quinta-feira , junho 4 2020
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Meu reino por um milagre

Por Stefano Silveira

PRÓLOGO:

Entre os dias 29/11 e 1º/12 participei da décima edição do Nacional Legacy, mais tradicional evento do formato no Brasil e maior da América Latina! O evento principal contou com 127 jogadores, competindo por uma premiação insana de 21 old dual lands (o que dá quase 20 mil reais). Também rolaram 11 Trials na sexta-feira, Chaos Draft (old Ravnica, Eldraine, edições Master), Win a Badland, sorteio de Bayou, Tarmogoyf e outras cartas, leilão de uma outra Bayou, Super Legacy no domingo com premiação de 4k em dinheiro, Stream digna de Pro Tour (não me faça chamar de Mythic…) com narração irada do Henrique Belumat e do Fausto Souza (além de convidados) e muito mais!

Foi a coroação de dez anos de um evento feito pela e para a comunidade. Foi foda!

O Nacional Legacy existe desde 2010, mas só passei a jogá-lo a partir de 2016 – comecei no formato apenas em 2014. Em todas as participações, o deck escolhido foi o Miracles.

Na minha primeira edição, saí vencedor, após o alinhamento de astros me colocar no Top 8 por desempate de standings. Naquele ano, joguei com a versão UWr e a final foi contra o querido Mauro Edi, de Grixis Delver.

Quatro meses depois, o Tampo de Adivinhação do Sensei foi banido. Depois de gravitar entre vários decks controle, em setembro de 2017 desenvolvi o “Sooth Miracles” que voltava a abusar da carta Contrabalançar, em conjunto com outro “tampo”: Augúrio. É, eu sei, a carta é bosta, mas ela facilitava demais nossa vida contra decks Delver, cheios de mágicas de custo 1, e evitava mágicas recursivas, como Fogo Punidor e Vida da Marga, de Lands e Loam. Também era favorável jogar contra Storm, uma vez que este arquétipo sofre muito para hates permanentes, como o Contrabalançar ou Cálice do Vácuo. Quando se joga de controle, o negócio é adaptar-se ao ambiente, não interessa se o deck vai ficar bonito ou feio! hehehe.

Com esse deck, fui vice-campeão no ano seguinte! Acertei bem o ambiente e consegui garantir a vaga no Top 8, perdendo na final, porém, para o Eldrazi Stompy do Henrique Belumat. Fiquei satisfeitíssimo com meu resultado!

No ano passado, o Nacional passou a ser realizado em Belo Horizonte e o formato mudou, diminuindo o número de rodadas. Não havia mais espaço para deslizes. Optei por jogar de UW Miracles, sem splash, com Retorno ao Básico no deck principal. A escolha pelo Miracles, nesse campeonato, foi mais por paixão do que por razão, já que ele não estava tão bem posicionado. Arrisquei e escolhi jogar com 19 terrenos – num deck que ia até o “Teferão” – Teferi, Herói de Dominária. Como podem imaginar, não deu nada certo e fui mal. Mesmo assim rolou aproveitar o evento e até belisquei um Top 4 no Super Legacy de Domingo (com uma versão “rebelde” do Miracles).

Esse ano, o deck da vez foi o Bant Miracles. Deu tudo certo no torneio, e conquistei o Bicampeonato! Vocês podem conferir meu desempenho a seguir!

Com os amigos do CLC, Marcelo Zwetsch e Marcos Morelli

ESCOLHA DO DECK:

Que ano de mudanças no Legacy! Passei a jogar de Bant Miracles em julho de 2019, usando 3 Véu do Verão de sideboard. Desde então, a escolha pelo splash verde pareceu óbvia, pois o véu, até então a única carta verde no deck, auxiliava muito contra: a) descartes, de quaisquer decks com a cor preta; b) Denegeração Abrupta, protegendo Mentor do Monastério e Contrabalançar; e c) anulando contramágicas adversárias. O início da temporada de Wrenn e Seis indicava, de um lado, que a base de mana sólida do UW e os Retorno ao Básico de maindeck já não ajudavam tanto e, por outro, que as ameaças já não estavam tão azuis, diminuindo a importância do Pyroblast.

