quinta-feira , maio 23 2019
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War of the Spark no Legacy

Fazia tempo que uma edição não despertava tanto a atenção dos jogadores de Legacy. Raríssimas cartas vinham sendo aproveitadas nos últimos anos. Se por um lado isso não atrapalhava o formato, por outro também não gerava expectativas nem incentivava grandes mudanças. Agora a coisa mudou…

Em War of the Spark existem pelo menos oito cartas que já estão sendo testadas no Legacy, sendo três incomuns, quatro raras e uma mítica.

A primeira delas é uma inclusão automática: Triunfo de Liliana é claramente melhor que Édito Diabólico, na medida em que tem o mesmo CMC (1B), não dá alvo (desviando de Leylines, por exemplo) e além de o oponente ter de sacrificar uma criatura, se você controlar uma Liliana PW ele também terá de descartar uma carta. Quase sempre será mais útil, excetuando-se situações bastante específicas, como por exemplo não permitir dar alvo em si mesmo para sacrificar uma criatura e evitar que o oponente ganhe vida com um bloqueador lifelink ou sacrificar uma criatura para remover uma Bridge from Below de jogo.

Veto de Dovin (instant, UW) é um anula que tem grandes possibilidades de ganhar espaço nos controles e midranges, ainda que seja no sideboard. Pode definir uma guerra de anulas e até ganhar o jogo pra você contra combos, já que ele não pode ser anulado.

A terceira carta que gostaria de destacar é Narset, Parter of Veils (1UU). Uma eficiente PW de apenas 3 manas, cuja habilidade estática é impedir que seus oponentes comprem mais de uma carta por turno e seu -2 faz uma ativação de Search for Azcanta (olha as quatro do topo, revela uma carta que não seja terreno nem criatura e a coloque em sua mão; as demais vão para o fundo do grimório). Se esse efeito parece bom, imagine ele conjugado com Sanatório da Cordilheira de Geier (Land, paga 2, vira: cada jogador compra uma carta e descarta uma carta). Agora pense no que aconteceria se você resolvesse um Day’s Undoing com essa Narset em campo… Pois é, brutal! Tudo bem, você pode dizer, são efeitos conjugados. Mas o fato é que ela é muito boa mesmo sozinha. Como entra com 5 marcadores de lealdade, num board estável é como se você travasse o oponente de maneira parecida com o efeito do Leovold e ainda ter o poder de ativar Azcanta duas vezes (sem pagar a mana). Em qualquer match em que seu oponente não esteja jogando com decks muito aggros você terá uma aliada que pode ser decisiva no caminho para a vitória.

Teferi, Manipulador do Tempo (1UW), tem sido uma aposta dos jogadores de Miracles e UWx Blade. Por apenas três manas você impede seu oponente de fazer qualquer magia em instant speed e seu +1 permite que você faça feitiços em instant speed. Parece forte, não? E é. Como se não bastasse, ele tem um -3 que lida com quase qualquer coisa: bounce em artefato, encantamento ou criatura. E compra uma carta. Só faltou servir o cafezinho 😉

Os decks que possuem suas estratégias baseadas em terrenos + cemitério, como o Lands e o Aggro Loam, também ganharam um presentão: Blast Zone. É um terreno que entra com um marcador de carga e você pode pagar XX e virar para colocar X marcadores nele. Também pode pagar 3 incolores e sacrificar para fazer o mesmo efeito de Explosivos Fabricados, que já vinha sendo utilizado em algumas versões do Lands como forma de segurar a onda de decks muito agressivos (dando conta de delvers, guides, mangustos e outros bichos que podem impor um clock avassalador). A carta também parece fabulosa contra o Death and Taxes, já que leva na mesma explosão a Madre e o Vial, por exemplo.

