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#NL2019 – Daniel Nunes, o Homem-Fractius

No Jornalismo dizemos que um profissional se mantém pela qualidade de sua redação, pela sua capacidade de apuração ou então por ser uma grande figura humana. Quer dizer que pelo menos uma característica positiva ele precisa ter. No mundo do Magic, um grande jogador também precisa de qualidades para se manter, e no caso de Daniel Nunes, podem acreditar, ele possui muitas. Capaz de tomar decisões dificílimas em curto espaço de tempo, o rapaz é um profundo conhecedor do Legacy e deckbuilder da melhor qualidade, afinal, estamos falando do cara que inventou a melhor lista de Fractius do mundo, que suscitou a curiosidade de jogadores consagrados como Jarvis Yu, Bob Huang e o atual campeão do GP Atlanta, Cyrus Corman-Gill. Como se não bastasse, Daniel é também uma grande figura humana, uma pessoa extremamente querida que faz amigos por onde quer que passe.

Nesta entrevista concedida ao Eternal Magic, vamos conhecer melhor o irmão caçula da família Nunes (são 3 + 2 primos no Legacy), que teve seu primeiro contato com o jogo ainda muito novo, com 7 ou 8 anos, e foi escalando os formatos até chegar ao Legacy: “a sensação de perigo constante e de que os jogos nunca são iguais”, como ele diz, são algumas das razões que o levaram a adotar o Legacy enquanto seu formato favorito. Colecionador de resultados a partir dos 17 anos, ele tem diversos 5-0 no MOL, Top8 no Nacional Legacy e atualmente briga pelo Top4 no ranking do Eternal Challenge, campeonato de pontos corridos em Brasília.

Daniel Nunes elogiou o trabalho realizado pelo atual organizador do Nacional, Thiago Duarte: “ele e toda a equipe realizaram um evento fantástico ano passado e a tendência é só melhorar nesse ano”. Suas expectativas para o torneio são altas, na medida em que deseja uma posição diferente – e melhor – que a do ano passado, quando ficou em nono lugar. Com certeza o Homem-Fractius vai disputar o torneio de igual para igual com os melhores jogadores do Brasil e ao tempo em que ele mostra ao mundo que é possível jogar em alto nível e fazer resultados no Legacy mesmo sem cartas da Reserved List.

Confira a íntegra:

Daniel Nunes na mesa de streaming durante o Nacional Legacy 2018

 

Qual seu nome, idade e profissão?
Meu nome é Daniel Nunes, tenho 24 anos e sou servidor público.

Em que ano conheceu o Magic?
Conheci o Magic por volta de 2001, na época com 7 ou 8 anos, através dos meus irmãos.

Como foi sua migração do casual para o competitivo?
Comecei no competitivo sem muitas pretensões, por volta de 2012 ou 2013. Eu e meus irmãos ficamos sabendo que organizavam campeonatos Pauper em Brasília e montamos alguns decks porque o formato parecia divertido e já tínhamos uma boa parte das cartas. Rapidamente peguei gosto pela coisa. Jogar em ambiente competitivo, talvez pela maior adrenalina envolvida ou pela possibilidade de enfrentar pessoas que se dedicam e estudam o Magic, traz emoções únicas. Comecei a participar de vez em quando do Standard, com alguns decks emprestados, até montar decks Modern e, por fim, Legacy.

Quando elegeu o legacy como formato favorito?
Me apaixonei pelo Legacy quando percebi como o formato é imprevisível, até pela grande variedade de cartas disponíveis. Alguns jogos terminam em viradas incríveis, com interações absurdas e em pequenos detalhes; às vezes um board extremamente favorável de repente é subjugado porque o oponente resolveu uma carta que você não conhecia ou não previu naquele momento. Em outros jogos você pode ser combado logo nos primeiros turnos e perder feio, e isso na minha opinião também faz parte do que torna o Legacy interessante: a sensação de perigo constante e de que os jogos nunca são iguais.

Quando começou a jogar de Fractius e por que escolheu esse deck?
Eu gostava do flavor desde criança, ficava maravilhado vendo os fractius de Investida, a forma como eles se comunicavam e funcionavam em conjunto. De vez em quando brincava com algumas invenções no Magic Workstation. Já no Legacy, por volta de 2015 eu jogava de Merfolks e resolvi tentar os Fractius. No princípio parecia impossível porque todas as listas usavam uma quantidade enorme de duais, mas construí uma base de mana diferente, mudei vários conceitos do deck e resolvi experimentar. Comecei mais por brincadeira, para variar um pouco, hoje ele é minha principal escolha de deck e a que me trouxe mais resultados.