Longa história curta, testei diversas – dezenas – versões até a atual, que teve seu primeiro corte desenhado no dia 29 de outubro. No dia anterior, fomos até Itajaí jogar o semanal da Loja Blackout e, conversando com o Cadu, um jogador que está começando no mundo dos milagres, ele comentou que havia comprado um set de Coatl Presa-de-gelo, para testar com decks controle. Com a ideia dele, resolvi testar a cobrinha no Magic Online e deu muito certo!

No dia 10 de novembro foi a estreia da lista em um campeonato em papel, na oitava etapa do CLC – Circuito Legacy Catarinense. Depois de – como sempre – perder a primeira rodada para Dredge (Vicente), venci Death and Taxes (Batata), Rug Delver (João), Maverick (João), Moon Stompy (Jesus – Stream em: https://www.twitch.tv/videos/510473740?t=05h15m41s), UR Delver (Jorge) e UR Delver  (Zilli – Stream em: https://www.twitch.tv/videos/510473740?t=05h15m41s), fechando em primeiro lugar!

Duas semanas antes do Nacional rolou o banimento do Wrenn e Seis e, com isso, a incerteza. Eu já tinha 75 cartas fechadas para o torneio, pois finalmente havia conseguido uma lista que possuía match bem favorável contra RUG Delver. Mais do que os outros decks, o que o Controle mais busca é o meta estável, sem surpresas que não consiga lidar. Se eu estava muito tranquilo para o nacional, pós banimento comecei a me preocupar.

Tentando prever o que vinha pela frente, cortei algumas cartas, como Explosão Hídrica e Descanse em Paz. Outras cartas voltaram a ganhar valor, como Retorno ao Básico. A lista, só a fechei na semana do Nacional:

UWg Miracles
Stefano Garcia

// Main deck : 60

3 Mago da Conjuração-relâmpago
1 Mentor do Monastério
2 Coatl Presa-de-gelo

1 Súplica aos Anjos
2 Oko, Ladrão de Coroas
2 Jace, o Escultor de Mentes
2 Veto de Dovin
2 Força da Negação
4 Força de Vontade

4 Astrolábio de Arcum
4 Espada em Arados
3 Terminus
2 Council’s Judgment
4 Praia Inundada
4 Floresta Tropical Nebulosa
1 Vista Prismática
4 Ilha da Neve
2 Planície da Neve
1 Floresta da Neve
1 Tundra
1 Tropical Island
2 Santuário Místico

// Sideboard : 15

SB: 1 Agulha Medular
SB: 1 Retorno ao Básico
SB: 1 Extração Cirúrgica
SB: 1 Containment Priest
SB: 2 Returno à Natureza
SB: 3 Véu do Verão
SB: 1 Palace Jailer
SB: 1 Facção Vendilion
SB: 1 Explosivos Fabricados
SB: 1 Tempestade Atordoante
SB: 1 Tapete de Flores
SB: 1 Expurgo Celestial

No Maindeck, Mago da Conjuração-relâmpago, Mentor do Monastério, Jace, o Escultor de Mentes, Força de Vontade, Espada em Arados, Terminus e as Praia Inundada dispensam apresentação. Coatl Presa-de-gelo é importantíssimo pelo flash e deathtouch, sendo frequentemente uma troca dois para um – é absurdamente forte contra deck de bicho, e vejo aumentando o número até para três. Oko, Ladrão de Coroas entra no lugar de um Jace e um Mentor e a função dele é, justamente, fazer um pouco de cada: controla o board, é um clock e ainda te ganha vida, selando o jogo contra decks que perdem o gás. Ele se torna extremamente forte no deck em razão do Astrolábio de Arcum, que, após fixar a base de mana, pode servir como Alces 3/3!

Súplica aos Anjos volta ao deck com grande estilo, em razão do novo terreninho, Santuário Místico – com ele, podemos fazer até três Súplicas, inclusive possibilitando jogadas como uma “pequena súplica” para um, apenas para repeti-lo alguns turnos depois. Isso para não falar da possibilidade de ativar o milagre no turno do oponente com o véu, deixando os anjos “incounteráveis”. O Astrolábio, novamente, faz um papel essencial, possibilitando buscar ilhas de forma agressiva, a fim de ativar o Santuário o quanto antes.

