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O LEGACY PÓS W6 – PARTE 2

Na semana passada iniciamos o artigo sobre o Legacy pós Wrenn and Six, que foi banido há exatos dois meses. Naquela ocasião voltamos a 2016 para entender a evolução do metagame e iniciamos a abordagem sobre o cenário imediatamente pós-banimento, que apresenta o UR como o Delver deck mais jogado, o Bant Miracles disputando com o 5c Control e o Death and Taxes ressurgindo das cinzas ao passo em que os combos se equilibram entre Storm, Dark Depths e Show and Tell.

Nesta semana vamos analisar possíveis cenários para os próximos meses. Mas não espere encontrar aqui um exercício de vidência ou futurologia. Como são inúmeras as variáveis que não podemos controlar, que fique bem claro: nossa proposta com este artigo não é apresentar definições e sim delinear caminhos prováveis, tendências e inclinações do Legacy em seu futuro próximo.

Ao longo de 2019, como mencionamos no artigo anterior, percebemos uma inserção de staples no Legacy muito acima da média observada nos últimos anos – como, ademais, ocorreu em todos os formatos. Sobretudo no segundo semestre do ano passado, a partir de War of the Spark, houve a impressão de uma quantidade enorme de cartas com power level incrivelmente alto. De acordo com levantamento de dados realizado pelo campeão do Nacional Legacy 2017, Henrique Belumat, a média de staples inseridas no Legacy vinha ocorrendo a uma taxa de 4% ao ano, ao passo que em 2019 esse número quadruplicou.

No último capítulo do Eternal Cast informamos que, de acordo com o MtgTop8, nada menos que 20 cartas impressas em 2019 estavam entre as 100 mais jogadas no Legacy. Entre essas cartas super poderosas algumas chamam a atenção e outras nem tanto, porém todas elas se fazem presentes. Entre as primeiras vale destacar Oko, Ladrão de Coroas, que fez o Miracles splashar para verde tamanho é seu poder. Já entre as que passam despercebidas podemos citar Force of Negation, que aumenta o leque de respostas genéricas do formato e iniciou o ano como a carta impressa em 2019 mais jogada no formato.

Oko, Ladrão de Coroas – Oko tem sido aproveitado também nos diversos midranges e controles, preferencialmente, mas também temos visto seu uso em Delver decks, o que fez com que muita gente se recordasse do Xamã, que transformava qualquer deck pretensamente aggro ou tempo em midrange. Sua interação com o Astrolábio é de fato muito consistente, talvez até demais, até porque no pacote vem junto uma carta chamada Véu do Verão – que não raro faz o serviço de um Comando Crítico por apenas uma mana. Por isso eu acredito que os decks que utilizam essas cartas combinadas (como é o caso da maior parte dos controles) se consolidarão no próximo período.

Entre os combos, no momento imediatamente após o banimento do W6, houve o ressurgimento dos Elfos e, de maneira geral, a categoria, que vinha perdendo espaço, retomou seu share tradicional de 1/3 do ambiente. As estratégias baseadas em Dark Depths estavam por demais prejudicadas com o lock promovido pela Wasteland. Pelo mesmo motivo, do lado Aggro, decks como Eldrazi haviam praticamente sumido do radar. Death and Taxes também voltou com tudo, já que suas pequenas criaturas que, em conjunto, são capazes de derrotar alguns gigantes do formato, estavam constantemente ameaçadas pela segunda habilidade do Wrenn and Six.

Uma carta recém-lançada na coleção Theros Beyond Death tem causado bastante especulação em torno do Legacy. Underworld Breach, que muitos aqui apelidaram de little Yawgmoth’s Will, ressuscitou Brain Freeze e tem causado alvoroço no Magic Online. Encantamento custo R1, ela dá a toda carta em seu cemitério a habilidade de Escape (CMC da carta + exilar três outras do cemitério), ou seja, você pode conjurar a mesma carta diversas vezes, já que ela não é exilada, desde que você tenha o grave sempre cheio. O “drawback” é que no final do turno ela é sacrificada. Como se trata de uma novidade com evidente potencial de jogo, é natural que muita gente esteja testando. Ainda não há uma lista definitiva, até Delver tem aparecido junto com ela. Nos próximos dias saberemos se é fogo de palha, se vai quebrar o formato, ou se, como acredito, será uma carta que terá lugar no Legacy.

O diferencial do Legacy – De modo geral, considerando os torneios tabletop e online, o field Legacy parece mais estável agora. Em que pese a enxurrada de staples despejadas pela Wizards em todos os formatos nos últimos meses – o que inclusive provocou inúmeros banimentos – dá pra dizer que o Legacy está saudável e com seu metagame bastante diversificado. Ao contrário do Modern, que tinha Oko e Urza em 7 de cada 8 decks nos playoffs, no Legacy essa concentração simplesmente inexiste. Aliás, o que a banlist de 13 de janeiro deste ano retirou do Modern, o Legacy levou 31 meses para perder (3 cartas). Tem sido bastante comum olhar para os Top8s Legacy e ver entre 6 e 8 decks diferentes.

Em razão de ser um formato eterno, com uma vasta pool à disposição dos jogadores, o Legacy se mantém em equilíbrio sobretudo em razão do poder de suas respostas genéricas (Force of Will, Force of Negation, Thoughtseize, entre outras), complementadas pelas mais eficientes cantrips já inventadas (Brainstorm, Ponder e Preordain) e uma base de mana capaz tanto de permitir as criações mais poderosas (Fitch Lands e Old Duals) quanto de mantê-las sob controle (Wasteland, Karakas e Rishadan Port).

Se comparado aos demais formatos, pode-se dizer que o Legacy sobreviveu ao furacão de 2019 com alguns arranhões. Nada grave. Seu metagame continua estável e nada indica que alguma estratégia específica esteja comprometendo a sua diversidade. Nesse sentido, é possível projetar um cenário em que os decks tradicionais dividam o espaço com novidades como Hogaak e metamorfoses como Miracles em sua versão com verde.

Tendo em vista este equilíbrio, vou citar alguns decks que, acredito, possam se destacar no próximo período: Death and Taxes, que historicamente se beneficia de fields estáveis; Delver decks, por concentrarem os pilares citados no parágrafo anterior (respostas genéricas, cantrips eficientes e acesso às melhores lands); Miracles, por ter, além disso tudo, as melhores remoções globais; e, entre os combos, Show and Tell, Elfos, Dark Depths e Storm, esse nas suas variadas composições, a depender da qualidade dos jogadores.

Evidentemente que diversos decks não citados acima podem se destacar, sobretudo aqueles que atacam bem um metagame Legacy tradicional, tais como Monored Prison, Fractius, Merfolks, Goblins, Hogaak, Dredge, Painter, Infect e o próprio Burn – único deck bicampeão do Eternal Challenge, diga-se de passagem. O ano de 2020 só está começando e o cenário Legacy pós banimento do W6 promete muita diversão e competitividade entre os jogadores. Vamos juntos!

Para entrar em contato direto escreva para eternalmagic@eternalmagic.com.br.

Um grande abraço do
Fausto

 

About Fausto de Souza

Fausto de Souza é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles, que joga e coleciona desde 1994. Viciado nas cartinhas e em escrever, tem feito grandes amigos em toda a comunidade e é muito grato por isso.

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