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Análise de metagame: 2º cEDH All Stars em Brasília

Olá senhoras e senhores!
Bem vindos à Command Beacon, a nossa coluna sobre Commander multiplayer aqui na Eternal Magic!

Hoje eu trago um artigo um pouco diferente do habitual. Como alguns sabem, eu sou de Brasília, e por aqui temos um metagame de Commander bem competitivo, embora não completamente otimizado como um todo, devido a restrições financeiras e alto valor de determinadas cartas. Desde 2014 a cena competitiva é estimulada com campeonatos e sistemas de liga, onde mesmo jogadores mais casuais ou com restrições orçamentarias aprenderam a lidar com estratégias mais opressivas do formato.

No dia 27/10/2018 ocorreu o 2º cEDH All Stars, organizado pelo Lucas Bonifácio, nome por trás do canal Torre de Comando, na loja Player vs Player. Para os não familiarizados: cEDH é o termo usado para o Commander multiplayer competitivo, sendo principalmente uma mudança de mentalidade ao invés de possuir regras a parte. Não se esqueça de acessar nosso glossário quando encontrar um termo com o qual não é familiarizado, clicando aqui. O campeonato  em si era aberto somente a jogadores mais experientes do formato que tenham vencido algum campeonato ou tenha sido bem posicionado em alguma liga mensal.

 

Decks e Metagame

Contamos com 16 jogadores (clique no comandante para ver a a decklist):

Bruno Masera (Narset, Enlightened Master)
Felipe Galdino (Phelddagrif)
Gabriel Giuvenduto (Tatyova, Benthic Druid)
Hans Donner (Prossh, Skyraider of Kher)
Irvin Bryan Machado (Zur the Enchanter)
José Augusto Ribeiro “Guga” (Rashmi, Eternities Crafter)
Juan Motta (Dragonlord Ojutai)
Leandro Reis (Najeela, the Blade-Blossom)
Lucas Malaguti (Animar, Soul of Elements)
Mateus Nogueira, esse que vos escreve (Tymna the Weaver & Thrasios, Triton Hero)
Murilo Limeira (Yennett, Cryptic Sovereign)
Roberto Nishino “Korea” (Prime Speaker Zegana)
Ronie Gerber (Nath of the Gilt-Leaf)
Serena Rodrigues (Momir Vig, Simic Visionary)
Walter Carlos (Yisan, the Wanderer Bard)
Walter Filippeti (Najeela, the Blade-Blossom)

Dadas as listas, podemos retirar inúmeros dados interessantes para analisarmos.

Primeiramente, tivemos 7 arquétipos diferentes no campeonato, com uma predominância clara de True Midrange (com 38%) e a presença marcante de decks Draw-Go (12%) e Good Stuff (6%), totalizando em 56%  os decks com maior quantitativo de respostas, o que dificultou a vida dos decks mais proativos, como os Full Combo (13%), Storm (13%), Aggro-Combo (12%) e Linear Aggro (6%). Cabe notar, que mesmo tais decks contavam com uma quantia generosa de respostas e maioria dos jogadores optou por uma abordagem mais segura nas listas tornando a  premissa de vitória até o turno 4 do cEDH em uma irrealidade.

Outro padrão foi que o meta contou com 29% dos decks com identidade azul e 27% com base verde, limitando as demais cores a splashes na maior parte dos decks. A base Simic ([mana]UG[/mana]) foi predominante no torneio, estando fortemente presente em decks como [mtg_card]Momir Vig, Simic Visionary[/mtg_card], [mtg_card]Prime Speaker Zegana[/mtg_card], [mtg_card]Tatyova, Benthic Druid[/mtg_card], [mtg_card]Rashmi, Eternities Crafter[/mtg_card], [mtg_card]Phelddagrif[/mtg_card] e [mtg_card]Animar, Soul of Elements[/mtg_card], que totalizaram aproximadamente 37% do meta. Porém, devemos considerar que essa configuração de cores foi fiel a porcentagem de cartas utilizadas nessas cores? Compilei e analisei todos os decks e cheguei aos seguintes dados:

Dentre as 2 principais cores utilizadas houve o reflexo da identidade de cor, com 32% das cartas utilizadas na cor azul e 29% na cor verde. Porém há uma disparidade quando observamos as demais. Elas foram utilizadas em proporções bem menores que a distribuição das identidades de cor dos decks: Branco com 6% das cartas utilizadas contra 18% de presença na identidade dos comandantes, preto com 8% contra 15% e vermelho com míseros 2% contra 11%.  Isso evidencia um principio importante para o cEDH em geral: as cores verde e azul são as mais poderosas e utilizadas, enquanto as demais vem principalmente em forma de apoio, sendo preto o suporte mais consistente (especialmente por conta dos tutores e cartas poderosas como [mtg_card]Ad Nauseam[/mtg_card] e [mtg_card]Necropotence[/mtg_card]).