O conjunto de contramágicas é minha assinatura já há um bom tempo: 2 Veto de Dovin, 2 Força da Negação e 4 Força de Vontade. Não ligo que criaturas resolvam, pois temos muitas maneiras de lidar com elas. O veto traz segurança e é uma carta sólida tanto contra delver quanto contra combo (Mostrar e Contar) e control. Dois council’s são essenciais, pois essa versão pode ter mais dificuldades em se lidar com True-name Nemesis, Narset, Rasgadora de Véus ou outros planeswalkers.

No side, a última adição foi a Agulha Medular, no lugar de um Retorno ao Básico. Ela também impede o Olho de Ugin contra Eldrazi e o Aether Vial contra Death and Taxes e, por outro lado, freia o Palco Dramático (o que aconteceu contra o Tulio, no evento principal), o pai Griselbrand ou até mesmo a curiosa Retrofitter Foundry. A Extração Cirúrgica volta ao deck no lugar de Descanse em Paz, possibilitando mais uma interação de turno zero.

Explosivos Fabricados também é uma ótima opção, sendo possível até mesmo para 5, com a ajuda dos – veja só – Astrolábios de Arcum. Returno à Natureza é um Desencantar um pouco melhorado, sendo mais um grave hate sem um grande drawback (sim, astrolábio). Tapete de Flores brilha contra qualquer deck azul, seja desviando de soft counters (Perfurar Mágica, Pasmar) dos Delver decks, fazendo cantrips sem virar os terrenos contra combo ou gerando 4-7 manas contra control (possibilitando jogadas como Jace, o Escultor de Mentes com backup de Força da Negação e Força de Vontade, ambas “pagando no braço”). O Palace Jailer é essencial contra Sneak and Show, que é um match difícil, e também é quebrado contra Delver e Control.

No total, a lista usa dezenove cartas de 2019, o que evidencia o ano bizarro que tivemos no Legacy. Todos os decks foram muito afetados com cartas extremamente fortes (e de diversão duvidosa), como Karn, o Grande Criador, Narset, Rasgadora de Véus, Teferi, Manipulador do Tempo, Engenheiro da Pestilência, Véu do Verão, Astrolábio de Arcum, Força de Negação entre outras, para não falar do chefão Wrenn e Seis!

Ah, claro! Mantenho um guia de sideboard online atualizado constantemente, que pode ser acessado neste link aqui: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1QIa1UU2v8VjrRPx3l3B5l-b-pAsALP4LafQjEt20MY0/

Vale lembrar que o Guia de Sideboard é uma ferramenta para ajudar e não deve ser seguido de maneira impensada. Não tenha receio de mudar uma ou mais cartas do plano de jogo, a depender das particularidades do match.

BELO HORIZONTE:

Cheguei em Belo Horizonte na semana anterior ao evento. Fui fazer um concurso jurídico e aproveitei para passar a semana e rever amigas e amigos. Quero agradecer muito a recepção do Roberto Cardoso, que até me levou para o local de prova e, durante a semana, levou-me para vários rolês; do Matheus Alves, que é sempre um querido; do Thiago Duarte, que inclusive cedeu um computador em seu local no trabalho para que eu pudesse trabalhar; e do Henrique Belumat e da Julia Tiemi, que nos levaram para conhecer a terra das meias coloridas e até fizeram um open house para a galera. Consolidei amizades e conheci novas pessoas, o que por si só, já valeu a viagem!

Durante a semana visitei o Parque das Mangabeiras, com várias trilhas, muitos Micos e Quatis – vale conhecer o half pipe do local, nível X-Games. Também fui ao Centro Cultural Banco do Brasil, Praça da Liberdade, Mercado Municipal, além de 173 restaurantes de comida mineira e 132 barzinhos ótimos.

Dano um rolê pela cidade com a amiga Maiara Philippi

JOGOS:

Na quarta-feira participei do semanal da TC Geek, que contou com 30 pessoas. O torneio, com 4 rodadas, premiava com inscrição para o NL Super (evento de domingo do Nacional, com R$ 4.000,00 de premiação), além de créditos na loja.

Minhas partidas foram:

R1: Infect (Rafael Abreu) – 2-1

R2: UW Miracles (Natan Moura) – 2-1

R3: 12 Post (Larissa França) – 2-1

R4: Punishing Eldrazi (Bruno Lanza) – 2-0

Final: 4-0

Fechei 4-0 e garanti, junto com o Luis Felipe Castaings (Chandro), a vaga no NL Super – embora esperasse não ter que utilizá-la!