Com o tempo vc masterizou o deck e fez sua lista própria, hoje tem seguidores no mundo todo. Como se sente com isso?
Pra mim é extremamente gratificante, surreal e um pouco assustador até. No começo era meio que uma brincadeira, um deck divertido de jogar que gerava algumas risadas quando vencia nos campeonatos locais de Brasília, mas com o tempo comecei a me dedicar a fundo ao deck, estudar os matchups, buscar opções para minimizar as fraquezas e maximizar os pontos fortes, as opções de sideboard que dariam maior alcance e assim por diante. Fiz dezenas versões do deck de lá pra cá, muitas vezes mudando só uma ou duas cartas e uma coisinha no sideboard por haver descoberto uma aplicação diferente.

Quando dei por mim, a coisa estava evoluindo, alguns amigos começaram a se interessar pelo deck, até a me fazer perguntas e cogitar comprar as cartas. Os resultados foram ficando mais visíveis, tanto pelas divulgações dos primeiros campeonatos do Eternal Magic, que sempre foram uma importante parte da minha performance como jogador, quanto por comentários das pessoas de loja em loja e assim por diante. Em 2017 resolvi entrar no Magic Online, com o objetivo de aperfeiçoar meu deck e treinar para o Nacional Legacy 2017, e de repente me descobri recebendo mensagens de gente de várias partes do mundo, emails, mensagens no Facebook, convites para grupos de Legacy e mensagens em fóruns que eu mal frequentava ou nem sabia que existiam. Começaram a citar ou analisar o deck em alguns artigos e podcasts Legacy, como no Mtggoldfish, no Reddit, Channelfireball, Everyday Eternal, e de vez em quando eu era surpreendido ao abrir o Twitch ou o YouTube e me deparar com algum streamer jogando com alguma lista minha.

Recebi comentários e perguntas sobre a performance do deck até de jogadores de altíssimo calibre, como Bob Huang, Jarvis Yu e o recente campeão do GP Atlanta, Cyrus Corman-Gill. É claro, grande parte disso tudo foi mera curiosidade ou interesse casual, não estou querendo dizer que isso torna o deck Tier 1 ou algo tão grandioso assim, mas definitivamente ele me traz muito orgulho.

Seus resultados no MOL e no papel são impressionantes. Pode falar um pouco sobre eles?
Bom, não sei se são tão impressionantes haha, mas obrigado. Vou tentar lembrar os principais desde quando comecei a jogar de Slivers. Fiquei em primeiro lugar no ranking Legacy da Inside Games, se não me engano em 2015 e 2016. Fiz top 8 no Nacional Legacy 2017, top 8 no primeiro Open Legacy da Asgard Games, em 2017, e primeiro lugar no segundo Open, em 2018. Primeiro no ranking CLM Legacy 11 e 12, organizados também pela Asgard Games em 2018, finalista na final do CLM 11, em 2018, fiquei no infeliz nono lugar no Nacional Legacy 2018, e fiz top 8 em três edições do Eternal Challenge em 2019. No MOL eu tenho alguns 5-0 publicados, você pode encontrar no Mtggoldfish (https://www.mtggoldfish.com/player/danielnunes).

Quais as suas expectativas para o #NL2019?
As melhores. Tenho grande expectativas para o evento desse ano, tanto pelo cenário local de que eu participo, em Brasília, que tem passado por uma fase fantástica de crescimento em número de jogadores e também em nível de jogo desde a criação do ranking do Eternal Challenge, quanto também pelo empenho da organização do Nacional Legacy, o Thiago e toda a equipe realizaram um evento fantástico ano passado e a tendência é só melhorar nesse ano. Minha única decepção com o Nacional Legacy 2018 foi ter ficado justo em nono lugar, espero conseguir outra posição nesse ano.

About Fausto de Souza

Fausto de Souza é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles, que joga e coleciona desde 1994. Viciado nas cartinhas e em escrever, tem feito grandes amigos em toda a comunidade e é muito grato por isso.

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