam uma barreira de entrada. As cartas Legacy são absurdamente caras, então, mesmo se a gente considerar que elas podem ser um bom investimento e que você continua com elas a vida toda, é difícil justificar gastar o valor de um carro para entrar no formato. Por isso, acho que o Legacy dificilmente vai se tornar um formato popular como são Modern e Standard.

 

Qual sua carta favorita no Legacy? Por quê?

Minha carta favorita no Legacy é Brainstorm, porque ela é a que te dá mais escolhas. Com Brainstorm no seu deck, você perde muito menos jogos porque comprou poucos terrenos, ou terrenos demais, ou porque comprou a metade errada do seu deck, ou porque comprou alguma carta no momento errado. Se Brainstorm não existisse, acho que eu gostaria bem menos do Legacy.

 

Quais os principais jogadores de Legacy do mundo? 

Depende do que você quer dizer com “principal”. Se for “melhor”, acho que não se afasta muito da lista dos melhores do mundo – jogadores como Yuya Watanabe, Luis Scott-Vargas e Marcio Carvalho vão jogar Legacy muito bem mesmo não sendo 100% focados nesse formato, e eu apostaria neles em cima de uma pessoa que só joga Legacy mas não joga Magic profissionalmente.

Se você quer dizer os jogadores mais conhecidos/influentes em relação a esse formato especificamente, dai temos o pessoal que escreve artigos – por exemplo, Reid Duke e Andrea Mengucci para a Channelfireball – e também os jogadores que são autoridades em um baralho específico. Bryant Cook com Ad Nauseam, Ewlandon com BR Reanimator, Joe Lossett com Miracles, Jarvis Yu com Lands, Thomas Enevoldsen com Death and Taxes e Noah Walker com Grixis são nomes que me vem a cabeça quando eu penso “se eu tivesse que perguntar algo para algum jogador sobre esse baralho, para quem eu perguntaria?”.

 

 

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