terça-feira , novembro 12 2019
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Meu caminho até a Bayou

  • Por Guilherme Alves

Boa tarde. Para quem não me conhece eu sou Guilherme Alves, comecei a jogar Magic aos 9 anos, mas só fui me interessar no cenário competitivo do jogo aos 18 anos no começo da faculdade e continuo jogando desde então, hoje com 25 anos.

Comecei jogando Modern logo que BBE foi banido (isso mesmo, nada de unban XD) e nesse meio tempo cheguei a jogar um pouco de tudo, Legacy, Standard, Pauper, Commander mas sempre mantendo o Modern firme e forte.

Eu possuo um pool bem grande do formato Modern, cerca de 90% das cartas que jogam no formato. Por conta disso, um belo dia meu amigo Matheus Ponciano, que eu conheço há uns 20 anos, decidiu passar na minha casa antes do primeiro trial legacy desse ano para pegar umas cartas emprestadas para completar o deck que ele iria jogar. Ficamos conversando um pouco sobre o formato e ele me convidou para jogar o torneio dizendo que me emprestava um Burn. Eu fiquei meio indeciso pois eu estava muito cansado e já tinha jogado Magic nos 2 dias anteriores, mas acabei sendo convencido e arrastado para o torneio.

Vamos 4 meses no futuro e hoje eu estou com 10 old duais (contando a Bayou que ganhei) e staples do legacy para montar uns 5 ou 6 decks do formato.

A escolha do deck

Por ter um pool de Modern muito grande eu possuo a base de muitos legacys de tabela, mas o que me faltava eram basicamente os terrenos, fora uma carta ou outra perdida. Então ao longo desses meses eu joguei com muitos decks emprestados enquanto vendia algumas cartas e acessórios que possuía em excesso para juntar o dinheiro das duais. Dentre os decks emprestados foram: Mono Red Prison, Humans, Grixis Shadow, Elves, Burn e Grixis Control.

Então eu terminei de montar o meu primeiro deck, o UW Delver, e joguei com ele em 2 torneios em Brasilia, fazendo 5-0 e 4-1; depois joguei mais 3 paralelos do GP São Paulo, fazendo 3-1, 2-2 e 2-1-1. Eu já entendia como funcionava o deck e tinha uma ideia geral de como utilizá-lo no meta, mas a decisão não poderia ser tão fácil assim…

Dentre essa variedade de decks que eu joguei, o Grixis Control foi o que eu mais me diverti jogando. Eu só havia jogado 1 único torneio com ele, com o resultado de 3-1-1, nada muito impressionante, mas uma vez que eu adquiri no GP quase todas as cartas que faltavam para completar o deck, e sabendo que eu conseguiria as últimas duas Undergroud Sea emprestadas (Vlw Cabral :D), eu fiquei na dúvida eterna de qual deck jogar.

Após conversar com o Ponciano e meu sócio André Tepedino, chego à conclusão que o que mais importa é me divertir no torneio, então termino decidindo de jogar de Grixis. Na manhã antes do torneio me encontro com Ponciano e Gabriel Lopes na minha casa para discutirmos últimas mudanças do meu side e da lista que o Ponciano iria jogar, então chegamos a essa lista:

Guilherme Alves (Grixis Control)
2 Inquisition of Kozilek
2 Fatal Push
2 Lightning Bolt
4 Ponder
4 Brainstorm
4 Force of Will
4 Baleful Strix
3 Kolaghan’s Command
3 Jace, the Mind Sculptor
3 Snapcaster Mage
2 Gurmag Angler
3 Hymn to Tourach
1 Liliana, the Last Hope
1 Diabolic Edict
1 Liliana’s Triumph
3 Underground Sea
2 Volcanic Island
2 Badlands
2 Island
2 Swamp
4 Polluted Delta
3 Scalding Tarn
3 Bloodstained Mire

Sideboard
2 Surgical Extraction
1 Grafdigger’s Cage
1 Marsh Casualities
1 Toxic Deluge
2 Flusterstorm
1 Pyroblast
1 Red Elemental Blast
1 Liliana, the Last Hope
1 Dreadbore
1 Hydroblast
1 Blue Elemental Blast
1 Engineered Explosives
1 Blood Moon

Não há nada de muito especial na lista, optei por 2 hydroblast por medo do meu match contra o burn e sou convencido a levar a blood moon no side, carta que eu não queria muito usar (eu realmente fiquei feliz em usar ela no fim das contas).