Gideon Blackblade é outro PW que começou a demonstrar muita força no selado e passou a ser cogitado para o Death and Taxes. Com CMC 1WW, pode ser ainda muito eficiente no turno 4, caso você controle uma Thalia. Suas habilidades no deck são extremamente relevantes. Seu +1 dá vigilância, lifelink ou indestrutível para até uma criatura até o fim do turno, o que num deck com 26 criaturas é, digamos, bem fácil de acertar. E seu -6 traz uma novidade extremamente relevante para o Death and Taxes: exila uma permanente que não seja terreno. Vale lembrar que ele entra em campo com 4 marcadores de lealdade, logo sobe para 5 e daí a dois turnos já pode chegar numa habilidade que o deck apenas tinha acesso no pós-side, com Council’s Judgement.

Outra carta que tem sido cotada para o Death and Taxes é o Tomik, Distinguished Advokist. Criatura lendária custo WW, 2/3, voar e dono da distinta habilidade de acabar com a graça do oponente que está jogando com Lands ou Aggro Loam, além de lhe colocar em franca vantagem no mirror. Vejamos o texto da carta: “Lands on the battlefield and land cards in graveyards can’t be the targets of spells or abilities your opponents control. Your opponents can’t play land cards from graveyards”. Pra quem não entendeu, o flavor é cabal: “Some bend the law. I tie it into knots”. Isso simplesmente desliga (apenas do seu oponente) Wasteland, Porto, Life from the Loam, Palco Dramático, Crisol dos Mundos e por aí vai. Em contrapartida, sua resistência 3 impede que ele seja tutorado pelo Recruiter, o que pode ser um obstáculo à sua presença no MD. O tempo dirá.

Por fim, vamos chamar a atenção para o Karn, the Great Creator. Seguindo a tendência de apresentar bons PWs com CMC baixos – o que hoje em dia é praticamente condição sine qua non para se jogar Legacy, ganhamos de presente esse cara de CMC 4 (incolores). Como sabemos, ter um CMC como esse significa que poderá ser conjurado no segundo turno em razão das sol lands e outros aceleradores não permitidos no Modern ou no Standard. Mas vamos às suas habilidades: seu oponente não pode ativar habilidades de artefatos, ou seja, ele vem com um Null Rod embutido. O +1 anima um artefato que você controla até o final do turno (P/R igual ao CMC). Mas o melhor ficou pro final: seu -2 tutora qualquer artefato do exílio ou de seu sideboard direto para sua mão! Isso mesmo que você leu. Ou seja, numa build de Painter ou Bomberman, agora é como se você jogasse com 7 cópias de uma das peças do combo no Main Deck!

Claro que ainda é cedo para afirmarmos qualquer coisa. A edição começa a valer em torneios fora do MOL, ou seja, numa mesa com dois oponentes frente a frente, naquele grande encontro como idealizado pelo criador do jogo, a partir desta sexta-feira, dia 3 de maio, quando War of the Spark será oficialmente lançada no mundo todo. Daí em diante surgirão novas builds, outras serão aperfeiçoadas e ainda tem muita água pra rolar debaixo dessa ponte antes de podermos garantir que esta ou aquela carta se tornará staple no Legacy. Seja como for, esses são os meus palpites. Vamos acompanhar com muita atenção as listas que farão resultados ao longo das próximas semanas, a começar pelos torneios que vão rolar no Brasil neste domingo, dia 5 de maio, que juntos devem levar mais de 100 jogadores a campo: a sexta edição do Eternal Challenge, que será realizada na loja PVP, em Brasília, e a quinta etapa do Legacy RS, que vai rolar na Pharaoh’s Shop, em Novo Hamburgo.

Acompanhe as notícias do site que em breve traremos as decklists destes Top8s e também faremos outros comentários sobre esta nova centelha que pode estar iniciando um período de grandes novidades para o Legacy!

Um grande abraço do
Fausto

PS – Agradeço ao amigo Genilton Parente por ter me lembrado de incluir Blast Zone na lista e ao querido Rodrigo Debastiani (Gordo) por ter me falado do Tomik, Distinguished Advokist! Também agradeço ao amigo Bruno Orelha pela revisão! Vocês são demais, valeu!

About Fausto de Souza

Fausto de Souza é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles, que joga e coleciona desde 1994. Viciado nas cartinhas e em escrever, tem feito grandes amigos em toda a comunidade e é muito grato por isso.

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