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O Legacy pós W6 – Parte 1

Como disse o designer Gavin Verhey, em entrevista ao Eternal Magic, o universo de Magic: the Gathering é tão rico que hoje comporta diversos jogos. Ele se referia aos variados formatos ao explicar que a cada edição são pensadas cartas específicas para todos eles, claro que não na mesma proporção – afinal, os formatos eternos já possuem uma pool enorme de cartas e o Standard rotaciona de quando em quando, ou seja, necessita ser reabastecido com frequência.

Às vezes, algumas cartas causam um impacto indevido em algum dos “jogos” dentro de Magic, e quando isso acontece a Wizards precisa utilizar uma ferramenta chamada “Lista de cartas banidas e restritas”. Nos últimos três anos Standard, Modern, Pauper e Vintage tiveram algo como 10+ cartas adicionadas a esta lista. No Legacy foram 3.

Uma carta é banida ou restrita quando ela interfere de tal forma que todo o jogo fica comprometido, geralmente fazendo com que um deck se torne tão melhor que os demais a ponto de todos os jogadores serem obrigados a escolhê-lo ou então a montar uma lista específica que leve vantagem nessa partida. Ou seja, de uma forma ou de outra, a diversidade fica comprometida, os jogos ficam chatos e repetitivos, a diversão acaba e com isso o interesse diminui.

Com relação ao Legacy, podemos dizer que uma das cartas recém-lançadas causou enorme impacto recentemente: Wrenn and Six. Em pouco tempo ele fez do RUG Delver o melhor deck do formato e aniquilou arquétipos há muito consagrados, como Death and Taxes e Elfos, obrigando os jogadores a mudarem tão completamente as listas a ponto de desfigurá-las. Entre seu lançamento, em Modern Horizons, e seu banimento decorreram apenas cinco meses.

3 banimentos em 3 anos

Para falarmos sobre o cenário do Legacy hoje é preciso remontar, pelo menos, a 2016, quando uma carta chamada Tampo de Adivinhação do Sensei fez do Miracles o melhor deck do formato. Sua interação com Counterbalance era tão forte que, basta dizer, uma vez que as duas cartas estavam na mesa nenhuma magia de CMC 1 do oponente resolveria. Não era raro observar uma guerra de anulas quando a segunda peça estava na pilha, posto que a combinação delas colocava o jogador tão na frente que era praticamente game. Em abril de 2017 o Tampo foi banido, com um adendo: também estava atrapalhando o tempo das rodadas nos torneios, em razão de sua poderosa interação com as fetchlands.

O Legacy seguia firme e forte como o jogo mais estável de Magic (lembrando a nomenclatura de Verhey) até que um deck começou a se destacar: Czech Pile, ou 4c Control. A partir daí começou uma discussão que parecia infindável: Deathrite Shaman, que já havia sido banido do Modern, seria forte demais também para o Legacy? Mas a carta estava aí há pelo menos cinco anos, por que só agora começou a atrapalhar? Mas ele distorce a color pie, diziam. Sim, mas desde seu lançamento ele faz a mesma coisa. O que mudou? O fato é que as interações de Magic, já diziam os manuais de instrução em 1994, são como as estrelas no céu: infinitas. Daí o slogan: “com Magic você nunca joga o mesmo jogo duas vezes”.

Não raro uma carta se descobre super poderosa a partir de novas interações, muitas vezes imprevisíveis até que alguém a ponha em prática. E aparentemente foi justamente isso que aconteceu com o Xamã. Ele era forte no início, no meio e no final do jogo, fixava a base de mana, permitia que se reunisse no mesmo deck as cartas mais fortes do jogo, independentemente de suas cores, e o seu controlador ainda se dava ao luxo de colocar alguma quantidade de Wastelands porque, afinal, depois de usá-las para impedir a Marit Lage do outro lado, ou para zikar o oponente, ela ainda poderia virar uma mana colorida pela magia do Xamã – que de quebra tinha resistência 2, para desespero dos jogadores de Goblins. Em abril de 2018 ele foi banido.

E então o novo field se descortinava e se manteve saudável durante muito tempo, uma estabilidade de 19 meses, algo simplesmente impensável em qualquer outro formato (a julgar pelo que temos visto na última década de Magic). Até chegarmos ao advento do Wrenn and Six, que além de tudo abriu um precedente gigantesco quando foi banido do Legacy – é a primeira carta banida do formato antes de ser banida do Modern.

O cenário pós Wrenn and Six

Depois de 18 de novembro de 2019 tudo mudou. Com a saída de W6 o RUG perdeu força e o melhor Delver, nesses quase dois meses, tem sido o UR, que teve a adição importantíssima de Brazen Borrower – aparentemente era a carta que faltava ao deck. Em tese, atualmente talvez seja o único deck que possa ser enquadrado na categoria Tempo, pelo menos entre os 20 tiers mais jogados no último período.

Death and Taxes voltou a ser uma opção sólida e, inclusive, garantiu resultados expressivos como um torneio com mais de 200 jogadores no Magic Online, o nosso último Eternal Challenge e também foi o primeiro lugar no Suíço do Nacional Legacy.

Além disso, temos a surgimento do novo Miracles, splashado para verde com Oko, Véu do Verão, Reivindicação da Natureza e Carpet of Flowers. Essas cartas + Astrolábio permitiram que o arquétipo se reinventasse e hoje dispute o lugar de melhor controle com o 5c Control, espécie de Czech Pile atualizado – e que já começa a ser questionado em alguns fóruns, por ser estranho usar todas as cores junto com Blood Moon e Back to Basics, já que o Astrolábio permite o aumento de lands básicas.

Na parte 2 do artigo vamos falar dos decks mais jogados desde o banimento de Wrenn and Six e tentar enxergar o cenário do Legacy para o recém nascido ano de 2020. Lembre-se de acompanhar nosso Podcast neste link e fique à vontade para enviar comentários, perguntas e sugestões de pauta para o email: eternalmagic@eternalmagic.com.br.

Um grande abraço do
Fausto

About Fausto de Souza

Fausto de Souza é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles, que joga e coleciona desde 1994. Viciado nas cartinhas e em escrever, tem feito grandes amigos em toda a comunidade e é muito grato por isso.

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