Apesar do resultado, fiquei receoso com o desempenho do deck, principalmente porque em dois de quatro jogos só venci por erros de meus oponentes.

Na sexta-feira saí do centro de BH e rumei ao hotel que sediou o Nacional Legacy. Quero agradecer a carona (de novo!) do Lucas Campos (Bigode) e do André Gazzinelli, e também do Henrique, que ofereceu para ir com eles e ainda lembrou-me da mala que eu estava esquecendo na loja.

Chegando no Nacional, eu realmente não estava disposto a voltar para casa sem uma Underground Sea, então resolvi logo esse problema: aproveitei a Black Friday e comprei uma Sea (a primeira da vida!) e dois Okos, Ladrão de Coroas na TCGeek! XD~

Os trials começaram às 15h e acabei jogando dois até conseguir o Bye – o sistema era de eliminação simples. A sensação do evento foi o Urza Echo Pile (Eco das Eras), pilotado tanto pelo Fausto Souza quanto pelo Felipe Parada. Para mim, foram os seguintes jogos:

Trial 1:

R1: Grixis Control (Bruno Caminha) – 2-1

Essa partida mudou muito do ano passado para cá. Em 2018 joguei com UW, sofrendo para descartes e para cartas como Estrige Maligna e Liliana, a Última Esperança. Agora, com Oko e Véu do Verão (ou também conhecido como Comando Críptico de uma mana), o jogo virou!

R2: Moon Stompy (Hamilton) – 0-2

Essa partida é “pau a pau”, mas muito perigosa. Perdi o game 1 um turno antes de estabilizar. No game 2, ele começou a cantarolar depois de dizer que ficava com aquela mão (um tique bem comum, mas, confesso, estava desacostumado em tomá-lo no Legacy hahaha), então senti que teria problemas. O ideal nessa partida é manter com Força de Vontade ou Força da Negação, para frear as primeiras mágicas, já que o Moon Stompy costuma despejar a mão inicial muito rápido. O oponente jogou Trinisfera turno 1 e Sol Sangrento turno 2. Apesar de ter as respostas, jamais pude conjurá-las.

Final: 1-1

Trial 2:

R1: Goblins (Henrique) – 2-1

Meu oponente mulligou a 5 no g1 no play, porém eu fiquei lockado de Tempestade Cerebral. Levei o g2 sem grandes problemas. O g3 foi muito complicado, acabei tomando uma Extração Cirúrgica na Espada em Arados sendo que eu tinha mais duas na mão! Apesar disso, consegui levar, fechando o jogo com o Oko, Ladrão de Coroas.

R2: Ant (Bruno Caminha) – 2-1

Mais uma vez contra o amigo de SC. Essa partida foi atípica porque eu li errado a linha de ação no g1 e entreguei o jogo, ainda que estivesse muito favorável para mim. Ocorre que eu estava desacostumado a jogar em papel, então a cada partida fui voltando a me acostumar com o desenho do jogo (uma “desvantagem” para quem treina no Magic Online). Por outro lado, no g2 o Bruno foi quem entregou o jogo, pois não fechou a conta da Gavinhas da Agonia – obrigando-o a passar o turno e desconcentrando-o.

R3: UR Delver (Jurandir Ranghetti) – 2-0

Outro amigo de SC! O match foi tranquilo, pois estava preparado para ele. Minha dica para torneios grandes é: tenha um plano para Delver, um plano para Death and Taxes e um plano para Storm.

Final: 3-0 e Bye 1 no Nacional!

Evento Principal:

R1: Bye 1

Fiquei trocando meus tokens pelos do Bruno Lanza, que mais uma vez fez um trabalho incrível e trouxe inúmeras novidades para o torneio (e várias exclusivas!).

NL Cast, presente!

R2: BG Depths (Adilson Junior) – 1-2

Sempre tive dificuldades em lidar com a primeira rodada do torneio e, estatisticamente, tenho uma taxa de vitórias menores aqui. Normalmente ocorre que a primeira rodada estou fora de ritmo de jogo e mais desconcentrado. Nessa partida, não lembro de cometer algum erro sério. No g3, sofri uma Extração Cirúrgica na Espada em Arados, sendo que eu possuía outra na mão (descarte + Extração) e não consegui achar outra resposta a tempo.