Quanto aos tipos de cartas utilizadas tivemos a seguinte distribuição:

Analisando as cartas vimos que existe uma prevalência maior de Criaturas (28%) e especialmente Mágicas Instantâneas (32%). Podemos supor que essa grande quantia de instantâneas era formado principalmente por respostas?

Cerca de 32% eram anulações, seguido por 25% de remoções, o que tornava o metagame extremamente reativo e interativo, o que corrobora a imagem de que os jogadores optaram por uma abordagem mais segura para os seus decks, com pouquíssimos Glass Cannons (decks muito poderosos, porém frágeis). Entre as demais categorias, temos a presença de 18% de tutores e 12% de cantrips e draws, fundamentais para assegurar a vitória no decorrer de jogos mais longos.

Sobre a base de mana utilizada, tivemos uma média de 31 terrenos por deck, uma quantia ideal para decks de curva baixa, já que no caso, tivemos o custo médio das mágicas em 2,42. Do total de terrenos, tivemos 66% de terrenos não básicos. Se pegarmos esses terrenos não-básicos e separá-los em categorias, obtemos a maior parte das bases de mana formadas por Fetch Lands (27%), Rainbow Lands (terrenos como [mtg_card]Command Tower[/mtg_card] e [mtg_card]Mana Confluence[/mtg_card], com 16%) e Shock Lands (15%), seguidos de Utility Lands ([mtg_card]Strip Mine[/mtg_card], [mtg_card]Scavenging Grounds[/mtg_card], [mtg_card]Cavern of Souls[/mtg_card], etc, com 10%). Vimos aqui que uma parcela significativa do deckbuilding dos jogadores esbarrou na questão financeira, já que tivemos apenas 3% de Old Duals, o que foi contornado por outras opções de terrenos, como Check Lands e Pain Lands principalmente.

Complementando a base de mana, devemos voltar nossa atenção aos aceleradores, que foram constituídos especialmente por mana rocks (42%) e mana dorks (30%). Se colocarmos comparativamente os mana rocks em relação aos outros artefatos, temos uma expressiva quantidade de 63% de todos os artefatos sendo utilizados como aceleradores. Já entre as criaturas, os mana dorks representaram uma fatia menor, de apenas 27% de todas as criaturas utilizadas, que tiveram funções diversificadas, desde os famosos hatebears a fontes de card advantage  ou peças de combo.

Estrutura de torneio e resultados

No fim das contas, como funcionou o torneio?

Tivemos um total de 4 rodadas, com mesas compostas por 4 jogadores. Em caso de quantitativo de jogadores que não possibilitassem essa configuração, era gerada uma mesa com menor número de jogadores, a principio pior posicionados,  que ficavam de Bye. Ou seja, essa rodada era desconsiderada para o cálculo da porcentagem de vitórias, o principal critério de classificação.

Importante salientar também que o sistema buscou aleatorizar a composição das mesas, para que os mesmos jogadores evitassem se enfrentar múltiplas vezes ao longo do campeonato. A ordem do turno também foi pensada para variar ao máximo a posição do jogador e, embora nem sempre possível, permitiu com que vários jogadores jogassem desde a primeira posição até a última.

Como já mencionado, o principal critério de classificação era a porcentagem de vitórias, valor obtido pelo número de vitórias dividido pelo número de partidas. Como critérios de desempate, tivemos na sequência o resultado de confrontos diretos entre os jogadores, o número de vitórias, número de empates, quantidade de byes e qualidade da suas vitórias (medida pela média de porcentagem de vitórias dos oponentes nas mesas em que venceu).

Dito isso, a progressão do torneio ocorreu da seguinte forma (vencedores de cada mesa estão destacados e os jogadores estão posicionados a partir do jogador que inicia o jogo):

Portanto, classificaram-se os 4 jogadores em destaque.

Roberto Nishino “Korea” (Prime Speaker Zegana), com uma excelente e surpreendente porcentagem de vitórias de 75% (3 vitórias em 4 jogos), classificando-se em primeiro absoluto. Com uma porcentagem de vitória de 50%, Irvin Bryan Machado (Zur the Enchanter) e Leandro Reis (Najeela, the Blade-Blossom) se classificaram para a segunda e terceira posições. A quarta vaga foi extremamente disputada e no fim das contas Walter Filippeti (Najeela, the Blade-Blossom) conseguiu se classificar com uma taxa de 25%, se saindo melhor nos critérios de desempate frente a seus outros 3 oponentes diretos.

