quarta-feira , agosto 21 2019
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A encruzilhada do Modern

Um fantasma paira sobre o Modern. Pouco mais de um mês após o banimento da Ponte das Profundezas a Wizards se vê novamente diante de uma encruzilhada: ou mexe novamente, ou corre o risco de ver o formato dominado por um único deck: Hogaak. Grande parte dos analistas entende que algo deve ser feito, e rápido. Paulo Victor Damo da Rosa e Tom Ross escreveram, na semana passada, artigos nesse sentido. O brasileiro chegou a dizer, em sua coluna de estreia na StarcityGames, que o deck está mais estourado que o Eldrazi antes do banimento do Olho de Ugin.

Entre os que arriscaram a palpitar sobre o tema a única dúvida é com relação à carta que deve sair: Faithless Looting ou o próprio Hogaak estão entre os mais cotados, já que a mera saída da Ponte das Profundezas não resolveu o problema. Em comum, está o fato de que ninguém acredita que o próximo banhammer passará em branco no dia 26 de agosto.

O principal argumento é que Hogaak consegue vitórias consistentes no terceiro turno, num formato em que não se espera que os jogos terminem tão rápido. Sim, existem outros decks capazes de vencer tão cedo ou até mesmo antes. Porém, o grande diferencial é que esses outros são suscetíveis a um anula bem encaixado ou a um descarte cirúrgico, enquanto o Hogaak simplesmente passa por cima disso. A carta é tão forte que parece ter sido desenhada para o Legacy ou Vintage, formatos onde ele já começa a conquistar espaço sem no entanto ameaçar sua diversidade.

Traduzindo em números: dos vinte maiores pontuadores na fatia Modern do Mythic Championship Barcelona, torneio realizado no último fim de semana de julho, tivemos: 11 hogaak, 2 uw, 2 jund, 2 urza, 1 Phoenix, 1 Humans e 1 tron. Ou seja, a tendência de conversão do Hoogak é tão superior à dos demais decks que se nada for feito ele se tornará hegemônico. Outro dado que revela a necessidade de mudanças no Modern é o altíssimo número de grave hates utilizados no torneio – muitas vezes Main Deck -, sendo que a carta mais usada no campeonato profissional foi Leyline of the Void.

É de se perguntar como um formato sobre o qual a Wizards possui absoluto controle, podendo printar e reprintar cartas sem qualquer restrição, pôde chegar a este ponto, em que a reclamação é generalizada: desde os profissionais até os jogadores das lojas locais, todos concordam: o Modern não está saudável e algo precisa ser feito.

 

About Fausto de Souza

Fausto de Souza é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles, que joga e coleciona desde 1994. Viciado nas cartinhas e em escrever, tem feito grandes amigos em toda a comunidade e é muito grato por isso.

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