A derrota me abalou, até porque tenho grandes expectativas pelo torneio, e esse resultado significava que dificilmente eu teria chances de dar ID na última rodada. Cada partida é uma partida, então tive que esquecer o revés e seguir o campeonato.

R3: Food Chain Maverick (Thiago Belott) – 2-0

O Thiago ganhou o Alpha Legacy com essa criação que é um Cadeia Alimentar verde e branco, com Empático Feroz e Uivador da Floresta, finalizando de Emrakul, o Fragmento dos Éons. A partida foi tranquila e no g2 ganhei em cima de Sufocar, com a ajuda do Astrolábio de Arcum.

R4: UW Miracles (Bruno Guerra) – 2-1

O Bruno é um amigo do grupo do Miracles. Joga muito bem e é bem tranquilo durante o jogo. Perdi o game 1 e levei os outros dois por conta do sideboard verde. Confesso que eu ainda estava muito desconcentrado na partida e cometi alguns erros de comunicação e estratégia aqui que me preocuparam. Já passava de duas da tarde e ainda não estava concentrado, rendendo muito abaixo do que normalmente faço. O baralho, por outro lado, colaborou muito – aqui contou a preparação prévia ao torneio.

R5: BG Depths (Tulio Reis) – 2-0

O Tulio já disputou diversos Pro Tours e é um jogador muito bom. Essa foi a primeira partida do dia que joguei o fino. Meu oponente não veio muito forte em nenhum dos dois jogos e a partida foi tranquila. No G2, ele chegou a resolver 1 Preservador Silvestre e 2 Confidente Sombrio. Ele já havia conjurado um Hymn to Tourach e o Bob já havia revelado uma Liliana, a Última Esperança, logo, ele havia migrado para o plano de grindar o oponente. Sabendo da Denegeração Abrupta, joguei Explosivos Fabricados para 2 com mana verde aberta. No turno dele, ao invés de jogar Liliana e para evitar que perdesse os Bobs, ele conjurou a Denegeração, que levou um Véu do Verão e que me deu o fôlego para encontrar as demais respostas que viraram o jogo.

R6: Burn (Humberto Martins) – 2-1

Fomos mesa backup da Stream nessa rodada. O Humberto me contou que joga de Sombra da Morte mas que não havia conseguido fechar o deck, então veio com o Burn e que não tinha muita experiência no deck. Uma de minhas derrotas no ano passado foi para um Burn que também veio com esse papinho, então achei melhor ficar muito ligado hahaha.

O jogo contra Burn é sempre muito tenso, e olha que o Oko, Ladrão de Coroas resolveu me ajudar e apareceu cedo nos três games. No g1, baixei o Oko com dois de vida e um Mago da Conjuração-Relâmpago em campo, com meu oponente com 1 montanha em campo e sem cartas na mão… Ele comprou Lava Spike, bora para o G2. O g2 foi mais tranquilo e consegui controlar de Oko.

O g3 foi complicado, levei pressão de Guia Goblin e Lança Veloz do Monastério e – felizmente – consegui estabilizar com 1 de vida. A jogada final, ganhando 6 de ida com o Oko, está na altura de 3h02m da transmissão (https://www.twitch.tv/videos/515277044).

R7: UWg Miracles (Natan Moura) – 2-0

Fui pareado para baixo contra o Natan (que tinha um empate) e agora jogávamos a revanche do semanal. Ele trocou a versão do deck para o evento, adotando o verde, pois sabia da vantagem que a cor estava dando no mirror.

O Tapete de Flores foi essencial, permitindo jogar Jace, o Escultor de Mentes com backup de Força de Vontade custo alternativo (aquele em que o jogador paga 5 manas para usála), além de Oko, Ladrão de Coroas com Força da Negação hardcast.

R8: UR Delver (Bernardo Montez) – 2-0

O Bernardo é do Rio e vinha tendo bons resultados de Moon Stompy por lá. A versão que ele adotou era mais agressiva, com Lança Veloz do Monastério e Mago Caçador de Tempestades. Consegui levar os dois jogos graças ao Oko pareado de Astrolábios e Coatl.