Finalistas do 2ºcEDH All Stars, da esquerda para a direita: Walter Filippetti (Najeela Midrange Stax), Roberto Nishino (Zegana Full Combo), Bryan Machado (Zur Storm) e Leandro Reis (Najeela Midrange).

Para definir um campeão foi estabelecido que aquele que ganhasse 2 partidas ou tivesse melhor pontuação em um tempo limite de 3h seria consagrado com o título. Praticamente levando o tempo limite de 3h, ocorreram 2 disputadíssimas partidas, definidas no último fôlego, onde cada jogada e escolha foram relevantes. Caso queira conferir, a final foi transmitida ao vivo e contamos com a gravação nesse link. Infelizmente, não obtivemos grande qualidade na filmagem e transmissão, mas para os mais empolgados pode ser um prato cheio.

Ao final da segunda partida, Roberto Nishino “Korea” foi o campeão incontestável do campeonato. De um total de 6 partidas, venceu impressionantes 5, ficando com uma porcentagem de vitória de aproximadamente 80%!

O campeão Roberto “Korea” Nishino (esquerda) e Lucas Bonifácio (direita), organizador do cEDH All Stars.
[deck]Deck – Prime Speaker Zegana (Full Combo)
Commander
1 Prime Speaker Zegana

Criaturas
1 Arbor Elf
1 Bramble Sovereign
1 Consecrated Sphinx
1 Deadeye Navigator
1 Eternal Witness
1 Gilded Drake
1 Great Whale
1 Lotus Cobra
1 Palinchron
1 Peregrine Drake
1 Phantasmal Image
1 Phyrexian Metamorph
1 Ramunap Excavator
1 Sakashima the Impostor
1 Sakura-Tribe Elder
1 Teferi, Mage of Zhalfir
1 Venser, Shaper Savant
1 Vorinclex, Voice of Hunger
1 Wayward Swordtooth
1 Wood Elves

Encantamentos
1 Carpet of Flowers
1 Fertile Ground
1 Food Chain
1 Mystic Remora
1 Overgrowth
1 Rhystic Study
1 Sylvan Library
1 Treachery
1 Utopia Sprawl
1 Wild Growth

Artefatos
1 Birthing Pod
1 Mana Crypt
1 Mana Vault
1 Panharmonicon
1 Sol Ring

Feitiços
1 Cultivate
1 Eldritch Evolution
1 Explosive Vegetation
1 Farseek
1 Kodama’s Reach
1 Merchant Scroll
1 Nature’s Lore
1 Quasiduplicate
1 Rampant Growth
1 Skyshroud Claim
1 Time Spiral
1 Tooth and Nail

Mágicas Instantâneas
1 Beast Within
1 Capsize
1 Chain of Vapor
1 Chord of Calling
1 Counterspell
1 Cyclonic Rift
1 Delay
1 Displace
1 Essence Flux
1 Flusterstorm
1 Force of Will
1 Ghostly Flicker
1 High Tide
1 Mana Drain
1 Mental Misstep
1 Misdirection
1 Mystical Tutor
1 Nature’s Claim
1 Pact of Negation
1 Swan Song
1 Worldly Tutor

Terrenos
1 Ancient Tomb
1 Breeding Pool
1 Command Tower
1 Flooded Grove
1 Flooded Strand
9 Forest
1 Hinterland Harbor
9 Island
1 Misty Rainforest
1 Polluted Delta
1 Scalding Tarn
1 Tropical Island
1 Verdant Catacombs
1 Windswept Heath
1 Wooded Foothills[/deck]

