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London (mulligan) calling!

No próximo dia 12 de julho, com a atualização das regras de M20, será introduzido um novo formato de mulligan em todos os formatos de Magic: The Gatghering. É mais uma tentativa da Wizards of the Coast de reduzir a punição que os jogadores têm ao serem obrigados a buscar uma mão jogável depois de as primeiras serem péssimas. Na história do jogo, é o quarto diferente tipo de mulligan, e há esperança que menos jogos sejam decididos antes mesmo de acontecerem.
O novo mulligan é simples de entender: se um jogador não estiver satisfeito com sua mão inicial, ele pode reembaralhar e comprar novamente sete cartas. Então, ele escolhe, no primeiro mulligan, uma delas e coloca-a no fundo do deck. Se repetir a operação, compra sete e coloca duas no fundo do deck, e assim por diante, sempre botando uma carta a mais “pra baixo” que no mulligan anterior. Não há mais o scry 1, como no Vancouver Mulligan, que é o sistema atual.
No início, o mulligan se dividia em dois tipos: o “no-land mulligan” (mão sem nenhum terreno) e “all-land mulligan” (sete terrenos na mão). Nesses casos, o jogador mostrava a mão ao oponente, reembaralhava e comprava sete cartas. Não raro, um terreno, ou um spell, arruinavam tudo e nunca havia um jogo propriamente dito. Em 1997 foi instituído o Paris Mulligan, que durou até 2015.
Nesse período, o jogador tinha a opção de desistir de qualquer mão, embaralhar e comprar uma carta a menos. Uma variação dele foi o Vancouver Mulligan, em que, depois de comprar uma carta a menos do que tinha antes do mulligan, o jogador fazia vidência 1.
Todas essas medidas buscam amenizar os efeitos de começar os jogos com cartas a menos, e o London Mulligan é a cartada mais recente. Se antigamente o Paris Mulligan até conseguia equilibrar razoavelmente as partidas, com o constante crescimento do power level das cartas, cada card na mão passou a ser mais importante, e sair “na ré” foi ficando insustentável, a ponto de quem fazia mulligan a 5 praticamente ficar sem chances contra um oponente que não mulligava.

Mulligan a 5 (ou menos) “feels like”…

Se no Standard, que é um formato dominado por criaturas e em que o atrito no início do jogo até permitia reações atualmente mulligar já é meio caminho andado para a derrota, imagine em formatos eternos, sem rotação e com muitas outras combinações e decks possíveis?
Escolher seis (ou menos) cartas em um universo de sete parece uma tentativa válida para reduzir os “não-jogos” e o stress causado ao jogador pela simples possibilidade de fazer um mulligan. Em muitas oportunidades, arriscam-se mãos duvidosas pelo pavor de começar com menos cartas na mão. Isso pode ficar menos frequente agora.
Quando houve o anúncio do Vancouver Mulligan, ouvi mais de um jogador reclamar que isso beneficiaria demais os decks de combo e Delver, que o scry ia quebrar o jogo etc., etc. Como vimos nos últimos quatro anos, nada disso aconteceu, e nem a medida trouxe grandes mudanças ao cenário dos jogos. Mulligar seguiu sendo sinônimo de ter que escalar uma montanha para vencer.
Agora, com o London Mulligan, essas conversas retornaram à pauta, e nas primeiras semanas de testes no MOL, pipocaram todos os decks que teoricamente podem tirar vantagem desse novo método. Ele realmente parece melhorar as chances de quem mulliga, mas ainda assim, a(s) carta(s) a menos faz (fazem) a diferença.

Lá vem o povo reclamar que o Magic vai acabar com o novo mulligan…

A própria Wizards reconhece que o sistema mudou um pouco o metajogo, mas afirma que, em seus testes, isso foi balanceado com as cartas de sideboard, que podem ser “caçadas” melhor no London Mulligan.
No anúncio feito por Ian Duke no site oficial do jogo, ele expõe as esperanças com a medida:

Com isso, nós esperamos que o metajogo mude um pouco com o London mulligan. Toda vez que um sistema de jogo traz mudanças como a nova regra de mulligan, ela afeta alguns decks diferente de outros. A pergunta é se o metajogo se adaptará às mudanças e chegar em um equilíbrio novo e saudável. Então todos os sinais apontam para o ‘sim’, Moderno incluso.

E a justificativa oficial é óbvia e mais do que justa:

(…) o objetivo de cada mudança foi dar à comunidade jogadora maiores chances de ter uma compra inicial que leve a uma partida competitiva onde qualquer um dos envolvidos possa ganhar.

Então, a partir do dia 12, os jogadores terão que se acostumar a um novo sistema de mulligan, às suas vantagens e desvantagens. Acredito que toda tentativa para criar jogos mais justos seja válida, e confio na equipe de playtest da Wizards of the Coast. É claro que todas as decisões são feitas pensando principalmente no Standard e nos selados, que são as principais fontes de lucro da empresa, mas eles tomam o cuidado para não arruinar os formatos eternos. Assim, da mesma forma que um Reanimate pode catar seu combo até encontrá-lo, quem bota Leyline of the Void pra dentro no jogo 2 também pode procurá-lo com mais afinco e terá mais chances de achar pelo menos um.

About Paulo de Tarso

Jornalista de formação, vive a (e de) escrever. Joga (mal) Magic desde 1995, e encontra diversão para compensar a falta de talento para o jogo utilizando cartas e decks que não são muito usados por aí. De vez em quando flerta com algum relativo sucesso ao beliscar um top 8, mas não é muito afeito às mesas iniciais. Atualmente joga Legacy e alguns drafts.

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