R9: Slivers (Alex Pato) – 2-0

Publicados os standings, eu era o jogador com 21 pontos pior ranqueado. Por isso, fui pareado com o Pato, que possuía 19 pontos e foi obrigado a jogar. A partida foi transmitida na stream, aqui: https://www.twitch.tv/videos/515277044?t=5h46m15s

Eu havia receio da partida, que historicamente sempre foi muito difícil, embora soubesse que essa minha versão estava mais bem preparada para o jogo do que as anteriores. O Pato achou o Fractius Hibernante logo cedo em ambos os jogos. A melhor resposta para o Hibernante é a Súplica aos Anjos e tive a sorte de achá-la nos dois jogos. Depois de três Súplicas no game 1 e duas no game 2, consegui garantir o top 8, passando em segundo lugar geral!

Final: 9-1

Top8 “elkificado”

Pela noite, assim como na noite anterior, a galera se reuniu em um barzinho que tinha ao lado do hotel e que estava ótimo, com muita cachacinha, queijo e cerveja! Hehehe

TOP 8 – Todos os jogos estão disponíveis aqui: https://www.twitch.tv/videos/515675361

Quartas: BR Painter (Irineu Mendes) – 2-0

Temendo o fantasma da desconcentração na primeira partida do dia, tratei de jogar um aquecimento contra o Tomás Campos, que também havia feito Top 8 (RUG Delver) – Obrigado!

A partida contra o Irineu foi complicada, pois em ambos os games ele poderia ter ganhado. No g1, ele deixou de combar para procurar um terreno a mais e jogar com backup – ele tinha Explosão de Chamas na mão – e me deu tempo para jogar um Ponderar que achou a terceira Espada em Arados do jogo.

No g2, fui obrigado a conjurar Espada em Arados no Goblin Soldador, mas ele acabou encontrando o Talismã de Garra dos Desejos. No turno seguinte, ele tinha terreno para ativá-la, procurar e conjurar o Servo do Pintor e ativar o Triturador, mas ele novamente optou por não fazer isso, temendo minha resposta. Se ele ativasse o Pintor e nomeasse azul, eu conseguiria anular o Triturador com o Véu do Verão, porém, caso nomeasse alguma carta Naya (vermelho, branco, verde), naquele momento eu perderia. Minha carta seguinte foi a Espada em Arados, que me deu tranquilidade para fechar a partida.

Semi: UWg Miracles Foundry (Diego Nunes) – 2-0

Eu conhecia bem a lista do Diego, inclusive tínhamos trocado listas de sideboard. Tinhamos poucas cartas de diferença: eu usei Súplica aos Anjos e Santuário Místico, além de Tapete de Flores no side, enquanto ele optou pela Retrofitter Foundry. No game 1, ele não começou de Retrofitter, o que me deu mais tranquilidade. Adotei uma postura mais agressiva no Game 1, até porque rodo 1 Mago da Conjuração e 1 Coatl a mais que ele, e acabei levando com uma Súplica aos Anjos que não encontrou um Terminus do outro lado.

No game 2, o Diego mulligou a 5 na play, então fiz questão de fazer trocas que fossem mais favoráveis a mim. A stream não acompanhou bem os pontos de vida, mas o turno em que ele concedeu eu possuía letal na mesa (com a ajuda do Oko).

Estava na terceira final do Nacional Legacy em um total de quatro participações!!

Final: BR Reanimator (Roberto Cardoso) – 2-0

O duelo final

Foi um imenso prazer jogar com o Robertão na final, principalmente porque foi ele quem me recebeu em Belo Horizonte. A gente já havia ficado bem amigos com o NL Cast e, porra, essa final, embora fosse a que, no fundo, eu desejava desde o início, era muito difícil de acontecer num torneio desse calibre (até os standings ajudaram!). Nem sabíamos, mas já havíamos disputado a final antecipada durante a semana! Hehehehe.

No game 1, mulliguei atrás de interação para o combo, e acabei ficando com uma mão de 5 cartas com Força da Negação. A Force me deu tempo para segurar o jogo e o Robertão, surpreendentemente, demorou demais para encontrar uma mágica para reanimar o Griselbrand que jazia no cemitério desde seu primeiro turno. No fim, até rolou uma jogada antológica de Ritual Sombrio, Ritual Sombrio, Ritual Sombrio, Griselbrand do braço, dando show na stream, mas que, para tristeza de todos (bem, não para mim =x), foi anulado por uma Força de Vontade.

