terça-feira , novembro 12 2019
Home / Reports Campeões / Top32 no Eternal Weekend!

Top32 no Eternal Weekend!

No dia do torneio acordamos cedo, por volta das 7h. Havia tempo suficiente para nos arrumarmos, achar um lugar para tomar o café e seguir para o David Lawrence Convention Center, que não ficava muito longe de onde estávamos. No entanto, não contávamos com uma nevasca em pleno outono que congelou os vidros do carro e deixou metade da cidade parada.

Com os atrasos, os 15 minutos não seriam suficientes nem de perto, e decidimos pular o café e seguir direto para o torneio, de barriga vazia e mãos congeladas. Afinal, não é todo dia que um carioca que vive em Brasília tem que tirar o gelo do para-brisas do carro com dois graus negativos.

Enfim, com frio e emoção, chegamos já bem perto das 9h para aquele que seria o maior evento do fim de semana: Legacy Eternal Weekend 2019, que contou com 539 jogadores. 538 com esperanças de um bom desempenho e um só pensando em como iria aquecer o esqueleto para poder ao menos segurar as cartas com firmeza.

Para ser bem honesto, eu já não nutria grandes expectativas desde o momento em que ainda podia sentir a ponta dos dedos. No clima saariano de Brasília, só havia jogado com o deck duas vezes, em dois Trials do Eternal Challenge. Então, além de não ter muita rodagem com o deck, eu queria mesmo era falar com os artistas, ir atrás de singles difíceis de achar, quiçá beliscar um paralelo aqui, outro acolá.

Só que o deck, para contrariar minha má vontade, estava mandando muito bem. Ainda assim, eu tentava pôr tudo a perder. Como disse o filosófico “pofexô, o medo de perder tira a coragem de ganhar”. E eu, que já estava sem nenhuma vontade de ganhar, só queria uma desculpa para dropar.

E ela timidamente apareceu, lá na quarta rodada. Comentei com o Felipe Medeiros, em um misto de desânimo e cinismo, que não estava muito a fim de continuar. Ao que, prontamente, ele não só respondeu, como ameaçou me matar com o olhar: “Tá maluco? Você tá indo bem, continue jogando”.

Mas eu continuava sem ver muito motivo, seriam muitas rodadas e muitas horas até o fim… e os artistas e paralelos não iriam esperar por mim. Vendo em minha expressão o desejo de desistir, ele disparou: “Você tem ideia de como isso pode mobilizar a comunidade no Brasil? GET YOURSELF TOGETHER, MAN”.

Aí eu entendi o recado, retomei a concentração, e, com a preciosa colaboração do deck, cheguei a abrir 6-1, o que me levou a ser chamado para jogar na feature match area, com direito à streaming na mesa principal (vocês podem assistir a este jogo no Twitch da Card Titan).

Pela comunidade Legacy vale o esforço! Infelizmente não consegui classificar para o Top8, mas terminei o torneio com um recorde de 7-2-1, no Top32, o que me tornou o único brasileiro a premiar num Eternal Weekend nos Estados Unidos (Eduardo Shimizu já premiou na Europa). Com o cash recebido peguei uma Tundra, que será utilizada nas premiações do Eternal Challenge.

Não me recordo de todos os aspectos dos jogos, até porque a última coisa que esperava era escrever sobre eles, porque a primeira coisa que queria fazer era dropar. Mas retive algum nível de memória de todos eles. Então fiz esse report abaixo, para compartilhar com vocês a minha experiência nesse torneio e deixar bem claro: se eu consegui, qualquer um de vocês também pode. Muito obrigado pela torcida de todos, em especial dos amigos que não puderam viajar, como Marcelo Coutinho e Fábio Ancelmo, que organizam comigo o Eternal Challenge! E um super obrigado aos patrocinadores do site, Vault of Cards, Power 9 e Geex Hobby Store. Vocês são demais!

Segundos antes do início da oitava rodada, que joguei na feature match area

Report Eternal Weekend

Storm ANT 2×1
Ele começou estourado e combou no segundo turno, não tive chance. No game 2 ganhei com Veil of Summer garantindo resistência à magia frente a um Seize e combando na volta. No game 3 venci respondendo ao cast de um Past in Flames com Crop Rotation para Bojuka Bog. 1-0

Miracles 2×1
Comecei bem, porém ele controlou o jogo com uma série de cantrips e removeu todas minhas criaturas com Plowshares + Mystic Santuary até resolver um Entreat the Angels. No game 2 o deck me ajudou e me deu o combo mesmo depois que ele fez um Terminus que levou dois elfos e um dark confidant para o fundo do grimório. No game 3 ele não conseguiu comprar as remoções, apesar de ter cavado bastante, e consegui a vitória no terceiro turno atacando com a Marit Lage. 2-0

RUG Delver 2×0
Primeiro dos quatro Delver decks que enfrentei no campeonato, foi um jogo relativamente tranquilo. Usei os descartes para os anulas e pude combar cedo, em ambos os games contando com a sorte de não ver nenhuma wasteland pela frente. 3-0

