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Metagame Eternal Challenge #11 – Trial 1

Resultados excepcionais devem ser tratados de forma especial, e como nosso torneio de abertura da temporada bateu recorde de participantes em Trials desde a criação do Eternal Challenge, em 2018, decidimos elaborar o metagame breakdown – o que em geral só fazemos com os Challenges. Com a ajuda inestimável de Elton Fior – que, a propósito, ficou em terceiro lugar neste campeonato – listamos os decks dos 30 jogadores que estiveram reunidos na tarde de sábado, 11 de janeiro, no Sebinho, a casa do Eternal Challenge em 2020.

O deck predileto neste dia foi o Miracles, que somou 6 cópias – dois UW, dois 4c e dois Bant. A versão UW é bastante interessante e traz de volta o Counterbalance, dessa vez em sinergia com Santuário Místico (virtualmente qualquer fetchland torna-se um anula para mágicas de custo 1 ou 2 a partir do terceiro turno). Mas a versão que converteu para o Top8 foi a 4 cores, pelas mãos de Antônio Sfair, que teve suas apostas de 2 pyroblast e 2 véu do verão MD recompensadas no fim do dia.

Multicampeão – Death and Taxes, que trouxe Igor Silva ao topo (de novo), participou do torneio com 3 cópias, a mesma quantidade de seu inimigo mortal, os Elfos. Se no mano a mano a vantagem é claramente para as criaturinhas verdes, no conjunto da obra quem se deu melhor foram os bichinhos brancos, único deck a contar com duas cópias no Top8.

Storm, Eldrazi Stompy e Red Prison vieram em seguida com duas cópias cada. Daqui saíram também duas posições neste concorrido Top8 – que premiou com boosters de Ultimate Masters e Modern Horizons: Elton Fior, com seu Monored, e Lucas Saliba, quem vem aperfeiçoando cada vez mais a necromancia stormística do Ad Nauseam – Tendrils. Que Deus tenha piedade dessas almas!

Jund Fênix, Humans e RUG Painter tiveram uma cópia cada e complementaram as primeiras posições. Ademais, o campeonato contou com Hogaak, Dredge, Eldrazi Post, BG Depths, BUG Delver, Goblins, Reanimator, Sneak and Show e BUG Control. O que esse field nos conta sobre o metagame do primeiro trial vinculado ao Eternal Challenge #11? Vamos à análise.

Control/Midrange/Prison: 13
Aggro/Tempo: 6
Combo: 11

Alguns decks possuem a natureza Aggro e, ao mesmo tempo, Combo. Nesse caso eles foram incluídos entre os Combos. Ao contrário do MtgTop8, não iremos considerar Death and Taxes como Aggro e sim como Midrange. Apesar de compreender que ele pode assumir características de Controle ou mesmo Tempo, além de Aggro, prefiro entendê-lo em sua totalidade, um deck capaz de se adaptar às circunstâncias e enveredar pela estratégia que melhor lhe aprouver a cada momento.

O torneio de abertura do Eternal Challenge 2020 revela uma leve predileção dos jogadores pelas estratégias de Midrange/Controle/Prison, com incríveis 43% do total. Muitas vezes essa escolha significa preparar o seu deck para primeiro não perder, e só depois disso pensar em ganhar. O Miracles e suas seis cópias são o melhor exemplo disso. Em segundo lugar vieram os combos, com 11 decks, o que representa basicamente 1/3 do field. Já as estratégias Aggro/Tempo, representadas tão bem pelos delver decks, estiveram em baixa com apenas 20% do field.

Na conversão para o Top8 tivemos 50% Control/Midrange/Prison, 25% Aggro/Tempo e 25% Combo.

Next level – A que conclusões podemos chegar a partir desses números? Em primeiro lugar, que a fatia ocupada pelos combos está no mesmo patamar daquela verificada no MtgTop8, ou seja, algo em torno de 1/3 do field. A proporção da galera com ódio no coração em Brasília é a mesma mundo afora. Por outro lado, verifica-se uma inversão em relação aos decks Aggro e Controle. Se no field do Eternal Challenge temos o dobro destes, no MtgTop8 verificamos empate se transpusermos o percentual do Death and Taxes para a categoria de Controle.

Uma maior quantidade de Controles, se considerada de forma isolada, não quer dizer muito. Porém esse dado pode apontar uma tendência. Em comparação ao metagame breakdown verificado no Super Eternal Challenge, que contou com uma base considerável para análise (46 jogadores), coincidentemente tivemos a mesma quantidade de UWx (6), porém tivemos um maior equilíbrio entre os arquétipos – cada um ficou com aproximadamente 1/3 do field.

Se a percepção dos jogadores que participaram da abertura do Eternal Challenge 2020 estiver correta, muito provavelmente teremos as estratégias de Controle mais presentes no próximo período. Oko, Ladrão de Coroas, por ser uma carta extremamente poderosa, pode ajudar nessa caminhada e, vale lembrar, ainda não entrou completamente no radar do MtgTop8, que entrega o resultado dos últimos dois meses diluídos.

Por outro lado, o lançamento de Underworld Breach (R1, Encantamento, toda carta em seu cemitério recebe a habilidade de Escape – CMC da carta + exilar três outras do cemitério) pode impulsionar os combos e, de tabela, fortalecer os delver decks. Como sabemos, tratam-se de decks mais competentes que os Controles para atacar fields degenerados. Lembrando que esta carta (Underworld Breach) ainda será válida apenas no próximo Trial, que será realizado no dia 1/2, sábado, a partir das 14 horas no Sebinho (406 Norte).

18 decks diferentes nas mãos de 30 jogadores. 7 decks diferentes no Top8. A meu ver, o metagame do primeiro Trial vinculado ao Eternal Challenge #11 mostra um Legacy vibrante, com estratégias diversas, bastante saudável e super divertido de jogar. Até a próxima!

Um grande abraço do
Fausto

About Fausto de Souza

Fausto de Souza é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles, que joga e coleciona desde 1994. Viciado nas cartinhas e em escrever, tem feito grandes amigos em toda a comunidade e é muito grato por isso.

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