No game 2, novamente mulliguei a 5, pois as duas primeiras mãos não tinham terrenos, e acabei ficando com uma mão no mínimo interessante, que não vou adiantar para quem ainda não assistiu. Confira lá no canal do Legacy dos Moicanos!

Quero agradecer muito à organização do Nacional, a todos que torceram e a todos que foram lá prestigiar o evento. Também quero agradecer os grupos do CLC, do Miracles, dos Furões e até mesmo aos amigos que nem jogam Magic mas estavam torcendo na final por mim (“entendendo 3 a cada 10 palavras” hahahaha). Também quero agradecer ao Fausto, ao meu querido PDT e demais membros da equipe Eternal Magic, por promover dia a dia o Legacy nacional com conteúdo de qualidade.

E claro, um especial agradecimento a minha amada Aline, te amo!

O Nacional Legacy é o principal evento do formato e tenho uma consideração absurda com ele. Ser coroado mais uma vez no Nacional foi ótimo, tão bom quanto a primeira vez, e só me renova os ânimos para continuar desenvolvendo esse formato que tanto amo.

Os Props são tantos que tenho receio de ter esquecido alguém. De Slop, fica só a Cachaça de Amendoim, que felizmente foi trocada pela de milho!

E minha premiação do Nacional? Foram três papelõezinhos, olha:

EPÍLOGO:

Muitos vêm discutindo sobre possíveis banimentos no Legacy daqui para frente. Concordo que a Wizards fez muita m**** nesse ano, alterando drasticamente o formato. Foi difícil acompanhar o lançamento de cartas jogáveis, sendo que praticamente só atualizo a base Azul-Branco.

Achei o banimento do Wrenn e Seis justo, porém rápido demais, e meu receio é que novos banimentos venham a ocorrer dessa mesma forma, sem dar chance que o formato se adapte.

Nas duas semanas pós banimento, posso dizer que “quebrei o formato”, pois consegui o título Nacional com o deck que criei e, no mesmo dia, um conhecido venceu o GP Bologna com uma lista derivada da minha E um outro jogador ganhou o Challenge do Magic Online com uma outra lista parecida.

O que vejo agora é a possível reação do metagame, sendo o Death and Taxes, Elfos, Eldrazi, BG Depths, Dredge, Hogaak e Sneak and Show decks Tier com ótimas respostas aos controles de várias cores.

Voltando ao assunto banimento, creio que a carta mais problemática no formato hoje é o Astrolábio de Arcum. Ele permite aberrações como decks de 4 cores que utilizam Retorno ao Básico, o que, em minha visão, não é algo saudável. Ele ainda deixa o Oko, Ladrão de Coroas mais forte do que já é, além de potencializar outras cartas, como o Santuário Místico. O Astrolábio, enquanto não for banido, certamente vai permanecer como uma das principais cartas do formato.

De qualquer forma, espero que o próximo banimento ocorra daqui a pelo menos 6-8 meses, quando se tiver certeza sobre o estado do formato.

Obrigado pela leitura e até a próxima, pessoal!

Sumário:

UWg Miracles – Total de partidas jogadas: 18-2-0 (90% win)

Comemorando com os amigos no boteco

Semanal TCGeek

2-1 Infect (Rafael Abreu)

2-1 UW Miracles (Natan Moura)

2-1 12 Post (Larissa França)

2-0 Punishing Eldrazi (Bruno Lanza)

Trial 1

2-1 Grixis Control (Bruno Caminha)

0-2 Moon Stompy (Amilton)

Trial 2

2-1 Goblins (Henrique)

2-1 Ant (Bruno Caminha).

2-0 UR Delver (Jurandir Ranghetti)

Main Event:

Bye 1

1-2 BG Depths (Adilson Junio)

2-0 Food Chain Maverick (Thiago Belott)

2-1 UW Miracles (Bruno Guerra)

2-0 BG Depths (Tulio Reis)

2-1 Burn (Humberto Martins – Stream)

2-0 UWg Miracles (Natan Moura)

2-0 UR Delver (Bernardo Montez)

2-0 Fractius (Alex Pato)

Top 8:

2-0 RG Painter (Irineu Mendes)

2-0 UWg Miracles Foundry (Diego Nunes)

2-0 BR Reanimator (Roberto Cardoso)

About Redação

One comment

  1. Ótima leitura, mostrando que bons resultados são construídos com dedicação e muito estudo.

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