RUG Delver 0x2
Minha primeira derrota no torneio. No G1 o oponente colocou um clock rápido e manteve o controle sobre o combo com wastelands e anulas. No G2 eu muliguei a 4 e praticamente não teve jogo. Ainda consegui reunir as peças do combo e fazer um descarte antes de ativá-lo, que infelizmente revelou dois bounces. 3-1

Elfos 2×0
No primeiro game consegui combar para a vitória no turno 2, sem interação do oponente. No G2 ele começou bem estourado, colocando cinco elfos e um scavenging onze logo no segundo turno. A impressão que tive era de que ele venceria na volta. Porém fui salvo por um Plague Engineer no meu segundo turno, que pôde entrar graças à aceleração da Mox Diamond. Esse game se estendeu um pouco, pois as peças do meu combo demoraram a aparecer. O Ooze chegou a ficar 9/9, mas sem poder atacar devido ao deathtouch do Engineer. 4-1

Eldrazi 2×0
Foi a partida mais tranquila de todas. Ele começou com Mímico, eu voltei com Seize retirando Endbringer (sua mão revelou ainda Reshaper, Dismember e Warping Wail, Olho de Ugin e Templo). Eu fiz o elfo que estava garantindo o combo no terceiro turno. No G2 ele veio com bastante hate, como wasteland e algumas cartas de side, como o artefato que remove contadores para virar criaturas. Porém não tinha clock e me deu tempo para jogar em torno. Quando ele finalmente resolveu um Thought-Knot Seer, viu 2 decays + 3 cartas. Como o combo estava na mesa ele apenas concedeu. 5-1

UR Delver 2×1
Considero esse um deck bastante difícil de enfrentar, pois ele possui um clock eficiente e anulas. Ganhei o G1 jogando ao redor de Daze, já que minhas magias eram escassas. No G2 eu tive que arriscar o combo mesmo sem usar descarte antes, já que ele estava com um clock muito acelerado. Tomei um vapor snag e perdi. No G3 fiquei com uma mão excelente, que além de ter o combo tinha também descarte. Foi o suficiente para levar a partida e embalar 6-1 no torneio.

Red Stax 0x2
Essa partida está disponível no twitch da Card Titan e ainda vai ficar na minha cabeça por muito tempo. Eu keepei uma mão que tinha o combo no turno 2, que é basicamente o melhor que você pode querer com esse deck. Comecei com Mox, Peatland e Hexmage, para na volta fazer o Dark Depths. Meu oponente saiu com Chrome Mox, Tumba e Blood Moon. Não foi muito fácil realizar o que estava acontecendo… Mas o oponente foi fazendo Blood Moon, Blood Sun e outras peças de stax, enquanto o vampiro ia lentamente sugando seu sangue. Ele foi a 2 de vida quando comprou a Chandra nova, que lhe permitiu o início da virada. No game 2 eu muliguei a 6 atrás de uma mão melhor, porém nenhuma das duas tinha nada do side. Por outro lado, o oponente não resolveu nenhuma Blood Moon ou Blood Sun no início, me dando tempo para combar. Ele tinha cálice, trinesfera e com o Karn buscou a Spyglass, que fez nomeando Palco Dramático. Eu tinha um Troféu do Assassino na mão e esperava derrubar a Spyglass para então combar e fazer com que ele perdesse o macaco, que estava me atacando naquele ponto. O que eu não sabia era que meu Palco transformado em Bayou poderia ter dado alvo no Dark Depths mesmo com a Spyglass em campo. Esse detalhe me custou o game e a partida. 6-2

RUG Delver 2×0
Novamente um Delver, outra vez o temido Deck to Beat do formato. Clock, wasteland, W6, anulas, tudo o que você não quer ver pela frente. No G1 comecei com elfo, ele não fez nada, voltei com dark confidant que morreu para o W6. Na volta fiz o 20/20 antes que ele pudesse descer uma wasteland e ele concedeu. O G2 foi ainda mais tranquilo, embora ele tivesse segurado dois turnos com stifle. Mas sem nenhum clock ficou tranquilo pro meu lado. 7-2

BG Depths 1×1
Décima e última rodada do campeonato, primeiro mirror. Comecei no play bastante acelerado, com dois descartes no primeiro turno. Sabendo a mão dele e conhecendo o deck não foi difícil tirar as principais cartas e vencer. No G2 eu acredito que tenha feito uma escolha errada. Quando fiz o Seize, vi um Hexmage, um Dark Confidant e outras cartas. Como eu não tinha o combo rápido deveria ter tirado o Dark Confidant e rezado para ele não comprar o Dark Depths, porém eu tirei o vampiro e ele conseguiu cavar 4 cartas extras com o Bob, encontrando o combo quando estava a 1 de vida. Fomos para o G3 já nos turnos e não deu tempo de encerrar. 7-2-1.

About Fausto de Souza

Fausto de Souza é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles, que joga e coleciona desde 1994. Viciado nas cartinhas e em escrever, tem feito grandes amigos em toda a comunidade e é muito grato por isso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *