quinta-feira , agosto 13 2020
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Companion, a mecânica que vai mudar o MTG

Assim como a introdução de um novo tipo de carta mudou completamente o jogo, ou os vários jogos que existem dentro do MTG, muito provavelmente estamos diante de um novo momento decisivo. Lá atrás, em 2007, a Wizards decidiu introduzir os Planeswalkers como o oitavo tipo de carta e Magic nunca mais foi o mesmo. O conceito inicial de que éramos magos invocando criaturas e conjurando feitiços para vencer o oponente foi alterado. Agora poderíamos ter a companhia desses caras chamados Planeswalkers nos duelos pelo multiverso. Os PWs funcionam como mini-avatares dos jogadores e, em geral, entram com um alvo na testa que deve ser destruído o mais rápido possível sob pena de desequilibrar a partida.

Treze anos depois vimos nascer, com a advento de Ikoria, Lair of Behemots, uma mecânica chamada Companion. Ela funciona assim: alguns cards especiais possuem a habilidade de serem seu companheiro. Com eles foi criada uma nova zona de jogo, de onde ele pode ser conjurado a qualquer momento (nos formatos construídos competitivos você precisa dedicar um slot do sideboard). São criaturas lendárias que impõem algum tipo de restrição ao seu deck, como ter 80 cartas ou mais, ou apenas cartas de CMC par, ou ter apenas cartas com habilidades ativadas, ou que todas as suas permanentes possuam CMC igual ou menos que 2, entre outras.

Rapidamente a mecânica ganhou os corações dos jogadores. Em todos os formatos ela já está sendo testada, seja pelo Arena, seja pelo MTGO. Standard, Modern, Pioneiro, Legacy e Vintage foram imediatamente afetados, em maior ou menor grau. A grande dúvida que está sendo levantada nos grupos de discussão é se as restrições que acompanham as cartas com Companion são suficientes para impedir que a nova mecânica seja forte demais a ponto de quebrar o jogo. Afinal, na pior das hipóteses você começa o jogo com uma carta a mais que não pode ser alvo de um descarte.

No Legacy, Edgar Magalhães abriu 17-0 em Ligas do Magic Online com seu Grixis Delver apoiado pelo companion Lurrus of the Dream-Den logo no dia de estreia da carta. Um arquétipo que andava sumido, extremamente predado pelos midranges e controles que se avolumam ao redor de Oko, Thief of Crowns e Uro, Titan of Nature’s Wrath, e que não viu muito sacrifício em cortar os drop 3 para permitir a entrada da pantera sinistra. Numa build em que quase sempre o Lurrus (apelidado por alguns de Lucrus) significa quase sempre 2 cartas a mais (ela mesma + um cast imediato de uma Mishra’s Bauble ou Delver do grave), Edgar chocou o mundo do Legacy com essa sequencia enquanto os jogadores procuravam, ou ainda procuram, a melhor forma de contornar essa verdadeira máquina de vitórias.

No Standard, com apenas dois dias de Ikoria o jogador profissional Andrea Mengutti afirmou em sua conta no Twitter: “Acredito que Gyruda seja o deck to beat no Standard”. Gyruda, pra quem não sabe, é a criatura que obriga seu deck a ter apenas cartas com CMC par. Quando ela entra em campo, tomba quatro cartas no seu cemitério e você escolhe uma criatura entre elas para reanimar. Parece bom, não é mesmo?

Outra carta que tem se destacado é  Zirda, the Dawnwaker, que tem oferecido novas e melhores possiblidades de combos com artefatos como Grim Monolith e Basalt Monolit. Ao tempo em que a raposa dourada obriga que todas as suas permanentes tenham habilidades ativadas, ela reduz esse custo de ativação em 2. Fica fácil ver a linha de mana infinita, que pode ser letal com Urza, Lord High Artificer e Walking Ballista, entre outras.

Por outro lado, alguns jogadores profissionais advogam a necessidade de termos mais tempo para avaliar o real impacto da nova mecânica no jogo. Bryant Cook, fundador e articulista do site The Epic Storm, publicou em seu Twitter: “Primeiro dia e as pessoas já estão pedindo banimentos. Tentem resolver o problema antes de pular para as conclusões, e depois reavaliem com dados suficientes”.

É possível enxergar motivos em ambos os lados da história. Talvez os que antecipam julgamentos antes de terem os dados em mãos sejam visionários, ou suficientemente experientes para chegarem a conclusões tão rápido. Seja como for, ninguém nega que a nova mecânica mudará para sempre a forma que jogamos Magic, tendo em vista que, ao que tudo indica, as restrições apresentadas, sobretudo Por Lurrus e Zidra, não foram suficientes para mitigar os efeitos poderosos que os “mini-comandantes” trazem (por baixo, começar com uma carta a mais que o oponente que não tenha seu próprio Companion).

Em geral, quando temos o lançamento de uma carta que causa um impacto muito forte num dado formato basta que a Wizards atualize a lista de banidas e restritas, como aliás fizeram recentemente após a avalanche de cartas superpoderosas desde War of the Spark (junho de 2019) – tema que, aliás, merece um artigo à parte. Agora, contudo, o problema é outro. Trata-se de uma mecânica inteira. Quais serão as medidas da empresa caso julgue que o impacto foi deletério a um determinado formato? Banir a mecânica como um todo parece um tiro no pé. O mais provável é que os ajustes sejam feitos formato a formato, carta por carta. O tempo dirá.

 

 

 

About Fausto de Souza

Fausto de Souza é pseudônimo do jornalista Marcelo Salles, que joga e coleciona desde 1994. Viciado nas cartinhas e em escrever, tem feito grandes amigos em toda a comunidade e é muito grato por isso.

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