O torneio

Round 1 – Bye
No sistema do Eternal Challenge, se um jogador ganha um dos trials a pessoa vai com bye 1 para o Challenge. Como eu ganhei 2 trials (1 de UW Delver e outro de Grixis Control) meu bye estava bem garantido. Almocei tranquilo com Ponciano e mais 2 amigos que não estavam jogando o torneio e fui descansando e satisfeito para o round 2. (1-0)

Round 2 – Rafael Seixas, Belcher (2-0)
Como eu fiquei de bye consegui ver os decks dos meus oponentes, assim tendo uma vantagem de saber se haveria a necessidade de muligar ou não. Os 2 jogos foram iguais, muliguei pra mãos com Force of Will e usei elas no segundo ritual do turno fazendo com que o jogo do meu oponente fosse destruído com Gurmargs feitos o mais rápido possível após as Fow pra fechar os jogos. (2-0)

Round 3 – Bruno Mello, Eldrazi Stomp (2-1)
O match contra o Eldrazi é desfavorável para o Grixis, mas nada que não seja contornável. Jogo 1 mato um reshaper, que revela outro reshaper, que é morto revelando outro rechaper… o pesadelo de todo controle… enquanto isso cálice e mishra’s factory me atacavam, fui surrado.
Jogo 2 – Uso hymn to tourach nos turnos 2 e 3, quanto meu oponente abre com um jogo lento de cálices e ametistas. Após ter sua mão devastada ganho o jogo mais uma vez com o peixão :D.
Jogo 3 – Meu oponente abre super explosivo, com olho de ugin seguido de 2 mímicos, faço uma badlands e passo, no turno dele ele faz uma caverna das almas e um reshaper crescendo os mímicos da mesa, mato um dos mímicos e ele faz mais um mímico pós combate. Restando apenas duas cartas na mão do meu oponente opto por fazer um hymn e aceitar o dano que tomaria no mínimo 7 pontos de dano no turno seguinte, meu oponente compra um terreno me ataca e vou a 9 pontos de vida. Volto fazendo um peixão que segura o board enquanto o Jace tms leva o jogo pra mim. (3-0)

Round 4 – Marcelo Salles (Fausto) Uw Miracles (1-1)
Fausto estava jogando com uma lista muito interessantes de miracles com vários planeswalkers da nova coleção. Todos os jogos foram muito apertados, mas com pontos de viradas em cada um deles. O jogo 1 foi muito longo mas desandou para o meu lado, porém quando fui conjurar um snapcaster, o counterbalance do Fausto revelando um snapcaster mandou meus dentes foram para o outro lado do salão e não consegui voltar para o jogo.
Jogo 2 – Mais uma vez estava tudo muito tenso e o Fausto sabia as cartas da minha mão por conta de uma vendilion clique, com exceção de uma carta, que era um pyroblast que anulou um planeswalker, ele passa para mim eu compro e passo, Fausto faz outro planeswalker que é anulado por um Red elementeal blast que eu havia acabado de comprar. Após esses 2 counters seguidos em cartas chaves consigo levar o jogo sem mais problemas.
Jogo 3 – Começou com 8 min e não houve tempo de concluir ele, eu acredito que tinha boa chance de ganhar por ter uma vantagem no board e boas cartas na mão quando o jogo acabou, mas nunca saberemos quem ganharia. (3-0-1)

Round 5 – Victor Gomes Shardless Sultai (2-1)
Victor era o único jogador 4-0 do torneio, mas por conta do meu empate eu tinha que ganhar para garantir meu lugar no top 8. Nossos 2 decks são decks de fazer 2 pra 1 e tentar derrotar o outro por card advantage. No jogo 1 eu consegui fazer isso de maneira mais eficiente e ganhei com Jace TMS protegido pelo Gurmag e eventualmente comecei a atacar.
Jogo 2 – Não tive tanta sorte, venho com uma mão que depende muito dos drop 1, mas tomo 1 calice para 1 no turno 2 e não consigo achar resposta para os tarmogoyfs que entraram nos turnos seguintes.
Jogo 3 – Fico com uma mão gananciosa, 1 fetch, 3 brainstorm, 1 blood moon e 2 cartas que eu não lembro. Fico meio indeciso mas acredito que meus brainstorms me acharam lands para eu fazer a blood moon e ganhar, isso realmente aconteceu, mas não da maneira que eu esperava… Eu e o Victor ficamos zicados por alguns turnos, eventualmente eu começo a achar terrenos, mas entre wastelands e fows o jogo estava progredindo muito devagar, e no turno em que o ancestral vision dele iria sair do suspender eu acho o meu terceiro terreno, uso a blood moon fazendo com que ele não consiga mais jogar Magic. Tive que usar 2 comando de Kolaghan pra voltar um gurmag do meu cemitério, porque o primeiro deles tomou a terceira fow do Victor, mas eventualmente o gurmag fecha mais um jogo pra mim. (4-0-1)

Round 6 – Daniel Nunes Fractius (ID)
Com o empate eu e o Daniel estávamos locados no top 8, não vemos razão para jogar e vamos descansar antes do início dos playoffs. (4-0-2)

Há um momento de confraternização e fotos antes do top 8, ganho um booster de iconic master no sorteio e abro um frasco do éter (aparentemente era realmente o meu dia de sorte :D). Termino o suíço em segundo lugar e posso escolher começar contra quase todas as pessoas que eu for pareado, o que eu considero uma tremenda vantagem.