A estratégia adotada pelo campeão foge ao convencional encontrado em listas de [mtg_card]Prime Speaker Zegana[/mtg_card], em geral baseadas em gerar mana infinita com [mtg_card]Food Chain[/mtg_card] e criaturas como [mtg_card]Misthollow Griffin[/mtg_card] e [mtg_card]Eternal Scourge[/mtg_card], comprando todo o deck na sequência usando a comandante e [mtg_card]Food Chain[/mtg_card]. A opção de Korea está em um clássico pouco utilizado hoje em dia: [mtg_card]Deadeye Navigator[/mtg_card]. Em conjunto com cartas como [mtg_card]Peregrine Drake[/mtg_card], [mtg_card]Great Whale[/mtg_card] e [mtg_card]Palinchron[/mtg_card] temos combos de mana infinita, seguido de quantas compras forem necessárias com a comandante. Combo facilmente assimilado com [mtg_card]Tooth and Nail[/mtg_card] por exemplo. Para contar com quantias insanas de manas para essas jogadas, o deck usa aceleradores de terrenos, como [mtg_card]Farseek[/mtg_card] e [mtg_card]Skyshroud Claim[/mtg_card], permitindo jogadas das criaturas mencionada e efeitos de blink ([mtg_card]Deadeye Navigator[/mtg_card], [mtg_card]Displace[/mtg_card], [mtg_card]Essence Flux[/mtg_card], [mtg_card]Ghostly Flicker[/mtg_card]) ou clone ([mtg_card]Phantasmal Image[/mtg_card], [mtg_card]Phyrexian Metamorph[/mtg_card], [mtg_card]Bramble Sovereign[/mtg_card], [mtg_card]Sakashima the Impostor[/mtg_card] e [mtg_card]Quasiduplicate[/mtg_card]), inclusive sendo extremamente bem aproveitadas pela comandante. Outra carta que extrai ótimo valor da lista é [mtg_card]Panharmonicon[/mtg_card], que por si só é capaz de combar com [mtg_card]Bramble Sovereign[/mtg_card] e o ETB das nossas peças de combo.

Por que uma vitória tão absoluta? Acredito que alguns bons motivos.

1 – O metagame favoreceu grandes disputas de recurso e jogos mais arrastados. Quem gerasse melhor card advantage, saia na frente. E nossa comandante Simic é capaz de comprar quantias absurdas de cartas enquanto alguns dos demais decks estavam se esforçando para não perder o gás.
2– A lista utilizada por Korea é fora do radar, podendo ser considerada uma lista rogue. Ao não saber exatamente como combatê-la, os oponentes eram forçados a jogadas sub-ótimas.
3 – Dedidação e competência do piloto, que construiu e refinou a lista com extremo esmero, através de longo processo de tentativa e erro. Além de pilotá-la com maestria de quem se dedica por anos a um tipo de deck.

Portanto, meus parabéns ao campeão absoluto!

Para finalizarmos, mais alguns dados:

De 18 partidas (fase classificatória e final), tivemos apenas 4 empates e uma mesa com Bye (na 4ª rodada, após um drop), mesmo com um meta responsivo tendo tempo hábil de finalizar 11 jogos (exceto a final, com um tempo estendido) em rodadas de 1 hora de duração. Outro dado interessantíssimo: em outras experiências de torneio, começar a partida se mostrava extremamente vantajoso. Porém isso não foi observado no 2º cEDH All Stars. Das 13 partidas finalizadas com vitória (incluso finais), apenas um jogador na posição 1 venceu, 3 vitórias para o jogador 2 e 2 para o jogador 3. O grande destaque se mostra um dado contundente: das 13 vitórias, 8 foram daqueles que jogaram por último. Acredito que isso se deva ao metagame lento e interativo. As respostas se esgotavam nos 3 primeiros jogadores e abria-se o caminho para o último vencer sem maiores obstáculos.

Finalmente chegamos ao fim de nossa análise. Agradeço profundamente a cada participante por se esforçar e e dedicar ao formato, muitas vezes não tendo a disposição todos os recursos necessários para otimização de seus decks, mas tendo acima de tudo vontade de aprender e se aprimorar. Agradeço a Player vs Player pelo apoio que vem dado ao Commander competitivo em Brasília desde os seus primórdios. E acima de tudo, agradeço ao Lucas Bonifácio, ao qual sem seu comprometimento e trabalho, nada teria ocorrido. E mais uma vez, parabéns ao campeão, Roberto Nishino pelo desempenho fantástico e inspirador! Sem mais delongas, até a próxima!

PS: Para aqueles que se interessem por cEDH, não se esqueçam de entrar no grupo de Facebook, cEDH Brasil, clicando aqui.

About Mateus Nogueira

Professor da rede pública de ensino no Distrito Federal, formado em Ciências Biológicas, nerd multiclasse, já jogou e aprecia diversos formatos de Magic: the Gathering. É especialmente apaixonado pelo Commander em sua vertente multiplayer, sendo um infeliz sem alma, apreciador de Stax e Combos.

2 comments

  1. Parabéns aos envolvidos pela realização e cobertudo desse evento incrível. Esse trabalho q vcs fazem é muito agregador pra que possamos entender mais nosso querido formato!

  2. A Posição na mesa realmente fez muita diferença, não reduz em nada o mérito do Korea quer soube usar isso ao seu favor.

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