Top 8 – Daniel Nunes Fractius (2-0)
Dessa vez temos que jogar o match sem ter para onde correr. Eu já tinha conversando antes com o Nunes sobre o que ele achava do match e, segundo ele, era favorável pra ele, mas consegui levar mesmo o match sendo desfavorável.
Jogo 1 – Eu não faço nada no primeiro turno enquanto meu oponente faz um frasco do éter, eu sei que o frasco é uma das cartas mais problemáticas pra mim e eu poderia ter dado uma fow, mas como eu tinha comando de kolaghan deixo dele resolver. Turno 2 eu uso um hymn que toma uma fow que por sua vez toma uma fow minha, assim tirando muitos recursos do Daniel. Ele volta subindo o frasco e descendo um fractius musculoso, que, no meu turno, ambos tomam um comando de kolaghan. Daniel segue com um fractius crystalino que toma um edito no meu turno, ele nunca mais consegue o gás pra voltar pro jogo e um Peixão fecha o jogo rapidamente.
Jogo 2 – Eu vou segurando o jogo com as ferramentas que tenho, éditos, strix para bloquear, fow quando ele não usa a caverna das almas para conjurar fractius e komando de kolaghan destruindo frascos e mandando ele descartar, tudo isso por conta do cristalino que não me deixava matar os fractius de maneira eficiente. Porém meu oponente estava floodando bastante e eu já estava com medo dele conseguir ativar o terreno que põe token de fractius, felizmente antes disso acontecer compro a blood moon e faço ela impedindo o Daniel de continuar a fazer criaturas. Eventualmente compro snapcaster e gurmag seguido da segunda ilha básica para fazer meu jace e fecho o jogo sem muita resistência.

Top 4 – Marcelo Salles (Fausto) Uw Miracles (2-0)
Enfrento mais uma vez o Fausto, dessa vez sem tempo e sem chance de um novo empate. Jogo 1 foi bem triste, pois o Fausto teve problemas com seus land drops, enquanto eu desenvolvia meu jogo normalmente, quando ele conseguiu se estabilizar eu já estava muito na frente e não deixei ele voltar para o jogo.
Jogo 2 não teve muito mistério, fow no counterbalance e pyroblasts em pws + snapcasters com balefull strix protegendo o Jace levam o jogo que foi longo, mas sem muitos problemas.

Final – Leandro Messere Uw Delver (2-0)
Foi uma final bem descontraída, estávamos ambos exaustos de um torneio tão demorado, porém muito satisfeitos com a premiação que nos aguardava (Bayou + Bye1 para o Nacional Legacy ou 4 Show and Tell, 2 Intuition e 4 Lotus Petal para o vice).

Jogo 1 – Muitas criaturas morrem dos 2 lados da mesa até que meu oponente faz um true-name que eu não tenho como matar logo, faço snapcaster brainstorm seguido do TNN caçando respostas e não acho nada e uso uma fetch land para embaralhar meu topo. Sigo no meu turno com um Jace olho meu próprio topo, para que eu tenha a oportunidade de olhar o máximo de cartas possíveis atrás de um édito, e quem diria, o meu topo era o édito que o próprio Leandro havia me emprestado antes do torneio começar. O édito mata o TNN e o jace segue sem resposta durante o resto do jogo, que me deu uma vantagem imensa.
Jogo 2 – Foi um jogo bem mais lento, eu não estava com tantos terrenos quanto gostaria e ainda levei algumas wastelands. Consigo anular algumas das ameaças e em um turno faço um comando de kolaghan matando o snapcaster que ele tinha e fazendo ele descartar a carta do turno que era um jace… comando me livrou dessa. Snapcasters + raios e comandos fecham o jogo fazendo com que eu levasse pra casa o bye pro Nacional e a Bayou.

Reflexões finais
O deck é bem complicado de se jogar, mas extremamente divertido. Em um torneio que eu não soubesse o que esperar do meta eu provavelmente usaria um Thoughtseize no main deck no lugar de um dos Inquisition of Kozilek e usaria mais um Pyroblast no lugar de um Hydroblast, no mais acho que não mudaria mais nada no momento, mas com as novas cartas de War of the Spark e possivelmente mais cartas interessantes chegando em Modern Horizons tudo pode mudar em breve.
Espero continuar com resultados promissores para um possível report futuro, quem sabe no próximo Eternal Challenge XD

Abraços
Guilherme

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One comment

  1. MEU GAROTO! ORGULHO DESSE SÓCIO MARAVILHOSO!

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